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Guia de Viagem: Guiné Bissau

 

Este artigo é um guia básico para quem deseje preparar uma viagem à Guiné Bissau, apesar de não cobrir todo o território do país mas apenas o que conheci. Informações essenciais, práticas, daqueles que são perguntadas todos os dias. Está cheio de dicas para visitar a Guiné Bissau. Quanto custa, onde comer, onde ficar, que transportes apanhar e como o fazer.  A informação é baseada na minha experiência em 2017. No fim do artigo existe um mapa com todos os pontos referidos bem marcados.

Vistos

Os vistos para a Guiné Bissau tiram-se online, no website oficial criado para o efeito, custam cerca de 60 Euros e são válidos para 30 dias. É um processo simples e são pagáveis com cartão de crédito. Receberá depois um documento por e-mail (primeiro, o recibo e umas horas mais tarde, o visto electrónico propriamente dito) que deverá ser apresentado à chegada ao aeroporto.

Chegada

O aeroporto de Bissau não costuma levantar problemas aos passageiros. O processo de verificação de documentos é rápido. Quem tem o visto tirado online é dirigido a um gabinete onde um funcionário superior coloca um carimbo e rubrica o passaporte. Depois, passa-se pela verificação de bagagem que também tende a ser simples. Umas perguntas sobre o que se leva, uma vista de olhos ao interior e pronto.

Como em toda as fronteiras, é melhor manter um sorriso e uma atitude amigável com os funcionários. Não faz mal nenhum e pode dar um jeitão.

Quanto ao transporte para o centro, vai depender: há táxis, que podem custar entre 1000 a 1500 CFA, dependendo da hora e do seu poder de negociação. Isto significa, entre 1,50 Euros a 2,25 Euros. Não pague mais de 1500 CFA. Mas note que é normal que venham outros passageiros no táxi. Ou que sejam apanhados a meio do caminho.

Outra nota: o CFA, o Franco da África Ocidental, é usado numa série de países, assim como o Euro na Europa. Nomeadamente na Guiné-Bissau, no Senegal e na Guiné-Conakry, entre outros.

Se chegar antes das 21:00, saia do recinto do aeroporto, se for necessário pergunte, e apanhe um toca-toca, que são as carrinhas que constituem os transportes públicos em Bissau. Não chegam ao centro mas deixam-nos a uma distância caminhável, uns mil metros, do centro histórico.

Se está a viajar por terra é provável que chegue à Paragem Central, um terminal de transportes terrestres consideravelmente afastado do centro. É preciso ir até à estrada principal e apanhar um Toca-Toca para o centro. Ou negociar com um taxista. Veja a localização no mapa no fim deste artigo.

Fotografar

Os amantes de fotografia têm muitos motivos num país cheio de cor. As pessoas são bastante agressivas perante fotos directas. Claro que há poucos povos com que seja aceitável fazê-lo, mas aqui a reacção é forte, por vezes mandam umas bocas só de reparar na existência de uma câmara e se estivermos a fotografar algo que não tem nada a ver, uns metros ao lado, há pessoas que vão reclamar, que pensam que é a elas que estamos a captar.

Conheci assim um guineense que viveu em Lisboa, na Alameda, precisamente porque as mulheres que estavam com ele foram queixar-se que as tinha fotografado, quando na realidade nem tive lá perto. O homem foi cortês mas disse… “não pode fotografar as pessoas sem pedir autorização”. Em inglês. Partimos daí para uma boa conversa.

Por outro lado, um pedido cortês para fotografar pode obter bons resultados. Ficou-me a impressão que não é contra a fotografia que as pessoas reagem mas sim contra o desrespeito.

Dinheiro

A moeda em uso na Guiné Bissau é o Franco da África Ocidental, o CFA, que é também usado em alguns outros países da região, como o Senegal, o que poupa algum trabalho ao viajante que pretende dar uma volta nesta parte de África.

Um potencial problema é que há voos que chegam tarde ao aeroporto e não há forma de fazer o câmbio excepto, se houver oportunidade, com os cambistas cadongueiros que possam aparecer por lá. Se vai ficar num hotel ou com alguém tente ter uma pessoa à sua espera, senão só lhe resta negociar e ver se algum taxista aceita Euros.

