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Índia 2019 – Dia 11 – Udaipur

O dia começou com um pequeno-almoço. Comida de hostel, sem qualidade, mas comida de borla, incluída num preço já baixo, não há que criticar. E depois, a vista, da sala onde se come, é uma coisa do outro mundo. Udaipur é uma coisa do outro mundo. Já tinha dito? É mesmo!

No dormitório, de apenas quatro camas, fizemos amizade com um indiano que está a viajar sozinho, um viajante de companhia agradável que tivemos a sorte de ter como companheiro de quarto. Na outra cama, um tipo sul-americano um bocado estranho que falava ao telefone sem parar e ia à casa de banho a toda a hora.

A primeira actividade foi visitar o palácio junto à água, ali próximo do hostel, o Bagore-ki-Haveli. Trata-se de um palácio do século XVIII, ricamente ornamentado, com uma série de exposições que valem a pena. Gostei especialmente dos dioramas representando momentos fulcrais da vida das pessoas, como as cerimónias de casamento, assim como da exposição de marionetas, que preenche por completo uma vasta sala. É um mundo de cor e fantasia que me transportou para outras paragens. Gostei.

Existem diversos salões e pátios e uma bonita vista para as águas do lago. Nada disto é perceptível a partir do exterior, algo espartano do palácio, pelo que na realidade ainda hesitei antes de visitar. Mas aconselho, sem dúvida, até porque o bilhete é muito barato. Não havia muitos visitantes. Um par de famílias indianas apenas.



 

Terminada a visita voltei ao hostel, descansei um pouco e saí para uma volta sem destino. O passeio levou-me a áreas um pouco mais afastadas do centro turístico, por ruas onde não se vêem estrangeiros de todo. Gostei imenso da experiência, de sentir o pulso de uma cidade mais real. Observei lojas e pessoas, veículos e edifícios. Fascinante.

Encontrei traços das muralhas antigas, uma área diferente do lago, esta algo poluída mas também mais genuína. Atravessei as pontes e tomei um lanche num café com esplanada sobre a água. Ainda sinto o sabor do bolo de chocolate na boca.

De volta ao hostel conversei com o amigo indiano que também andava engripado e me passou algumas recomendações de medicamentos indianos para estes males. Mesmo ao lado existia uma pequena farmácia onde me abasteci. Já se sabe que as coisas na Índia são bastante baratas, mas onde senti mais isso foi nos medicamentos. Aquilo é do tipo, vais à farmácia, compras um anti-gripe, pastilhas para a garganta, um bálsamo para aplicar no peito e mais uns pingos para o nariz entupido e quando vem a conta é algo como 2 ou 3 Euros.

Mais uns passeios pelas ruas, algumas já conhecidas, e com o aproximar do final da tarde é hora de ir para o ghat favorito, de onde se tinha visto o pôr-do-sol na véspera, que se vai repetir hoje, e de forma ainda mais espectacular.

Mais uma vez havia alguns estrangeiros, mas a maioria das pessoas são locais que vão até ali apreciar o momento. Mesmo por detrás existe um templo cuja guardiã, com quem por esta altura já tinha feito amizade, convida toda a gente para visitar apenas pelo gosto de partilhar o seu local de culto.

Nas águas do lago um pequeno barco com dois homens evolui. Lançam redes de pesca, ora se afastando ora se aproximando. O grande astro parece tocar as montanhas, lá atrás. É mais um dia passado. Vai escurecendo. Está na hora de partir, já com a saudade a formar-se.

Foram apenas dois dias em Udaipur mas as memórias parecem ser de uma semana de estadia. É uma cidade cujo centro é compacto, anda-se a pé, vai-se a todo o lado quando se quer e na realidade não tem assim muitos pontos de referência, mas vale pela harmonia do todo e vale muito.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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