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Ásia 2017 – Dia 35 – Bagan

A cidade antiga de Bagan, esse espaço de templos a perder de vista, é talvez o local mais icónico de Myanmar, a grande referência turística no país. Há quem compare a zona à de Angkor, no Cambodja, e os passeios de balão ao pôr-do-sol são míticos.

É ali que estou e há que visitar. Para o fazer o turista tem algumas hipóteses: alguns alugam um carro com condutor, enquanto outros percorrem a zona de bicicleta. Tradicionalmente a melhor solução era alugar uma charrete, mas nos últimos tempos a solução mais popular tem sido as motas eléctricas, que se encontram por todo o lado e que de facto, para quem não se opõe à deslocação em duas rodas, são excelentes, oferecendo autonomia ao viajante a um preço muito baixo.

No meu caso, contudo, veículos de duas rodas são uma negativa. Andar seria demasiado pesado, com o calor da Birmânia, ao longo de todo o dia. Assim, alugámos uma charrete, com condutor, o que foi uma boa ideia. É verdade que é um veículo lento, mas qual é a pressa… daria em maluco se passasse o dia a ver estupas e monumentos a ritmo elevado. Feito o balanço, encerrada a jornada, achei-a bem equilibrada. O custo foi de 25.000, cerca de 18 Eur, e com o condutor escolhido pelo hotel fiquei muito bem servido, um rapaz honesto, prestável, simpático, descomplicado… cujo contacto darei mais abaixo, para os potenciais interessados.

Portanto, à hora combinada lá estava ele, à porta do hotel. Partimos o dia em duas partes. Temos direito a oito horas, e fizemos parte das visitas pela manhã, sem grandes madrugadas, e a segunda metade ficou para a tarde, de forma a incluir o pôr-do-sol e a partir desse momento, o regresso.

Eram 8:30 quando se iniciou o passeio. O trote era lento, deixou-me ligeiramente apreensivo. Mas o condutor soube preencher o espaço, encontrando alguns monumentos interessantes durante o caminho em vez de se dirigir directamente para os pontos principais. Esqueci-me de dizer: o cliente pode fazer o seu próprio plano, mas preferi deixar as coisas à consideração do condutor, e não me arrependi… não precisei de me preocupar com nada, foi só “curtir” o passeio.

Agora não há muito como encher esta narrativa. Até ao meio-dia e meio foi parar aqui e acolá, entrar em monumentos, ver Budas, ver pessoas, ver outros estrangeiros, comer pó, balançar ao sabor da passada ritmada do cavalo.

O dia estava como todos os outros da Birmânia: de temperatura elevada e cheio de sol, com alguma névoa de calor. Deu para perceber que, em se querendo, é fintar o ponto de venda de bilhetes porque para visitar os monumentos apenas num, cujo condutor me indicou previamente, me foi pedido o bilhete.

Parámos para almoçar na roulotte da véspera, onde fomos recebidos calorosamente, como velhos clientes. Comi uma bela sandes empurrada por um bom sumo de fruta e depois foi preguiçar. Caminhei um pouco ainda, visitei uns quantos monumentos ali por perto, que até não eram nada desinteressantes. E depois encontrei uma sombra num muro, instalei-me, deitei-me de costas, a relaxar, tranquilo.



Eventualmente chegou o “caretaker” daquele templo, que não perturbou a calma instítuida, juntando-se a ela. Ficou ali, a poucos metros de mim, a fazer o mesmo que eu: nada. Eventualmente aproximou-se a hora de reatar o passeio. Encomendei-lhe um côco, que estava óptimo, com imenso sumo e relativamente fresco. E fui para o ponto de encontro para mais umas horas de monumentos.

Na realidade já tinhamos a nossa conta. Visitámos um ou dois, e depois pedi ao condutor para se dirigir para um específico, que tinha referenciado como uma boa opção para o pôr-de-sol. A ideia era marcá-lo para regressar mais tarde, mas o condutor torceu o nariz, fez-se esquisito, sugeriu que já que era para ser ali, o melhor era ficar já por lá… ainda faltavam umas duas horas, achei estranho, mas na realidade não me pareceu mal.

Acabámos por ir a pé a um grande monumento que se via ao longe, o GPS dizia que era 1 km para cada lado, o condutor dizia que era muito longe para nos levar lá, mas não era… foi um bom passeio, especialmente porque a temperatura estava em queda, como sempre senti na Birmânia o fim do dia anunciava-se com uma boa distância de tempo e estava mesmo muito bom para caminhar.

O templo em si foi fraquito. Sim, era diferente, como que um convento. Mas os acessos aos visitantes eram limitados e acabámos por sair rapidamente. No regresso passámos pela senhora de scooter que já nos tinha cumprimentado com um enorme sorriso desdentado e por dois rebanhos de cabras. Foi um momento agradável. Mas logo descobri que o “meu” monumento era afinal um muito popular ponto de observação do pôr-do-sol. Certamente vem referenciado em algum website ou isso, porque considerando a sua localização – bem longe dos percursos mais conhecidos – ninguém o diria.

Bem, em suma, viu-se o tal pôr-de-sol que mais uma vez não me deixou especialmente impressionado. Aquilo estava cheio de gente, é uma magia que se perde, mas pronto, sem crise. Depois foi regressar, à conversa com o condutor, que após um longo caminho nos deixou à porta do hotel.

Seguiu-se um pequeno exercício de paciência para levantar dinheiro e um belo jantar que acabou por não ser tão belo assim, quando acordei pouco depois de adormecer com sinais de intoxicação alimentar. Enfim, foi bom enquanto o arroz frito com ananás se manteve no estômago.

 


 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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