Quanto a câmbios, existem máquinas de Multibanco mas talvez seja melhor não depender delas. Há várias formas de fazer câmbio. Pessoalmente troquei na loja onde um amigo meu trabalha, mas também o fiz numa casa de câmbios no início da Av. Domingos Ramos, mais próximo do porto, e foi um processo limpo e sem surpresas.

Penso que o CFA está indexado ao Euro não existindo portanto flutuações cambiais. Com 1 Euros receberá algo como 655 CFA mas a melhor forma, pelo menos para mim, é manter em mente que 1.000 CFA é 1,50 Euros e fazer as contas a partir daí, porque quase todos os preços são múltiplos de 1.000 ou de 500.

Internet e Telecomunicações

A existência de redes de Wi-Fi, especialmente gratuitas, não é comum. Note-se que não estou a dizer que é impossível, mas pessoalmente nunca encontrei nenhuma nem ouvi dizer de alguma. Por outro lado, a Internet de dados recomenda-se: é baratíssima e em Bissau tem uma velocidade agradável.

Para obter um cartão SIM, poderá encontrar uma banca ou representante da empresa de telecomunicações nacional, a MTN. Existem vários destes postos espalhados pela cidade, mas pessoalmente recomendo uma deslocação à Praça da MTN, assim conhecida porque lá se localiza a sede da empresa. Mas para o que nos interessa não vamos entrar nas instalações! No meio da praça encontram-se os stands para venda de SIM’s e lá se trata de tudo. Não esquecer de levar o passaporte e de estar preparado para alguma dificuldade na comunicação. Pode ser que esteja por lá um jovem que fale português. O pessoal é prestável, faz tudo para ajudar.

Outro conselho: não sair de lá sem ter a certeza que a Internet (e o resto) está a funcionar. Comigo ele configurou aquilo mal, e como eu tinha dados de Portugal, não só paguei logo algum como saí de lá a pensar que tinha a net guineense a funcionar e não tinha. Já ia quase na outra ponta da cidade quando me apercebi e tive que voltar para trás.

Electricidade

Não é habitual uma secção dedicada a electricidade num guia sumário como este, mas no caso da Guiné Bissau é importante: é que o fornecimento de electricidade é precioso e pode ser raro. Mesmo em Bissau há frequentes cortes no abastecimento, apenas uma parte da população tem acesso de todo a electricidade e apenas locais com geradores asseguram electricidade constante. O tipo de de fichas é igual ao que se usa em Portugal.

Fora de Bissau a situação é pior. Em suma, ter Internet é relativamente simples. O complicado é ter os dispositivos para aceder a ela com carga. Recomenda-se um bom power bank. Ou dois.

Preços

Na data da minha visita – Novembro de 2017 – os preços eram como vou descrever. Disseram-me que não existe inflação significativa por isso é possível que não os encontre muito diferentes quando visitar.

Transportes

Um Toca-Toca de Bissau

 

Táxi partilhado em Bissau (preços por pessoa): entre 200 CFA a 500 CFA. O primeiro preço para um percurso muito pequeno, facilmente feito a pé. O segundo preço para um serviço mais longo, desde os subúrbios até ao centro. O serviço do aeroporto é mais caro. Um máximo de 1500 CFA, mesmo à noite.

Toca-Toca: Vai custar 100 CFA. O Toca-Toca são as carrinhas, velhas como tudo, que fazem as vezes de transportes públicos em Bissau, com uma série de rotas para os bairros da periferia e para o aeroporto.

Barco para/de Bolama: 5.300 CFA para estrangeiro, 3.500 para local

Canoa para/de Bolama: 2.500 CFA por passageiro

 

Alimentação

Os preços de bens alimentícios no mercado são muitíssimo baixos. Tudo o que for importado vai custar mais ou menos o mesmo que em Portugal.

Refeição em Restaurante para “branco”: 7.000 CFA o prato, 700 CFA uma cerveja, 1.500 CFA uma sobremesa.

Refeição em Restaurante local: 750 CFA um prato;

Refeição em (raro) restaurante local melhor: 1.500 CFA o prato;

Bananas, no mercado: entre 15 a 25 CFA por cada unidade;

Garrafa de Água Portuguesa (Penacova, Estrela, etc): 500 CFA

Fritos tipo mini bola de Berlim: 25 CFA cada unidade

Alojamento

Um quarto de pensão no centro de Bissau, com condições médias para a realidade local: Entre 20 a 30 Euros. Não esperes água corrente. Os banhos são tomados com um grande balde de água e uma “concha” para a verter sobre nós.

