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Praga. 21 de Outubro.

A linha de metro amarela é extensa. Conta com vinte e duas estações, e atravessa a cidade de ponta a ponta, no sentido longitudinal. Nos seus extremos é já uma Praga rural e ao mesmo tempo industrial que encontramos. As duas lojas IKEA, tão apreciadas pelos checos, posicionam-se precisamente em Cerny Most e Zlicin, estações terminais desta linha. E hoje não andámos longe. Fomos contudo explorar a vertente campestre desta zona, tenicamente parte da grande cidade, mas sendo na realidade um pedaço de campo às portas da capital.

Saímos na penúltima estação, Stodulky, e fomos caminhando. O objectivo era a igreja Jana a Pavla . Depois de um trilho de lajes de pedra em perfeitas condições, o caminho passa a um fio de terra enlameada. Depois, desembocamos numa estrada de terra batida, cheia de grandes poças de água, que usamos durante algumas centenas de metros, para de novo termos que nos remeter a um trilho de qualidade suspeita, junto a uma quinta que está a ser utilizada para actividades equestres. Dá para perceber que entre muros se realiza uma prova de obstáculos, e de resto existem marcas evidentes do trânsito de cavalos.

O céu está cinzento, pesado, mas felizmente a chuva não se descarrega sobre nós. Na fase final de aproximação à igreja, passamos por dois idosos, que cumprimentamos com um Dobry Den, entusiasticamente correspondido nos mesmos termos. Andam às maçãs, silvestres e pequenas, que vão caindo dumas macieiras mirradas. Chegamos ao nosso destino. Ao mesmo tempo que um carro vermelho com três jovens que vão ali claramente para fumar um charro.

Depois de concluido o percurso inverso visitámos ainda a igreja de S. Jakuba, numa aldeia cujo nome ignoro, junto à estação de metro. Gostámos especialmente da escultra que encontrámos por mero acaso no regresso a Stodulky. Uma mulher desnudada que se acerca das águas.  

Foi uma experiência diferente que ficará na memória. Aquela paisagem, os encontros imprevistos, a bucólica igreja. Uma tarde bem passada nos arredores de Praga.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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