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América Latina 2016 – Dia 35 – Cópan Ruinas

Acordei pronto a visitar o meu primeiro local arqueológico de culturas pré-colombianas. Afinal de contas é por isso que Cópan Ruinas faz sentido. Aliás, o nome diz tudo, Ruinas de ruínas maias, diferente de Cópan, outra povoação hondurenha da região.

Lá atravessei a deliciosa localidade, sempre cheia de vida local, sempre pitoresca, sempre um verdadeiro postal da característica América Latina. Comprei uns bolos ao meu amigo velhote, não comprei fruta às vendedeiras que se encontravam na praça principal, porque os preços eram altos demais, e seguir caminho, saindo da aldeia do outro lado, fazendo os cerca de 2 km até à entrada do complexo arqueológico.

Paguei os USD 15 do bilhete – considerado caro, e não sou eu que o digo, sim, já sei, sou forreta, mas é mesmo puxado considerando as dimensões do local e comparando com outros sítios arqueológicos do país – e entrei. Estava pouca gente. O céu estava cinzentão, ameaçava uma chuva que felizmente não chegou.

Depois de caminhar um bocado encontrei um terreiro onde havia fabulosos papagaios coloridos, que apesar de viverem em estado “selvagem” estavam bastante habituados às pessoas e permitiam uma aproximação a apenas alguns centímetros. Para melhorar, havia atrevidos esquilos que tentavam roubar a comida das aves, deixada em comedouros pelas autoridades do parque arqueológico.

E logo à frente mostro o bilhete para entrar no complexo. Há um primeiro espaço, amplo, com grandes ruínas e sobretudo estelas. São precisamente estas estelas que distnguem Cópan Ruinas de outros locais em tudo mais espectaculares. Aqui há uma imensa concentração destes blocos de pedra ricamente trabalhados e há uma sensação de arrepio ao pensar que as mãos que marcaram assim a pedra viveram há tanto tempo e num mundo tão diferente do nosso.

Exploro as ruínas, o que é interessante, mas não me posso enganar: nunca vibrarei muito com vestígios arqueológicos, não é algo que me entusiasme. Já há uns bons anos atrás, quando frequentava o curso de História, me enfastiava com arqueologia e nada mudou.

Vejo mais uns edifícios de porte considerável e encontro um trilho que se interna pela selva. Está devidamente marcado, é curto, apenas algumas centenas de metros, mas foi o que mais gostei do Parque.  Este trilho tinha “estações”, marcadas por painéis, ilustrados e com frases explicativas do estilo de vida dos Maias que ali viveram. O silêncio é total, só se ouvem as folhas das árvores que se movimenta com a suave aragem. Posso imaginar sem dificuldades que estou naqueles outros tempos, de adoração aos jaguares e ao sol, de sólidas pirâmides como templos. Quase vejo um maia vir por aquele trilho da minha direcção.

Uma das estações é junto a uma ampla árvore, daquelas cujos troncos não conseguem ser abraçados nem por duas pessoas de mãos dadas. Havia um velho banquinho de madeira ali colocado e foi ali que descansei, bem e bastante, até ficar com frio.

Gostei de ver os campos de futebol maias. Sim, é verdade, os maias praticavam um desporto que pode ser definido como um antepassado do moderno futebol, onde suspeito não existissem cartões amarelos ou encarnados. E os recintos do jogo resistiram bastante bem ao tempo.

Não demorei muito tempo a visitar o complexo. Mais para a frente havia outra área, que se acedia caminhando uns quilómetros pela estrada abaixo. Fui lá, não me arrependi, estava em modo de caminhada e soube-me bem estender um pouco mais as pernas, mas não há mesmo nada de especial para ver por lá.

E pronto, foi assim a minha viagem ao sítio classificado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. É um dos dois existentes nas Honduras, e o outro é apenas de Natureza. Se quiserem aprender um pouco mais sobre o local, veja o artigo sobre Cópan Ruinas na Wikitravel.

De volta a aldeia para percorrer as poucas ruas onde ainda não tinha passado e observar. Isso é mesmo o melhor que há para fazer aqui: ver. As pickups cheias de gente na caixa aberta, as moto 4 que devem ser o luxo supremo e dar um jeitão neste contexto, os homens vestidos à vaqueiro, os cavaleiros que passam montados. Nas ruas as pessoas vendem os seus produtos, que estendem em panos no chão. Há uma família que vende cocos empilhados na traseira de uma pickup.

Fui tomar uma refeição a uma tasca de aspecto agradável, umas portas ao lado de onde tinha encontrado o meu amigo condutor na véspera. Serviço simpático. Encomendei o meu prato, e estava tranquilamente à espera, quando recebo um telefonema… assuntos de trabalho que precisam de atenção imediata. Mas mesmo imediata. Que inoportuno! Explico à senhora que tenho que ir ao hotel de emergência, peço desculpa, prometo que já regresso para comer. E lá vou, a galope.

Sento-me na cama do beliche, saco do computador, resolvo o problema – felizmente num instantinho – e regresso. Ela já não me esperava. Deve ter assumido que era uma desculpa qualquer, mas eu queria mesmo aquela refeição. E que bem que me soube!

Quando regresso ao hostel converso com a proprietária. Preciso de saber a melhor forma de chegar a Flores, na Guatemala, no dia seguinte. Ela garante-me que há um autocarro directo para lá desde a fronteira. Como verei no dia seguinte, a informação não é a melhor, mas para já é por ela que terei que me guiar. Fica tudo pronto, acordar cedo, esperar por transporte para a fronteira no largo em frente ao hostel e depois logo se veria.

 

 

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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