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América Latina 2016 – Dia 37 – Flores a Tikal

Acordei de novo muito cedo, até um pouco antes do sol. Fui conhecer melhor Flores. O sol estava a levantar-se, não havia sinais de calor. Andei em redor da ilha, vi uma enorme ave no paredão. Nas águas do lago Petén Itzá os pequenos barcos que fazem as funções de táxi cruzavam já, para um lado e para outro, trazendo sobretudo pessoas que vinham trabalhar para Flores. Uma turista ocidental faz a sua corrida da manhã.

Converso com um barqueiro, já a preparar a minha estadia para o dia seguinte. Hoje ficarei em Tikal, mas amanhã estarei de volta e não estou com vontade de ficar no mesmo hostel. De uma forma geral não estou a gostar especialmente de Flores. É uma sensação estranha… gosto e não gosto… tem algo de agradável, mas não para ficar. Eu sei, é confuso. Mas se o leitor seguir os próximos capítulos do meu diário verá como arranjei a solução ideal conjugando o melhor de dois mundos.

O homem falou-me de possibilidades de alojamento do outro lado do lago, perguntei quanto era a travessia. Era demasiado, mas fiquei com a ideia que não era o preço real. Perguntei a uma pessoa que vinha a chegar quanto era a passagem… ao princípio não quis dizer, imagino que não queria estragar o negócio aos barqueiros, mas insisti, deve ter pensado que como eu não era gringo que não havia problema em me informar… e o valor era muito menos. De 2,50 USD passou para, acho, 0,50 USD (já não me lembro bem mas acho que era isso).

Continuei a passear em Flores, o que de resto não me poderia ocupar muito mais tempo, porque aquilo é pequenito. Fui até ao centro, que é no ponto mais alto, observei as casas, que são tão diferentes, tão… britânicas. O estilo colonial espanhol é ali substituído pelo estilo colonial britânico…. ou holandês.

As casas são coloridas, mas não com os habituais tons pastel. Os telhados têm uma inclinação mais acentuada, a forma das janelas é de topo arredondado, os telhados são em chapa. Há ali mesmo muita coisa diferente. E água por todo o lado. A água faz parte integrante de Flores.

Tinha marcado o transporte para Tikal para o início da tarde. Há duas hipóteses para servir de base a uma visita a Tikal: Flores e El Remate, sendo que El Remate, também junto ao lado mas do lado oposto, fica a meio caminho, e é por isso adequado a quem vai a Tikal só durante o dia.

Tive ali um pequeno drama, com o desaparecimento do meu GPS, que dei como certo ter sido roubado durante a noite no dormitório. Afinal não tinha sido nada disso, ao chegar a Tikal encontrei-o no sítio mais improvável… tinha resvalado para dentro do meu saco de roupa suja… tinha revirado a mochila mas não tinha ido tão fundo. Falei com o gerente, um europeu jovem, ficou tão aflito, coitado… fiquei de passar por lá depois, no dia seguinte, para tratar com a polícia por causa da participação para o seguro, mas como disse, acabou por não ser necessário.

Isso atrasou-me. Saí da ilha, atravessei a “ponte” que é na realidade uma estrada assente em terreno artificial, e fui comer ao Burger King. Depois fui um pouco mais acima, às compras, para ter abastecimentos para Tikal. Já estava muito em cima da hora, tive que regressar quase a correr.

A viagem é rápida e silenciosa. Chega-se a Tikal num instante. Há muitas carrinhas idênticas, é um tráfego constante. A carrinha deixa-nos num ponto central, perto do centro de visitantes e, para mim, próximo do meu hotel para a noite. Vou-me instalar, fico com um quarto num bungallow de madeira. É um bocado xunga, básico, mas não me importo.

Vou ao um balcão de informação que é também onde se comprar bilhetes perguntar como é… o bilhete ali vale para 24 horas se comprado depois das 15:00. Ainda faltam uns minutos. Vou andar ali um pouco, espreitar o centro de visitantes e depois finalmente posso comprar agora e voltar a entrar no Parque no dia seguinte, por isso, perfeito, compro logo o ingresso, largo os USD 20.

A entrada é mesmo ali em frente. Palavra de honra, está encostada ao portão do meu hotel. Se quisesse, teria entrado sem pagar.

Lá vou, caminhando. O parque tem uns quantos trilhos, rotas de caminhada. Os locais, as ruínas maias, estão relativamente afastadas entre si, é preciso palmilhar uns bons quilómetros para os ver todos e não vou fazer isso neste primeiro dia. Tratarei de explorar um pouco e amanhã regresso antes do nascer do sol para ver o espectáculo do despertar do astro-rei no topo de uma das pirâmides e vejo o resto.

O Parque está bem organizado, é fácil encontrar o caminho. Se calhar os USD 20 justificavam a oferta de um folheto-mapa mas enfim, lá avistei umas belas pirâmides, subi a uma delas, por detrás, por uma estrutura de madeira construída para o efeito. Teoricamente é proibido trepar às pirâmides à boa velha moda antiga, mas nas que estão em locais mais periféricos ninguém liga.

Andei, andei e distraí-me um bocado e quando dei por mim já começava a ficar escuro e ainda estava bastante afastado da saída do parque. E sem luz. Afastei-me em passo rápido e saí mesmo quando a noite caía. Passei o serão no quarto espartano (ver acima) com os abastecimentos que tinha levado de Flores.

P.S. – Os detalhes prácticos e a informação geral de Tikal encontra-se facilmente na Internet. Veja aqui o Artigo Wikitravel, por exemplo, e o Artigo na Wikipedia.

 

 

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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