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Balcãs ’11 – Dia 14 – Shkoder e Kruja

12 de Outubro

E ao décimo quarto, veio o primeiro mau dia. Não tinha dito tempo, com o plano a atrasar-se desde aquele fim-de-semana chuvoso em Lushnje, mas continuava com Kruja em mente. Foi a partir daqui que Skanderbeg, o herói nacional albanês, celebrado também no Kosovo, baseou as suas operações contra o invasor turco. Dizem os albaneses, secundados por vários historiadores independentes, que essa resistência sugou a energia ao Império Otomano, detendo o seu avanço na Europa e mudando o destino da Cristandade. Seja como for, o herói acabou por perecer… ficou o seu castelo, que hoje mais não é que uma ruína. E portanto, sendo um passeio recomendado por todos os guias turísticos como imperdível, não o quis, lá está, perder. É certo que a coisa se faz bem é a partir de Tirana, é um saltinho, e há imensos furgões para lá. Já de Shkoder a coisa é mais complicada. Mais longe e sem transporte directo. Tenho que apanhar um qualquer autocarro para Tirana, descer em Lushe Kruja, regatear um transporte até lá acima, que o castelo e a aldeia que se desenvolveu em seu redor estão a certa altitude, e ter a certeza que vou ser enganado de novo.


E foi ao chegar a Kruja que compreendi o logro. Atenção, isto é muito importante: se está a planear visitar a Albânia, é fugir de Kruja. O local é o exemplo acabado de uma “tourist trap”. Não há lá quase nada para ver que seja genuino, a não ser os turistas. Depois de 8 dias na Albânia, vi mais turistas em Kruja em cerca de 10 minutos. A aldeia cresceu mal, como um corcunda, sem correcção possível, toda torta. Conseguiu-se a aberração de iniciar a construção de umas horrorosas torres no coração da localidade. Imaginem ver o esqueleto de três ou quatro torres de uns 15 andares no centro da vila de Sintra, para terem uma ideia do que para ali fui encontrar. Depois, o tão badalado e supostamente interessante bazar, é uma reconstrução artificial do mercado turco, só que nem uma só loja é algo mais do que um posto de venda de artigos para turistas. Repugnante. Subi ao castelo num instante, para descobrir mais aberrações, e de tudo, salvou-se uma torre. Triste comédia da realidade, porque de facto é mesmo só aquela torre que resta do castelo original.


Tinha previsto passar a tarde em Kruja, mas antes do meio-dia já estava à procura de transporte para baixo. Em Lushe-Kruja, vi passar o autocarro para Shkoder quando ia a chegar e esperei uma hora pelo próximo, sujeito às apitadelas constantes e à emissão assassina de gases poluentes por todos aqueles carros que há muito deviam estar reformados. E tudo isto porque cismei que não havia de apanhar um furgão.

Uma vez em Shkoder, fiquei por casa, e ao serão jantámos em conjunto, uma massazita confecionada pelo Terry, que caiu bastante bem.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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Um comentário

  1. Estou a adorar seguir a sua viagem pelos Balcãs!
    Tirando os principais pontos, estou a “conhecer” locais lindíssimos, que me eram totalmente desconhecidos.
    Fotos lindíssimas e uma escrita muito própria. Melhor que a de muitos papaléguas-viajantes-escritores-famosos….
    Já pensou em seguir essa vida? Tem muito jeito!

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