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Budapeste. 27 de Abril. Dia 2.

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Hoje foi dia de dormir sem limites, o que resultou num despertar pelas nove horas. Levantar de imediato, dois yogurtes pela goela abaixo à laia de pequeno-almoço, e estamos na rua. Primeira missão: comprar bilhetes de uma semana para o sistema de transportes públicos da cidade. Sucesso fácil. Depois, caminhar. Atravessar a ponte das correntes, um dos ícones de Budapeste, e a primeira a ser construida de forma sustentada. Subir em direcção ao castelo. Há o funicular, mas o preço, como em tudo o resto nesta cidade, é bestialmente inflacionado, e andar não faz mal nenhum à saúde. Por isso, prosseguimos. Encontramos um acesso não identificado, e arriscamos. Passado uns minutos atingimos um dos recintos exteriores do palácio. E de repente, eles estão por todo o lado, o pior inimigo de um turista atípico como eu: os turistas típicos. Ainda há pouco falávamos do perfeito equílibrio do turismo na cidade, que não era tanto que incomodasse nem tão pouco que nos fizesse sentir uma raridade. Mas ali, no castelo, esta balanço rompe-se. O que significa que será um local a não voltar. Foi visitado, está visto.

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É ali, naquela área, que se encontram alguns dos principais museus húngaros, assim como as mais famigeradas “armadilhas” para turistas: restaurantes ainda mais caros do que noutras zonas, venda de artesanato, pedintes e sabe-se lá o que mais. Como museus não aprecio muito, talvez por ter passado uma boa parte da minha vida num, ou por sentir como perdido o longo tempo que uma visita exige, fico-me pelo extâse das vistas sobre a cidade. Tal como na cidadela, o castelo oferece uma visão extraordinária sobre Peste.

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 Há contudo uma “atracção” a que não resisto: o Museu Militar. E, digo desde já, não foi uma experiência positiva. À entrada vejo que para me ser permitida a utilização da máquina fotográfica, há que pagar uma taxa de €3. Justo. A entrada “normal” é gratuita. Não me importo nada de largar esta pequena quantia, que afinal corresponde ao preço normal de um bilhete de museu, e saber que vou poder recolher as imagens que me apetecer. Só que ninguém avisa que as fotografias têm que ser sem flash. O que equivale a dizer, num museu escuro como todos costumam ser, que não há fotografias para ninguém, com taxa paga ou sem ela! Muito mau! Depois, maior parte das salas de exposição não contam com legendas em inglês, e a sua disposição é caótica. Os visitantes não compreendem o percurso a seguir, e as múmias que se encontram espalhadas por lá, disfarçadas de funcionárias de museu, não compreendem uma palavra de qualquer língua que não seja o húngaro. E esse, como já vimos, só mesmo eles é que conseguem aprender. Para terminar, a exposição mais apetecível, referida em todos os guias de viagem e sugestões individuais, não foi encontrada. Pois é, a secção dedicada ao levantamento de 1956 não estava lá. Ou não a encontrámos, o que no meio de toda aquela desorganização não me espantaria nada.

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 Terminada esta decepcionante visita, não se fez muito mais. Viemos andando, sem pressas, palmilhando o caminho de regresso. Na Váci utca não resistimos mais à fome e deixámo-nos saquear pela primeira vez num restaurante. Uns €13 por pessoa. Uma cerveja de meio litro, uma soupa de goulash e uma pequena salada grega. Coisas que na vizinha Praga poderia ser obtidas, por, digamos, quatro ou cinco Euros. Talvez por tudo isto, fomos procurar um supermercado teoricamente decente, com preços locais. Já tinhamos referenciado uma cadeia de estabelecimentos, o Kaiser’s, e lá fomos, fazendo a nossa estreia no metropolitano de Budapeste. Antes, contudo, demos uma vista de olhos na fachada da sinagoga de Budapeste, a maior da Europa. Afinal os preços locais do Kaiser’s são mesmo assim elevados. Na generalidade os preços equiparam-se aos de Portugal, com algumas coisas bem mais caras, como é o caso do leite. Ora para um país que ainda há um ano e meio era descrito como bastante mais barato do que a República Checa, as coisas mudaram muito.

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Voltamos para o apartamento, carregados com os preciosos sacos do supermercado (preciosos apenas porque tivémos que os pagar, não porque o seu conteúdo fosse especialmente apetecível) decididos a planear o amanhã de forma cuidada, algo desiludidos com o passar algo errático deste segundo dia em Budapeste.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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