Um quarto mais modesto, só cama e uma ventoinha: 5 a 8 Euros. Poderá e deverá ser negociado até chegar a estes valores.

Um quarto de hotel com padrões europeus tem um preço bem mais elevado.

 

Bissau

O que ver

 
 

Mercado do Bandim: Este mercado é na verdade uma ampla mancha comercial, que se estende por diversas ruas de Bissau, um pouco afastado do centro mas a distância perfeitamente caminhável (cerca de 1 a 1,5 km). Como se esperaria de um mercado africano, é um espectáculo para os sentidos, com muito para observar e fotografar… mas com cautela, porque as pessoas reagem geralmente mal às fotografias.

Cais do Porto: O cais é um lugar a visitar, pitoresco, com muita dinâmica. Há as pessoas que vêm à procura de transporte para as ilhas, os que pescam, os que ali trabalham, o pessoal da segurança… há uma espécie de instalação militar numa das pontas que não se deve fotografar. Apesar do pessoal da segurança à porta, é só entrar.

Casas junto ao Porto: Um conjunto de casas, que suspeito serem antigos armazéns, são das mais pitorescas que encontrei em Bissau. Dão excelentes fotografias. Contudo, as pessoas que ali parecem viver são bastante pobres e li algures que esta é a zona de Bissau que se deve evitar depois de cair a noite. Durante o dia avalio-a como totalmente segura.

Cemitério: O cemitério de Bissau não é dos mais bonitos mas mesmo assim é interessante visitar. Existe um talhão da Liga dos Combatentes o que me intrigou, porque está especialmente bem cuidado. Podem-se tirar fotos interessantes das cabras que habitam no recinto.

Catedral de Bissau: O início da construção da Sé de Bissau deu-se em 1935 e em 1950 foi finalmente inaugurada. Pode-se visitar e é bastante central.

Palácio Presidencial: O Palácio Presidencial só pode ser visto à distância e fotografar também, assim ao longe. Em muitos guias fala-se do Palácio como estando em ruínas, resultado de uma breve guerra civil que ocorreu no país há uns anos. Contudo o Palácio foi recuperado e está agora de volta ao seu esplendor.

Estádio e Campos de Futebol: Mais do que o Estádio Lino Correia é aqui interessante ver o bulício de fim de tarde, quando centenas ou mesmo milhares de jovens vêm até aqui para jogar uma peladinha. Pode-se entrar no espaço pela Rua Osvaldo Vieira ou pelo lado oposto, pela Rua Djassi, próximo do Restaurante Padaria Portuguesa e da Casa do Sporting.

Centro Cultural Francês: É uma referência na cidade e um pólo dinamizador da cultura francesa, com exposições, projecções de cinema, eventos, etc. Pessoalmente mantive-me afastado.

Bissau Velha: este é o núcleo histórico da cidade, que se desenvolveu entre o forte e o porto. É uma área pequena, um pouco pobre, mas com muito comércio, alguns hotéis e pensões e também restaurantes e cafés. Claro que cada prédio é um testemunho do passado, sendo uma zona riquíssima em arquitectura colonial. As ruas aqui não têm nomes mas sim números.

Praça Che Guevara: aqui em redor existem diversos pontos de interesse,  restaurantes e possibilidades de alojamento. É central.

Comer

Restaurante Papa Loca: Um nome interessante para um restaurante muito procurado pelos estrangeiros residentes em Bissau, com preços bem acima da média e pratos típicos portugueses, entre 8 e 12 Euros, talvez mais para as iguarias especiais.

Restaurante Libanês Alli: Existem vários restaurantes libaneses espalhados por Bissau. A este vim duas vezes. Gostei muito de aqui comer. Há pizzas e pratos libaneses. Pedi humus, que não estava no menu mas que, claro, se arranjou… afinal de contas é um restaurante libanês. Uma boa dose de humus e de pão libanês e um par de bebidas de lata custará entre 6 a 7 Euros.

Café e Restaurante Império: Mais um local muito frequentado por estrangeiros, com um ambiente requintado para os padrões guineenses, preços relativamente altos (um bolo, 1,50 Euros, uma lata de bebida, 1,20 Euros), bem fresquinho nos dias de calor. Mesmo ao lado do Hotel Império, dos escritórios da TAP e da rotunda junto da qual se encontra o Palácio Presidencial.

