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Paris – Outubro 2014 – Dia 1

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Quilómetros nas solas: 18 Km

Rombo no orçamento:
3,25 Eur Lockers
2,80 Metro
9,00 Supermercado

Locais Turisticos: Arco do Triunfo; Campos Eliseus; Gare de Lyon; Bastilha; Canal Saint Martin; Passeio pelo Marais (Igreja St. Paul et St. Louis, Hôtel de Sully, Places de Vosges, Casa Victor Hugo, Museu Carnavalet), Casa Europeia da Fotografia.

O dia começa incrivelmente cedo. O despertador toca às 5:00. Acordar!! Vestir, pequeno-almoço reforçado, sair. Claro está, é noite cerrada. Conduzir até ao aeroporto de Faro. Não há lugar para o deixar na zona da estação de serviço, lá terá que ser a pagantes. Passa-se no controle de segurança do aeroporto, que hoje deixa uma pobre imagem: na fila do lado uma senhora pergunta se é preciso tirar o tablet do saco… não é… na nossa fila, a mesma questão…. é preciso. Mas como oficialmente ninguém me disse, não sei de nada, retiro apenas o computador. Também não importa, porque mesmo que tivesse decidido fazer-me  acompanhar por uma arma de guerra, o funcionário que deveria visualizar o coenteúdo das malas está muito mais interessado em discutir com um agente da PSP quem foi o campeão nacional de futebol de há sete anos (ou algo assim). A sério, não sei se passou os olhos pela imagem da minha mochila, mas garanto que a que veio a seguir não teve uma fracção de segundo de atenção. Por essa altura exclamava: “Ò Martins [nome fictício]… espera ai o Martins deve saber… Ò Martins… olha lá, o Boavista…. “. E mais não ouvi porque comecer a caminhar para a porta de embarque.

Isto estava a ficar jeitoso. Depois da cena com a segurança, passamos o controle de cartões de embarque, toca a descer e… tudo em fila. Passam-se cinco minutos… passam-se dez minutos. São 6:30 e o avião deveria partir às 6:40. E é agora que chega a tripulação. Mais uns dez minutos na formatura, toda a gente… e não bufa, que suas excelências abrem o estaminé quando lhes apetece.

À minha frente um casal talvez de origem árabe leva três crianças, barulhentas. Atrás, uma pequena familia traz mais um menino, tão ou mais barulhento. Nos bons tempos em que cada um se sentava onde lhe aprouvesse isto não seria razão de preocupação. Onde eles se sentassem não ficava eu. Mas como isso são épocas passadas, para gáudio dos passageiros mais inexperientes ou mais ingénguos, foi mesmoa assim que ficámos. Uns à frente, eu no meio, e outros atrás. E para fechar com chave de ouro, ao lado, um tipo com um hálito tão “agressivo” que mesmo sem falar e a respirar para a frente vinham umas ondas que me convençeram a enrolar a cabeça no lenço… para dormir melhor, claro.

E com isto se passou o tempo. Acho que dormitei um pouco, com dificuldade, porque as cadeiras são mesmo muito desconfortáveis. Chegados a Beauvais, entrar no autocarro – esse sim, agradável, com assentos de qualidade e uma temperatura bem ajustada e seguir logo para Paris. Os bilhetes tinham sido comprados com antecedeência, online, e custaram 15,90 Eur para cada lado. Cerca de uma hora e desembarcávamos na porta Maillot. Até agora, tudo mal. A aproximação à cidade foi deprimente. O que se vai vendo pela janela é triste… lixo, edíficios feios, gente miserável. Saio do autocarro e pouso a mochila… numa poça de urina de tamanho industrial. Vai de mal a pior.

A pé até ao Arco do Triunfo que é aqui perto. Há um pouco de azul no céu. Será o melhor que tenho para quase todo o dia. O que dizer do Arco do Triunfo? É um arco monumental, construido para celebrar as vitórias militares de França, usado pelo ocupante alemão para humilhar a nação em 1940. Consegui uma boa fotografia do monumento, sem carros. A avenida dos campos Elísios é mesmo ali defronte mas para ser honesto, parece-me uma avenida como qualquer uma e não vou gastar tempo ou energia. O metro é mesmo ali, e nele vamos até à Gare de Lyon onde deixamos as mochilas para o resto da tarde. Os bilhetes custam 13,70 Eur por uma colecção de dez. Quanto aos cacifos, 7,50 Eur por um que dá para duas mochilas.

