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América Latina 2016 – Dia 25 – Suchitoto

Segundo dia em Suchitoto. Aqui não é fácil ter acesso à Internet. O local onde estava a ficar não a tinha, até porque aquela era uma situação curiosa que apurei com o meu anfitrião: ela era o dono do principal hostel de Suchitoto e contou-me que a casa onde eu me alojava tinha sido comprada por um norte-americano e ele estava encarregue de a recuperar… e até estar o processo concluído, para rentabilizar, estava assim, para pessoas como eu ficarem alojadas. A mim pareceu-me bem. E isto para dizer que quando queria Internet, só tinha que ir ao tal hostel, a uns 400 metros, e servia-me por lá.

Entretanto aproveitei os conselhos do americano sobre a melhor forma de chegar a Santa Ana. Tal como tinha lido, existia todos os dias um autocarro diário de Suchitoto para lá, mas ele não recomendava. É que por vezes a máquina avariava e quando isso acontecia era cada um por si e isso era uma coisa que eu não queria que me acontecesse. Segundo ele. Na altura dei-lhe ouvidos, mas agora que a situação passou, acho que devia ter ido. Tenho a certeza que não ia ficar a dormir na rua, até porque falo a língua das pessoas por lá. E seria uma experiência mais agradável do que a que vivi no dia seguinte (hey, não se passou nada, mas foi “boring””).

De manhã decidi visitar San Juan, mesmo ali em baixo, o porto de Suchitoto estabelecido na margem do lago Suchitlán. Apesar de ser muito próximo, a estrada é apertada e sinuoso e como sabia que havia autocarros a ligar a aldeia a este local, fui ao centro e logo me meti dentro de uma viatura “infernal”, cheia de gente e de alegria. Era fim-de-semana e os locais adoram ir até à beira da água. Alguns vão para um passeio de barco mas a maioria simplesmente vai arejar, ver outras pessoas, fazer piqueniques, enfim, é uma festa pegada (ver video que deixo no fim desta publicação).

A viagem dura apenas algumas minutos. Aquilo é quase como o ascensor da Glória, um vai e vem para vencer a inclinação da montanha. Lá em baixo as pessoas escoam-se rapidamente em determinada direcção e sigo-as. Até dá a impressão que vai ter que se pagar bilhete, porque se entra num recinto, mas não, é só ir andando.

O Porto San Juan é uma espécie de parque lúdico, com uma fileira de tascas e cafés e lojas de recordações, um parque de estacionamento, um jardim com árvores e muito apreciadas sombras. Há um pontão com embarcações para passeios turísticos e uma série de barcos acumulados no meio do que penso ser um lençol de jacintos de água. No fundo não há muito que fazer aqui, é mais absorver o ambiente, sentir a brisa fresca que sopra das entranhas do lago.

Sou abordado várias vezes pelos comerciais que vendem os passeios, mal eles sabem que o que têm para servir não é mesmo para o meu paladar. Provavelmente nem gratuitamente iria. Já a pequena barca carregada com 3 ou 4 carros e uma série de gente que chega ao pontão principal me atrai mais. Fui investigar. É patrocinada por um restaurante que se encontra numa ilha relativamente distante e o preço do bilhete é verdadeiramente simbólico. Chegou, descarregou e vai voltar. Converso com um dos tripulantes, que me diz a que horas partem de novo.

Fico a pensar e a remoer. Não fui e se calhar arrependi-me. A decisão acabou por pender assim porque a água do lado estava muito revolta, devido ao forte vento. Acho que ia levar uma bela “massagem” e preferi não arriscar.

Quedei-me por ali apenas a observar, sentado como toda a gente num cantinho à sombra, e quando senti que nada mais havia para ver, preparei-me para ir embora, não sem antes petiscar qualquer coisa numa das tascas à saída.

Esperar pela “máquina infernal”, que para cima vai completamente vazia. E agora é dedicar-me à doce arte de não fazer nada. Andar por ali por Suchitoto apenas a vaguear, voltar a caminhar pelas suas ruas adormecidas, ver o azul profundo das águas do lago desde cá de cima.

Passei ao pé da Policia de Turismo e entrei para perguntar se ia haver passeio às quedas de água de Los Tercios. A cascata é muito próxima, pode-se até ir a pé, mas os assaltos no trajecto são comuns e então a polícia, imagine-se, organiza passeios gratuitos nas suas próprias viaturas, para garantir o bem-estar e segurança dos estrangeiros (e imagino que locais também) que podem assim ver a bonita queda de água, que se distingue pela parede formada de blocos basálticos hexagonais, como que empilhados uns em cima dos outros e alinhados lado a lado. Fica a informação: o caudal só é garantido de Maio a Novembro.

Bem, a Polícia naquele dia não estava para aí virada, mas a simpatia e a beleza da agente que me atendeu valeram tudo. Explicou-me que nesse dia não era possível porque não tinham meios suficientes. Nem pessoal. Eu imagino que fosse por ser Domingo. Além disso, não havia mais ninguém interessado. Que voltasse lá mais tarde a saber se tinham aparecido mais pessoas e nesse caso iam fazer uma força e ver o que se podia arranjar. E para o dia seguinte, pergunta-me ela, não daria? Por essa altura já eu ia estar em Santa Ana. Paciência.  Passei por lá mais tarde e continuava a ser o único interessado no passeio.

O resto do dia foi mesmo de preguiça. Olhei mil vezes para o recanto daquela casa onde fui tão feliz, mesmo que num espaço de tempo tão curto. Deixo aqui mais umas imagens, com pena de não poder recomendar o espaço a outros viajantes. Era um hostel temporário.

 

E já agora, apesar do texto se ter esgotado, duas imagens deste dia que ficaram esquecidas:

 

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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