Padeira Portuguesa: Um restaurante e café muito frequentado pela comunidade portuguesa. Um pouco caro e fora de mão para quem não tem transporte próprio, mas podem-se matar saudades das coisas lá da terra.

Porto: O Restaurante Porto tem um perfume dos “velhos tempos”, quer na decoração quer na clientela. Ideal para ver a “bola” e para comer um bom prato português. Preços entre os 8 a 12 Euros por refeição.

Café Restaurante Ta-Mar: Este foi o meu pouso de eleição dos dias de Bissau. Bom para carregar o telemóvel e trabalhar um pouco ligado à corrente. Cerveja de meio-litro a 1,50 Euros, tosta mista a um preço escandaloso, refeições (que não experimentei) dentro do esperado nos locais para estrangeiros e elites locais.

Restaurante Guiné Doce: É um local discreto, de forma intencional, pelo que me disse. Uma tasca à portuguesa. Gostei de beber lá um par de cervejas geladinhas e teria voltado.

Restaurante Colete Encarnado: Um bom lugar para uma refeição, entre tasca local e restaurante para estrangeiro. O nome não esconde as origens e para além da arquitectura exterior o interior leva-nos numa viagem do tempo ao estabelecimento português de meados do século XX. Gente honesta: esqueci-me aqui de um power bank e quando voltei, com poucas esperanças, estava guardado para mim. Preço da refeição a ronda os 7 ou 8 Euros. Fácil de reconhecer pelo vermelho Coca-Cola com que é pintada toda a fachada.

Segurança

A Guiné Bissau tem constado de listas, estudos e rankings dos países mais perigosos do mundo. Para mim, é surpreendente. Surpreendente é dizer pouco. O crime em Bissau é reduzidissimo e pode-se andar à vontade pela cidade. Li algures que as zonas próximas do porto devem ser evitadas depois de cair a noite. Mas durante o dia não há qualquer problema, pode-se andar à vontade, com câmara fotográfica bem visível.

Agora, o que pode dar problemas é uma súbita alteração da ordem pública. O clima político a Guiné Bissau é muito instável, com algum potencial explosivo e a vaga possibilidade de acontecer algum golpe de Estado ou algo assim deverá ser a única preocupação do viajante.

 

Bolama

Como Ir

Só há uma forma: de barco. De Bissau há dois métodos: primeiro, de piroga, que é uma embarcação mais tradicional, mais vocacionada para cargas e pesca, que faz informalmente esta ligação por um preço mais baixo. O problema é que a piroga sai quando sai. É uma questão de ir ao cair e perguntar com jeitinho, se há piroga para Bolama nesse dia, ou talvez, quem sabe, para o dia seguinte. Infelizmente não me recordo do preço, mas vá, arriscaria dizer que é algo como 8 Euros.

O segundo método é no “barco da carreira”, que não sai todos os dias e que é mais caro, mas mais confortável. Uma coisa chata: no barco de carreira os estrangeiros pagam mais. É uma novidade, mas é assim mesmo. E é oficial, com bilhete e tudo.

O melhor é informarem-se já em Bissau, no cais, do horário actualizado da ligação. Um conselho: não planeiem regressar para apanhar o avião no dia seguinte, porque há muitos imprevistos na Guiné Bissau.

Estas viagens são uma “curtição”. Demoram umas 3 ou 4 horas e é uma experiência que vale por si.

A Piroga para Bolama quase a partir de Bissau

Comer

É simples: não há onde comer em Bolama. Não há um restaurante assim como o conhecemos. Pode-se perguntar e logo se vai encontrar alguém que conhece alguém que pode servir um almoço, geralmente arroz com peixe. Convidado do amigo do meu amigo, comi um cozinhado de carne de cabra que era uma coisa deliciosa, mas não se deve contar com isso. Há umas mercearias e o mercado para sobreviver, caso não se encontre mais nada.

O que Ver

 
 

Edifício da Antiga Câmara Municipal: Um edifício imponente, totalmente abandonado, que se pode explorar durante um par de minutos. Não há muito para ver por dentro, mas a fachada ainda é impressionante.

Antigo Cinema de Bolama: Um belo exemplar de cinema para aí dos anos 50 ou 70 do século XX, quase abandonado mas muito fotogénico.

