Home / Locais Especiais / Locais: Mdina, Malta

Locais: Mdina, Malta

mdina-01

Talvez Mdina simbolize o que de mais mágico existe em Malta: o cruzamento único de culturas, onde a componente arábica, com forte presença na arquitectura e na língua, se cruza com a influência da ocupação britânica e a proximidade aos valores do Sul da Europa. Não há um outro país neste nosso Continente onde se sinta um exotismo latente como aquele que se experimenta quando se explora Malta. E disto tudo, Mdina é o melhor exemplo. Com as “medinas” da África do Norte partilha a etimologia: “cidade velha”. E situa-se ao lado de uma outra cidade que deve merecer uma prioridade destacada no planeamento de uma visita ao país: Rabat.

mdina-04 mdina-03
mdina-02 mdina-05

Em Mdina entra-se por um dos portões medievais, e logo se é submergido por aquele labirinto de ruelas, casas feitas da tradicional pedra amarela que se encontra um pouco por toda a ilha. Mas aqui aquela cor torna-se mais intensa, talvez pela estreiteza das vielas que vai filtrando a luz solar, talvez por uma certa monotonia cromática que se faz aqui sentir de forma especialmente intensa.

Depois, deverá o visitante deixar-se levar, descobrindo a cada passo os segredos daqueles becos e ruas que transpiram a profunda história que aqui se pressente com facilidade. As primeiras referências à presença humana neste local remontam a mais de quatro mil anos atrás. Mas a Mdina que hoje conhecemos fez-se sobretudo a partir do século XII, quando se tornou local de eleição para a residência das famílias nobres provenientes da Normandia, da Sicila e de diversas partes de Espanha, devidamente enquadrados por conventos e mosteiros das principais ordens religiosas, como a dos franciscanos e dos dominicanos. Afinal, Mdina é um dos melhores exemplos de cidade muralhada na Europa de hoje.

mdina-08

Apesar de ser um local incontornável para qualquer visitante, a Mdina recusa-se a ficar estragada pelo turismo. É verdade, existem uns quantos restaurantes e pequenos hóteis de qualidade. Mas as ruas mantêm-se nas mãos dos malteses comuns, que não as transformaram num circo de lojas de souvenirs. Talvez na época alta as coisas sejam diferentes, mas num qualquer dia de Maio ou de Setembro, que são aliás os melhores meses para se visitar Malta, a Mdina é uma espécie de museu vivo da vida quotidiana dos habitantes locais, como de resto o é a vizinha Rabat.

mdina-07

Aquelas ruas guardam surpresas que se vão revelando gradualmente: as cabines telefónicas tipicamente inglesas, as casas apalaçadas, os pequenos detalhes cuja descoberta fica dependente do poder de observação de cada um.

Por fim, uma recomendação: para além da visita previsivel, feita de dia, uma incursão nocturna revelará uma outra Mdina, vista sob uma outra luz, as ruas transfiguradas, desertas, silenciosas.

mdina-06

mdina-09

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

Veja também...

Locais: Tetebatu

Uma aldeia na Indonésia. Um par de dias entre anfitriões que sabem o que é hospitalidade, arrozais, florestas de macacos, quedas de água. Uma visita ao paraíso em Tetebatu.

Locais: Počitelj

Hoje vou falar-vos de uma aldeia especial: Počitelj. Fica na Herzegovina, relativamente perto de Mostar ...

3 comentários

  1. olá ricardo, recomenda malta para uma viajante do sexo feminino que viaje sozinha? acha malta uma ilha segura? obrigada

  2. Olá Ana,

    Muitas vezes esta questão torna-se impossível de responder porque não sendo mulher não passo pelas mesmas vivências. Não tanto na área da segurança efectiva, mas no que toca a assédio e incómodo. Portanto sobre isso não sei responder, mas não me parece que existam problemas.

    Quanto a segurança, as coisas podem ter mudado. O afluxo de refugiados norte-africanos e do Médio Oriente pode ter trazido alguma insegurança. Ou não. Não sei porque não estive lá desde então. Mas quando estive senti que era um pequeno país muito seguro. Aliás, sem ser uma regra de ouro as ilhas tendem a ser seguras, imagino que são meios mais fechados, para o bem e para o mal.

    Em suma, tanto quanto é do meu conhecimento consisdero Malta uma ilha muito segura (e Gozo ainda mais).

  3. olá ricardo, agradeço imenso a sua resposta à minha questão!
    pois, de facto, as coisas devem ter mudado nos últimos tempos, devido ao fluxo de refugiados, alguns ilegais, que por lá andam. não querendo generalizar as coisas, claro.
    pelos seus relatos, malta parece ser uma ilha idilica, e segura.
    muito obrigada

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *