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Fotos com História: Surf na Cidade

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Não será preciso ser um entendido na matéria para se aperceber de que algo estranho existe nesta foto. As cores da água, por exemplo. E o fundo, que se vê. A própria onda é bizarra. E tudo isto tem uma razão de ser: trata-se de uma cena de surf na cidade. Isso mesmo. Em Munique practica-se surf no Eisbach, um pequeno curso artificial de  água que atravessa o parque Englischer Garten antes de desaguar no rio Isar.

Em determinado ponto existe uma onda permanente com cerca de 1 m de altura. A água extremamente fria e a parca profundidade – que chega a ser de apenas 40 cm – tornam esta onda algo díficil. Mas já desde 1972 que aqui se faz surf. Quase sempre de forma ilícita, pois apenas em 2010 esta práctica foi oficialmente permitida, mas mesmo assim, chegaram a ser organizados competições.

Na aproximação ao ponto, avista-se uma pequena multidão debruçada sobre uma ponte. Percebi logo que era ali. O meu anfitrião em Munique tinha-me falado disto durante o breve briefing que me deu para que pudesse aproveitar o melhor possível o dia que tinha para visitar a cidade. E ao ver aquele grupo de pessoas obviamente interessadas em algo que se passava sob a ponte, soube que tinha chegado. Há seis ou sete surfers que se vão revezando. Um é uma autêntica desgraça. Assim que se põe na prancha, afunda-se nas águas e retira-se para uma posterior tentativa, quando a vez lhe tocar de novo. Uma miúda equilibra-se magistralmente, deslocando-se para a esquerda e para a direita, bem no topo da onda, mas sem grande espalhafato. Há um, mais velho, já completamente calvo, que parece ser o mais habilidoso do lote. Esse, para além de se manter um bom período na sua prancha, fantasia um pouco, rodopiando e saltando sobre a água.

Fotografar tudo isto não foi complicado. A luz estava ideal. Céu encoberto, luminosidade difusa, nada de sombras e contrastes de luz, e, contudo, como o manto de núvens era fino e se estava no pico do dia, era possível trabalhar com boas velocidades de obturador. Passei ali um bom bocado, a fotografar os artistas aquáticos e os espectadores.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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