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Malta, 23 de Setembro de 2009

 

O sexto dia foi aquele em que a descompressão se torna uma exigência. Acontece sempre. Depois de uma abertura intensa, chega sempre o momento em que no decorrer de uma viagem necessito da sensação de que não vou fazer nada, de que posso simplesmente deambular ou parar, ler ou dormir, ficar em casa ou usufruir de uma esplanada. Enfim, de um pouco de normalidade artificial, de sentir que não tenho obrigações para com o “deus da viagem”.

E assim, fui simplesmente a Naxxar procurar umas “caches”. Mesmo ali ao lado de Rabat, logo, de casa. Um simples autocarro e logo estou ali, pronto a fazer uns quilómetros a pé, sem pressas. Naxxar é a última das grandes zonas urbanas que se estendem de forma radial, a partir de La Valeta. Uma surpresa em Malta, esta densidade urbana. Na realidade, as aldeias são uma raridade no país. Quase toda a população vive em cidades, que se tocam.

 



Terminada a expedição a Naxxar, regressei a Rabat, que atravessei com outros olhos, não de alguém que se dirige a casa, apressado, mas de quem procura ver. Fotografei, atentei nos pormenores. Num café central, os homens trocam impressões sobre os seus canários. Isso mesmo, canários. Parecem ser uma paixão por ali. Em cada mesa, para além dos ocupantes humanos, podem-se ver duas ou três gaiolas com pássaros. Num beco, um carro de outros tempos, mas mantido em tais condições que poderia ter saído na véspera da fábrica. Tenho que me despachar porque estão à minha espera. Hoje, toca-nos a vez de cozinhar para todos. Mas estou tão inspirado na fotografia que tenho dificuldade em apressar o passo. Sinto que poderia passar ali o resto do dia, a captar os pormenores da vida quotidiana da pacata Rabat.

 


 

Em toda a estadia em Malta, não vi uma única grande superfície comercial. É diferente daquilo a que estamos habituados, mas teremos que fazer as compras para o jantar num pequeno supermercado de bairro, com uma superfície diminuta, mas onde espantosamente encontramos tudo o que necessitamos para a ementa da noite: feijoada e tigeladas. Deve ter sido um sucesso porque a travessa se esvaziou num instante. Só as tigeladas é que ficaram meio estranhas… enfim… mas sobre esse detalhe prefiro manter o silêncio.


About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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