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O que é o Waymarking?

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O Waymarking é um jogo. Ou será um hobby? Seja o que for, pode ter grande utilidade para o viajante e será encontrado em www.waymarking.com, onde um registo é necessário para se poder usar mas é gratuito.

Explicar o que é o Waymarking? Já passei por isto umas quantas vezes e a partir de determinado momento apurei um guião que segue assim: “Estás a ver as Páginas Amarelas? Uma lista de negócios organizada por categorias? Pronto, o Waymarking é isso, só que em vez de negócios, trata de pontos de interesse”.

As waymarks são criadas pelos jogadores, e inseridas em categorias adequadas. Estas categorias são também da autoria dos jogadores, ganhando o jogo um toque democrático. Quando alguém sente que existe um tema ainda não representado e que poderá ter interesse, poderá criar um projecto de categoria e levá-lo a votos. Se obtiver uma maioria confortável, será incluida no rol de categorias existentes. Estas são já mais de mil e estão divididas por grandes temas: animais, edíficios, negócios, cultura, lazer, história, medidas (por exemplo, marcos geodésicos), monumentos, natureza, singularidades, recreio, sinais, estruturas, tecnologia e diversas. Algumas são bizarras, como a Zippy the Pinhead Locations, enquanto outras são perfeitamente expectáveis (igrejas, mesquitas, estações de comboio). Existem categorias que envolvem o jogador numa tarefa. Por exemplo, na Pictures Now and Then, há que encontrar uma foto antiga de um local, e publicá-la juntamente com uma imagem recente e a respectiva história. E há as comerciais, que nos remetem de forma mais directa para aquilo que são umas páginas amarelas (restaurantes de sushi, farmácias, livrarias, etc).

São os criadores das categorias e a equipa que formaram que têm a responsabilidade de aprovar a publicação de novas entradas. Ora isto coloca um par de problemas: o primeiro é que existem categorias com condições de aprovação bastante apertadas. O segundo é que existem categorias ao abandono; sem ninguém a geri-las de forma efectiva podem-se passar semanas ou meses até se obter uma reacção. Sobre estes problemas, dou um conselho aos iniciados: não esquecam que as injustiças que possam vir a sofrer são da responsabilidade de um ou de outro jogador e estão ligados a uma categoria específica. Se querem mandar a toalha ao tapete, façam-no apenas nessa categoria e sigam com o vosso Waymarking para a frente.

Há pessoal que leva este hobby muito a sério, enquanto para outros é um mero passatempo que lhes leva uns minutos por semana. Há até os que vão criando as waymarks para sua própria consulta posterior: os seus restaurantes favoritos, as praias onde gostam de ir, o estádio do seu clube, enfim, uma geo-referênciação pessoal.

Um dos grandes atractivos do Waymarking é o treino do poder de observação. Esta actividade estimula o apetite pela observação do mundo que nos rodeia. Um jogador experiente acaba por memorizar grande parte das mil e tal categorias existentes, e quando se move, quando viaja, quando anda pelas ruas da sua cidade, olha em redor com outros olhos. Quando visita uma igreja, repara numa série de coisas, candidatas a waymarks em categorias distintas. O cruzeiro, é uma Christian Cross; a igreja, claro, é uma Catholic Church, e pode até ter enquadramento numa categoria onde exista sobreposição (por exemplo, de igrejas medievais); há o cemitério que dá por si uma waymark; e as gárgulas. Pode haver uma campa que pela sua especificidade se enquadre também numa categoria específica, por exemplo, a de pessoas que viveram mais de 100 anos. E a casa defronte, que tem uma chaminé algarvia lindissima, mesmo a pedir para ir para a categoria Unique Chimneys. Poderia continuar, mas creio que já passei a ideia. Practicar Waymarking é absorver o mundo que nos rodeia de forma activa e didáctica. Porque depois, tiradas as imagens que precisamos para prosseguir com a nossa criação, há que fazer uma investigação mais ou menos sumária. E as coisas que já aprendi a criar waymarks! Aspectos curiosos sobre locais tantas vezes visitados, histórias menos conhecidos, detalhes quase secretos.

Do ponto de vista do viajante o Waymarking pode servir de formas diversas: criando-se pontos está-se a ver com outros olhos, a aprender de forma proactiva, a partilhar com outros o que se descobre. Mas quem não quer usar tempo nessas tarefas pode simplesmente consultar o website e ver se existem pontos criados na zona que vai percorrer. Às vezes encontram-se coisas fantásticas que nunca se revelariam sem esta preciosa ajuda.

Convém ter um GPS ou um smartphone, mas se não estiver assim equipado, pode tomar notas e orientar-se através de um simples mapa.

Nota: o nome de utilizador do Cruzamundos no Waymarking é Torgut. Com uns milhares destes pontos já criados.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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