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Indochina – Dia 15 – 27 de Março – Hoi An, Danang

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Hoje será altura de deixar Hoi An para trás, apanhar o comboio para sul, em direcção a Ho Chi Min, também chamada de Saigão, que passará a ser a denominação neste blog por uma questão de conveniência. Na véspera tinha combinado com as meninas da recepção a hora para o carro nos vir buscar ao hostel. Pelo menos duas horas antes, diziam elas. Mas o trajecto deve levar meia-hora e o comboio provavelmente chegará mais de uma hora atrasado! Fico o pacto firmado no consenso da hora e meia antes do tempo previsto para o comboio.

Foi assim, com cerca de três horas para nos despedirmos de Hoi An, que acordámos. Primeiro, o pequeno-almoço, tomado à beira da piscina. Nas calmas. Entretanto, lá fora, anuncia-se mais um bonito dia de céu azul e temperatura quente mas perfeitamente tolerável. Deixamos logo as mochilas à guarda das meninas da recepção, não sentindo necessidade de manter o quarto até ao último momento. Pode ser que lhes dê jeito apressar a preparação dos aposentos para próximos viajantes e a nós não nos custa nada. Pago também a conta, que inclui não só a estadia como as bebidas e refeições encomendadas, o transporte por carro de e para a estação de Danang, e o tour que fiz a My Son. Sorrio para dentro ao ver a conta e pensar como foram bons, estes dias, apesar do caso do hospital. Hoi An tratou-me bem.

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Na rua há um ambiente diferente, uma derradeira variação da atmosfera sempre mágica de Hoi An. Há uma calma que precede mais um dia pleno de intensidade. Muitas, talvez a maioria, das casas comerciais ainda se encontram de portas cerradas. Mas os bares e cafés já vão convidando os primeiros estrangeiros que palmilham aquelas ruas, com o seu charme de outros tempos, as cores pastel, as decorações de bom gosto que encorajam a entrar e passar um bocadinho a viver aquele momento que em breve será deixado para trás das costas.

Passeámos, sem pressa, olhando uma última vez tudo aquilo. Mantenho que Hoi An terá sido o local mais fotogénico que visitei até este momento da minha vida. Mesmo agora, três dias depois, e já tendo passado por aquelas ruas vezes sem conta, sinto o impulso constante de levantar a câmara e fotografar. Pavlov gostaria de ver.

Sentamo-nos numa esplanada de um pacato café, bebidas frescas em cima da mesa, tão coloridas como tudo o que envolve esta cidadezinha. Ah! Que bom. O meu chá gelado está delicioso. Agora, é esperar. Decididamente é uma manhã de descontração, e não consigo imaginar muito melhor forma de relaxar do que estar ali, bebericando aquele chá, com um livro interessante na mão.

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E finalmente chega o momento em que nos dirigimos para o hostel, passando pela última vez pela linha de lojas de alfaiate que se encontra concentrada entre a cidade antiga e a zona dos hosteis e comércio mais corriqueiro. O nosso condutor apresenta-se uns minutos depois da hora. Despedimo-nos calorosamente das meninas que tão bem nos receberam e cuidaram de nós durante estes dias e de repente estamos a caminho. Hoi An fica para trás.

O percurso até Danang é ainda mais rápido do que esperava. Passamos em frente à “China Beach”, antes de virar à esquerda, em direcção ao centro da cidade e à estação ferroviária. Chegamos. Tenho fome e vou espreitar o restaurante-café que se encontra mesmo ali, no largo da estação. Peço uma sandes de atum, um pouco a medo do que é que me vai ser apresentado, mas quando ma entregam, juntamente com uma lata de cerveja bem gelada, os receios dissipam-se. Está tão saborosa que depois, quando me apresto a sair, encomendo uma para levar, para trincar no comboio a título de jantar. Aquele restaurantezinho será uma memória que ficará. Foi um daqueles momentos estranhamente especiais, fruto de uma conjugação de factores…. o carácter genuino, verdadeiramente local, do estabelecimento…. a simpatia e boa disposição das moças que me atenderam…. o prazer que retirei daquela sandes e da lata de cerveja…. a Wi-Fi para clientes que usei para marcar a passagem por lá… a descontração, de estar ali, instalado numa cadeira, a comer com gosto e a ver o que se passava na rua…. tudo isto.

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Mesmo defronte, no centro da pequena alameda da estação, há uma locomotiva em exposição, toda de preto como é comum nas da sua geração, com uma característica estrela vermelha na fronte. Por detrás ergue-se o terminal ferroviário, de construção socialista.

Passam-se duas horas antes do comboio chegar. É o mesmo que apanhámos de Hanoi para Hue, de Hue para Danang, e agora, de Danang para Saigão. O SE3. Aproveito para deixar um link para a melhor página no que toca a informação sobre viagem ferroviária, no Vietname, e de forma geral: Seat 61.

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Chega a máquina e embarcamos sem novidade. No compartimento encontra-se uma mulher de uns 30 anos e um jovem. Começa logo a conversa, que este pessoal é curioso e gosta de practicar o inglês que têm. Ele vem da sua aldeia e dirige-se a Saigão onde está a estudar para ser polícia. A família, ou parte dela, vem também, estão noutros compartimentos, e para meu desconforto passarão o tempo a entrar e a sair deste, incluindo extensas visitas com um bébé que mais tarde chorará de forma tão enérgica que o som encherá todo o vagão. É uma viagem sem grande história. A mais desconfortável que fiz de comboio nesta expedição, pela companhia, que não era de má gente, mas era muito agitada e barulhenta. De resto, dormi normalmente.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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