Igreja de Bolama: Uma bonita igreja, muito bem renovada, mas mais antiga do que aparenta.

Hospital de Bolama: Por estranho que pareça, pode-se visitar o hospital. Aconselho, só para ver e saber. Está totalmente aberto, é constituído por vários pavilhões. Um conselho que pode parecer parvo mas não é: usem bom repelente de insectos por aqui… é assim que a malária se transmite. Não esquecam que durante o dia o voador da malária não está operacional. Pode-se sair pelas traseiras e regressar por outra rua.

Mercado Municipal: É um pequeno mercado mas vale a pena dar uma vista de olhos. Podem-se ali comprar produtos alimentícios a um preço incrivelmente baixo.

Arquitectura Colonial: Bolama foi a capital da Guiné Bissau até 1941, quando Lisboa decidiu transferir o poder local para Bissau. Isso significa que, apesar de pequena, Bolama é uma espécie de museu vivo de arquitectura colonial. Existe em quase todos os estados de conservação: totalmente renovado, neglicenciado, abandonado, em ruínas. Não é preciso descrevê-lo, é uma questão de percorrer as duas ruas principais de Bolama e as suas perpendiculares.

Praia de Ofir: Um tesouro escondido a um par de quilómetros a pé da povoação. Uma praia sem turistas, provavelmente sem ninguém. Tropical, paradisíaca.

Dormir

No Google Maps aparecem vários hotéis marcados (contei quatro). Eu estive lá. Se fosse a vocês não me fiava. Podem tentar e quem sabe encontrem mesmo. Mas eu não vi lá nenhum hotel activo. A melhor solução é perguntar por lá, alguém há-de alugar um quarto.

Eu orientei-me com o proprietário de um café que me arranjou um quarto num edifício lindo, que parece enviar-nos numa viagem no tempo. O quarto era mais básico que super básico, mas serviu perfeitamente para uma noite. Ele pediu-me uns 20 Euros pelo quarto mas depois de negociado ficou por uns 6 Euros. Para mim e para o meu anfitrião de Bissau (uma só cama porém).

Se começarem a entrar em pânico com a aproximação da noite e nada de alojamento, dois planos B: primeiro, procurem a missão brasileira que há em Bolama. Conheci os três elementos que lá estavam, gente boa, e de certeza que não ficarão sem um tecto para passar a noite. Segundo, procurem o Zé Luís, um guineense de sorriso bondoso com sangue português, que tem uma espécie de café logo ali perto do porto. Muito me enganaria se ele não ajudasse.

Cacheu e Canchungo

Visitei mais dois locais na Guiné Bissau. Cacheu e Canchungo. Para ter uma ideia diferente do país e para não fazer a viagem até ao Senegal numa só etapa.

Cacheu

Foi um importante entreposto do comércio de escravos, mas hoje é uma localidade pequena, sem grandes atractivos. Existe um pequeno forte português e um museu dedicado à escravatura. O fort encontra-se fechado, mas 1.000 CFA poderão convencer o guardião a abrir o portão para os visitantes.

Pode-se dormir no Cacheu, mas as condições são más e os preços altos. Tudo se negoceia, mas o que me propuseram era tão mau (electricidade no Cacheu, é para esquecer, e água corrente nem falar) e o preço inicial tão disparatado (20 Euros) que decidi logo que não ficaria ali.

Chegar lá é a partir do Canchungo. Não existem ligações entre Bissau e o Cacheu.

 

Canchungo

Para viajar até ao Canchungo desde Bissau é só ir à “Paragem Principal” e procurar a carrinha que segue para lá. Esta cidade tem alguma dimensão mas nada de notável. É um caso de tentar encontrar a igreja e apreciar os dois painéis de azulejos. Ali perto existe uma antiga torre de água. Comércio muito intenso e uma estação rodoviário de onde há ligações para Cacheu, Bissau e para Ziguinchor, no Senegal.

Dormi num estabelecimento chamado Aparthotel Napalach, onde paguei  equivalente a 7 Euros e onde gostei de estar. As condições eram mínimas mas pelo menos houve sempre electricidade. Bom para repousar um par de dias se for caso disso. Difícil de encontrar, estudar com atenção o mapa (ver abaixo). Importante: ignorar a localização marcada na base de dados do Google Maps, não tem nada a ver… valeu-me uma caminhada de vários quilómetros.

 

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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