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E pronto, leves, prontos para vaguear um pouco. Primeira paragem em direcção ao bairro de Marais é na rua de Crémieux, uma referência que tinha retirado de um artigo sobre recantos escondidos de Paris. De facto é uma rua interessante, muito própria, com alguma cor numa cidade que até ao momento se tem mostrado monocromática. O céu escuro não ajuda, claro, e mesmo esta pictoresca via fica a perder com a ausência de luz do sol e de algum azul lá em cima. Faz lembrar as “villas” de Lisboa, como a Bertha, à Graça.

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Seguimos para a Bastilha, nome de famosa fortaleza, local grande da revolução de 1789, a famosa, a que determinou o primeiro Estado sem um rei à cabeça na Europa. Mas hoje não há traços dela. Uma coluna majestosa encontra-se no centro de uma rotunda e o resto terá que ficar à conta da imaginação de cada um. E entramos no Marais, um bairro criado a partir de um pântano, com o primeiro impulso dado pelos Cavaleiros Templários, que aqui tiveram o seu quartel-general até ao rei de França se aperceber que afinal os cavaleiros detinham mais riqueza que a Coroa. Péssima ideia. Foram extintos, perseguidos e assassinados. E no Marais não deixaram traço para além de alguma onomástica sem significado por quem hoje cruza o bairro.

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Seguimos um percurso pedestre de um livro sobre Paris. Um método que não é bem o meu género, mas quis experimentar, achei que as condições se adequavam. Não sei se fiz bem mas lá fomos. Primeira paragem no hôtel de Sully. Bonito, mas com o tecto nublado perde muito. Deste palacete para a praça de Vosges, central nevrálgica do bairro, modelo para a famosa Convent Garden londrina, já habitada pela nata da sociedade parisiense, depois, nem tanto. Hoje, como tudo o que fica no centro, é habitação de luxo, mas talvez no passado os nomes notáveis se tenham aqui concentrado de outra forma: Cardeal Richelieu, Victor Hugo (a sua residência é hoje um pequeno museu de entrada gratuita), Gautier.

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Passamos para o museu de Carnavalet, uma excelente aposta para quem gosta deste tipo de espaços. A coleção é interessante, a visita à exposição permanente é gratuita e a visita ao palácio vale por si o tempo gasto.

Mais ruas de Marais percorridas. Esperava outra coisa. Tinha lido sobre um bairro que mantinha uma auréola medieval, intocada pela renovação urbanística do barão Haussman (meados do século XIX), mas vi apenas mais uma área de Paris.

Faziam-se horas de regressar à gare de Lyon, recolher as bagagens e ir para casa. Que casa? Do nosso anfitrião que não é bem um anfitrião porque não estará lá. As chaves estão com o vizinho. Corre tudo bem. Chegamos, o Stephane abre-nos a porta, passa-me o molho de chaves e pronto. Depois, saimos para o supermercado. Quando regressamos é que as coisas se complicam. Com as chaves no bolso não me ocorreu que fosse ainda preciso o código secreto de acesso ao prédio. E era. Ooops! Tinha isto no meu moleskine e numa folha impressa. Ambos agora dentro de casa, e nós, fora. Tentar redes wi-fi abertas para ir online sacar o código. Nada. Esperar um pouco, poderia chegar um vizinho. Nada. Tentar tocar uma campanhia em casa do vizinho. Nada. Mesmo o roaming, caro, não estava a funcionar, mas lá acertei com os procedimentos necessários e entrei na minha conta de mail. Pronto. Click. Abre-se a porta. Alivio. E de seguida, um belo jantar, sumptuoso para quem está desde as 6 da manhã com um pacote de bolachas torrada: leite, sandes de queijo e rúcula com um pouco de tomate.

É estranho, estar assim com a casa por conta. Sossego, muito cansaço. Não há energia para quase nada. Às onze já durmo.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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