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Budapeste. 2 de Maio. Dia 7.

Logo pela manhã, brincadeira no labirinto perto do novo Teatro Nacional. A caminho do próximo destino, encontramos quase por acaso as maravilhas do grande mercado. Já conheciamos o edíficio mas desta vez temos oportunidade de entrar e de ficar fascinados com a arquitectura, a côr, a presença humana. Os transeuntes apresentam-se como uma curiosa mistura que inclui turistas, locais e pessoas ligadas ao normal funcionamento do mercado. No piso térreo as bancas são de fruta, enchidos, fritos, doçaria. Quatro músicos deleitam os ouvidos de quem passa com uma tuna maravilhosa, dominada pelo som de uma citara húngara que deixa ouvir, como um acompanhamento de fundo, uma oralidade angelical, que embala como uma canção de encantar. O primeiro andar é ocupado por espaços dedicados ao artesanato e à roupa. Uma criança observa, completamente fascinada uma demonstração personalizada de citara. Também ela está extasiada com a magia do som.

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Depois, graças ao auxílio divino dos transportes públicos, já estamos em Wekerle. Um enorme labirinto de ruas constitui este simpático bairro, que por si só ocupa uma área equivalente a uma cidade portuguesa média, como Faro. As autoridades construiram-no para receber as pessoas que do campo se mudavam para a grande metrópole, e é por isso que o verde domina e se sente uma dimensão espacial pouco habitual em zonas urbanas. Tudo é desafogado, espaçoso, calmo. As poucas pessoas que por ali vimos movimentam-se com descontração. A tranquilidade deita-se sobre Wekerle como se de um enorme cobertor se tratasse. E nós estamos agora sob o seu abraço tépido. O dia está agradável, e é com enorme prazer que percorremos ruas principais e transversais, até ao centro da trama, onde um pequeno parque se encontra. Paramos um pouco para trincar qualquer coisa, e prosseguimos, já de saída, passando por baixo de um incrível arco de madeira, bem ao estilo Transilvânia, que se pode observar aqui e acolá.

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Quase que nos perdemos, mas as novas tecnologias dão uma ajuda. O GPS indica o rumo a seguir, e descobrimos que, bem disfarçada por uma frondosa fiada de árvores, uma linha de eléctrico segue paralela à agitada estrada em que caminhamos. Que maravilha! É que já levamos alguns quilómetros nas pernas e esta ajudinha sabe que nem ginjas. Do outro lado da linha existe uma zona verde, selvagem, maravilhosa. A luz entra pela copa das alta árvores e enche de reflexos verdes o suave mato, feito de plantas tenras, tão diferentes da agreste vegetação mediterrânica a que estamos habituados.

Regressamos a casa. De repente já estamos a meio da tarde. O dia sai algo frouxo. É o cansaço acumulado de muitos dias, de muitas distâncias percorridas com pernas que não estão habituadas a estas andanças. E depois, mais logo, pelas 19:30, teremos que nos encontrar com os nossos anfitriões para um jantar no restaurante Paprika, não muito longe da Praça dos Heróis. Fico a descansar até ser hora de deixar o apartamento. Adormeço. Acordo passado algum tempo, ainda mole, mas aqueles minutos foram preciosos para encontrar a vontade perdida para este compromisso social. Apanhamos o metro lá para cima, conseguimos arranjar forma de nos enganar na estação de saída, e acabamos o percurso quase em passo de corrida, atrasados. O jantar corre bem. A companhia é agradável, a comida, tipicamente húngara, é confecionada com atenção, tudo isto enquadrado por uma decoração campestre, que traz para o interior do restaurante a recreação de uma cabana de floresta.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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