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Leste 2014 – Dia 5 – 4 de Maio – Helsinquia, Tallinn

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A Estónia era uma grande incógnita. Não tinha ideia sobre o que ia encontrar. Já ouvira falar nas maravilhas de Tallinn, na sua parte antiga, como que saída de um conto de princesas e cavaleiros, mas seria sempre uma surpresa. Para ela comecei a caminhar bem cedo, quase de noite, com o despertador preparado para me acordar a tempo de apanhar o segundo metro do dia. O primeiro não, tinha-me dito o Oskarii, que é um colector de bêbados e “animais” raros, que, sem meios financeiros para se deslocarem de outra forma, aguardam pelo primeiro para ir para casa. Portanto, o segundo.

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A família em peso acordou para se despedir de mim. Até a miúda, expontaneamente, o que me deixou, digamos, comovido. E pronto, sem problemas apanhei o tal segundo metro, percorri toda a linha até à última estação, dali caminhei para o terminal de ferries, fiz o check-in, e depois, ao entrar no navio… confusão… onde é o meu lugar, onde me posso sentar…? Mas… não há lugar… é só camarotes reservados e restaurantes. Estranho. Depois percebi… nos restaurantes não se tem de encomendar nada… bom, sendo assim ocupei uma mesa, usei a interne muito manhosa do navio por um bocado, até desistir, e fiquei ali sentadinho quase a viagem toda.

Tallinn não me recebeu nada bem. Devia ter logo suspeitado que toda aquela chuva era apenas um sinal para o que se seguiria, mas em vez disso prossegui, placidamente, para a morada da minha anfitriã. Ainda foi uma boa caminhada, mas ia cheio de energia e lá cheguei. Pelo caminho, quer dizer, já bem perto, marquei visualmente uma rua repleta de pictorescas casas de madeira. Teria que ver aquilo mais tarde.

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A Gaeli recebeu-me, instalei-me, conversámos um bocado, e, enquanto o tempo lá fora melhorava, preparei-me para sair à descoberta da cidade. De facto a casa dela estava bem localizada, a uns 10 ou 15 min do centro histórico de Tallinn. Estranhamente não havia muitos turistas a cirandar por aquelas ruas. Interessante. Casas curiosas, palacetes, uma igreja ortodoxa magnífica. O centro histórico, bem lá no topo, tem um ambiente intimista, de aldeia. Depois, há um segundo nível, que é o centro histórico fora de muralhas, e ali sim, há muita confusão.

Com todo o tempo do mundo pela frente, certifiquei-me que cada recanto da cidadela tinha sido espreitado e, depois, o mesmo para o centro histórico alargado. No fim, um problema: e agora, que já vi tudo, sem ficar com especial vontade de voltar a ver, o que vou fazer nos dois dias seguintes. Uma questão menor, porque como sempre acontece nestas andanças, quando o dia é “morto”, descansa-se, escreve-se, processa-se imagens.

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Lá em cima o céu é predominantemente azul, e sinto vontade de aproveitar aquela dádiva climatérica. Passo duas vezes na praça central da cidade, onde a rapaziada dos restaurantes tenta fisgar os (poucos) turistas que ali andam. Procuro um cafezinho simpático onde me possa abancar um pouco, a ler e descansar as pernas, mas os poucos que encontro têm preços algo desagradáveis. Aliás, os preços são mais uma das muitas coisas desagradáveis em Tallinn. Uma simples cerveja num pub custa 3 a 4 Eur… hum? No way Jose! Isso nunca. Em breve terei duas semanas para disfrutar das melhores cervejas do mundo pagando pouco mais do que um Euro por canecão.

Junto ao monumento das vítimas da opressão sovitética, um grupo de americanos em formatura. Militares. Um bocado palhaçada, ofensivo mesmo. Aparentemente algum ou alguns pisaram o risco e agora há um castigo colectivo. Dois elementos estão a “encher” no solo. É um espectáculo estranho, os estónios vão passando e olhando de lado.

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A cidade é tão pequena que neste primeiro dia, para além de bater palmo por palmo do centro histórico, ainda tive tempo para me afastar um pouco. Vi o hotel Viru, que nos bons tempos soviéticos era o único onde os estrangeiros estavam autorizados a pernoitar. Por essa altura espalhou-se o rumo que o centro operacional do KGB estava estabelecido no edíficio, mas por incrível que pareça o rumor confirmou-se após a independência da Estónia. E desse piso antes ocupado pela sinistra instituição fez-se um museu.

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São estas as memórias que guardo de Tallinn. Não são grande coisa mas é o que se arranja. Aos preços junto o “toque” desagradável que sinto da maioria das pessoas. Arrogância, racismo, más caras, frieza. Que o diabo os carregue. Os estónios juntam-se aos eslovenos no pódio de povos mais antipáticos dos que já visitei. E certamente não planeio repetir.

No caminho de regresso procuro a rua com casas de madeira que tinha “marcado” à chegada. E encontro-a, e depois outra, e outra, e acho aquilo bem mais interessante que o mundo artificial de Disneilândia do centro histórico. Os edíficios têm alma e são fotogénicos. Divirto-me a observá-los, foi uma das boas recordações que trouxe de Tallinn. Imagino o passado ali… a tensão com a ocupação soviética, o carro negro do KGB que pára em frente a uma casa, e o homem que é arrastado para o exterior, a altas horas da madrugada, enfiado à força na viatura para não mais ser visto… uma ficção que se não se afastará muito de inúmeros episódios bem reais que ali terão tido lugar.

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É tempo de regressar a casa, não sem antes passar pelo hipermercado que se localiza bem perto. Já precisava de abastecimentos, que depois dos dias da Finlândia o que tinha trazido de Portugal estava esgotado. Pelo menos o custo de bens em hipermercado não é totalmente assustador, mas barato também não é.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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2 comentários

  1. David Ribeiro

    Boas! onde tiraste essa fotografia que diz “The time we had” na parede?

    Continuação de bons textos e viagens!

    • David, tentei ver no Google Earth o local exacto mas já não o consegui identificar. Assim só posso explicar na generalidade: é no centro histórico de Tallinn, lá em cima, na face Este da citadela, um pequeno recanto, uma espécie de páteo.

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