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Balcãs 2010. Dia 12. Koprivisthitsa e Ivan Vazovo.

De manhã, saída em direcção a Koprivishtitsa, com paragem para tomar como pequeno almoço um boião de yogurte de búfalo feito no local. A paisagem búlgara ergue-se imponente, com uma cadeia de montanhas por detrás de Karlovo, que depois nos acompanham pela direita até virarmos para o último troço. Do lado esquerdo, mais planura, com algumas colinas.

Koprivishtitsa é uma das aldeias mais bonitas do mundo. Foi aqui que em 1876 desabou o mundo, quando rebentou uma revolta contra o jugo turco. A coisa vinha sendo cuidadosamente preparada mas quis o acaso que os conspiradores tivessem que antecipar o início da luta, o que apanhou o movimento desprevenido, e, eventualmente, condenou à partida a intentona. As represálias que se seguiram foram tão violentas que acabaram por funcionar a favor dos búlgaros: as grandes potências europeias, até então favoráveis ao império Otomano, não conseguiram resistir ao impacto que a violência turca teve sobre as suas opiniões públicas, e acabaram por permitir a intervenção russa, que culminou na criação do estado da Bulgária.

 

Hoje, Koprivishtitsa está feita aldeia-museu. E merecidamente. As ruas calcetadas escondem uma casa de sonho a cada esquina. As moradias dos notáveis que participaram na revolta foram transformadas em pequenos museus, que se podem visitar mediante o pagamento de uma quantia simbólica. A madeira é omnipresente na arquitectura local, com muitos dos edíficios a manter a traça revivalista que caracterizava o estilo de construção em meados do século XIX.

O Atanas é daquelas pessoas que trava conhecimentos e mete conversa em todo o lado onde vai. E o seu charme poderoso franqueou-nos as portas de três das casas museu, sem pagar um cêntimo. Na última, a senhora responsável pelo local serviu-nos mesmo de cicerone, explicando-nos detalhadamente as colecções.

Quando chegámos, pensei para com os meus botões que já que trazia a trouxa completa no carro, ficaria ali mesmo a passar a noite porque queria apreciar devidamente cada detalhe desta aldeia maravilhosa. Se tal tivesse acontecido, não me enfastiaria, mas acabei por regressar com o Atanas, e assim também ficou bem, porque acabámos mesmo por percorrer um número razoável de ruas, fomos aos locais mais significativos, e ficou-se pela conta certa.

Em Koprivishtitsa ainda se sente o cheiro da comunida agrícola tradicional. O turismo tem trazido muita dinâmica à economia local, a recuperar de uma decadência que fez a população recuar para menos de metade do que era à data da revolta. Mas a exploração dos campos ainda tem um papel preponderante na estratificação sócio-económica daquela população. Nos campos da orla da aldeia vêem-se belos cavalos a pastar livremente, e aqui e acolá é visível maquinaria agrícola.

Explorada a aldeia, e já a meio da tarde, a fome começava a apertar. Onde comer, era a questão. Não por muito tempo. Vinha a passar um carro da polícia, prontamente parado pelo meu anfitrião…. para perguntar onde se comia melhor por um preço justo. Parece que em todo o lado a comida era deliciosa e barata, foi sumariamente a resposta com um sorriso. E assim entrámos no primeiro estaminé que encontrámos. O agente da autoridade estava certo. Tudo estava delicioso. Mas mesmo delicioso. E quanto ao preço, vejamos… considerando que estavamos na praça central de uma localidade altamente turística… um pão “chato” tradicional, deliciosamente coberto de especiarias e uma discreta película de manteiga; um copo de bebida salgada à base de yogurte; uma prato de pimentos recheados com carne picada e outras iguarias (ainda por cima, eu, que andava a tentar experimentar esta especialidade búlgara desde que cheguei, fui brindado com esta opção como prato do dia… super sorte!); quanto a sobremesa, como é coisa que não tenho comido, fui logo a duas: maravilhosa porção de “baklava” e uma dose de pudim de caramelo. Ambos divinais. E quanto paguei por isto: ah! Coisa para 6 Eur, já com gorjeta.

Em suma, apesar de algumas “bocas” de elementos radicais, que consideram Koprivishtitsa demasiado estragada pelo turismo e com preços inflacionados, é um local que considero essencial em qualquer visita à Bulgária, até porque pode ser visitado num dia a partir de qualquer uma das grandes cidades. E nem consigo concordar com as críticas, seja como for. É simplesmente imperdível. Não me lembro de ter tirado tantas fotografias num só dia como hoje. E esta inspiração significa alguma coisa.

Antes de regressar a casa, uma paragem em Karlovo para duas caches, uma delas fabulosa, a fechar o dia da melhor forma. Foi subir montanha acima por um trilho minúsculo, 500 m com grande inclinação, premiados com uma vista deslumbrante e um achamento fácil. A aventura maior desta estadia.

Ao serão, o cansaço não permitiu mais que umas partidas de backgamon e xadrez, bem acompanhadas do omnipresente chá com mel. E assim foi a última noite neste local.

Tabela de Despesas:

20,00 Eur Gasolina
02,50 Eur Yougurte de búfalo
07,50 Eur Almoço
01,25 Eur Pão de queijo

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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