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Bratislava. 20 de Setembro. Dia 1.

 

 

Primeiro dia completo de Bratislava, depois de uma noite de descanso bem dormida e, diga-se de passagem, completamente merecida. Quando acordo, a casa está vazia. Os meus anfitriões já sairam para trabalhar. São quase nove horas. Depois de um pequeno almoço sumário e da preparação da mochila, parto também para a rua. Percorro algumas avenidas sem uma ordem definida. Sinto que me aproximo do centro, depois de passar por zonas tristonhas, cinzentas, deprimentes, apesar do dia solarengo que ilumina a cidade. De caminho passo pelo enorme edíficio que domina Bratislava e por uma enorme fonte, em estado de degradação declarado. Por fim, chega-me novo ânimo quando entro no jardim do palácio presidencial. É a primeira nota positiva da manhã. Ali, tudo está cuidado, e algumas mães conversam, enquanto os filhos cirandam nas seus pequenos desvarios. Atravesso o espaço, saio pela porta oposta e vou ter à parte da frente do edíficio. Belo. E apercebo-me subitamente que tenho o privilégio de assistir ao render da guarda. Sozinho, sem mais turistas, enquanto os habitantes da cidade passam por trás de mim indiferentes ao cerimonial conduzido por um garboso oficial. De resto, toda aquela praça é fotogénica, e faço trabalhar exaustivamente a Nikon. No centro, queda-se outra fonte, um pouco mais limpa que a anterior, e que jorrará água quando já me preparo para abandonar a praça. Entretanto tento obter acesso à Internet, com resultados pouco satisfatórios: as redes abertas em que entro têm um sinal muito fraco, que se some por completo ao fim de pouco tempo, e apenas permitem a utilização de web.

Deixando para trás o palácio presidencial, interno-me na zona mais antiga de Bratislava, e a presença crescente de turistas faz-me crer que me aproximo da praça central. As ruas que a circundam são belas, repletas de pequenos detalhes e de becos e arcos practicamente vazios. É contudo uma “baixa” de reduzidas dimensões, afinal, à escala da sua cidade. Passo um par de horas a percorrer aquelas vias, acercando-me vezes sem conta dos mesmos locais. Procuro um local aprazível para a refeição da tarde. Reparo que os preços, apesar de me encontrar na zona mais turística de entre todas, são mesmo assim acessiveis. Pode-se tomar uma refeição completa por pouco menos de dez euros. Acabo por escolher um estabelecimento de cara triste, de quem é esquecido por todos, encostado à embaixada da Dinamarca, já na aproximação à ponte nova. Ali, tomo uma bem confecionada salada grega, acompanhada de uma garrafa de água, num almoço cujo meu paladar recordará com saudade. Por seis euros.


Antes de subir ao castelo, visito ainda uma imponente igreja que se encontra mesmo ali à frente. Acedo ao baluarte por uma das vias mais discretas, através de um pequeno jardim com uma curiosa escultura. Não se vê vivalma. Os turistas, esses, seguem escrupulosamente as placas que desde a cidade velha vão indicando a via do “hrad”. Mas algo me interrompe o passeio: até então tenho estado atento ao passar das horas no relógio do meu PDA. Apercebo-me subitamente que me esqueci de ajustar esse à hora local, e são já quatro horas. Por esta altura devia estar em casa para jantar com o meu anfitrião. Aflito, lanço mão do telemóvel, apenas para me aperceber que por alguma razão não consigo enviar mensagens nem fazer chamadas. Inicio o caminho de volta, parando na praça principal para, ligado à Net, tentar perceber o que se passa. Afinal, é mesmo ausência de roaming na Eslováquia. Que rico serviço! No que toca a telemóvel, estarei incontactável nos próximos seis dias.


Quando chego ao apartamento o Matus espeta a primeira garfada no jantar. Junto-me a ele enquanto lhe dou as devidas explicações pelo atraso e lhe conto resumidamente as atribulações diárias. Conversamos sobre um sem número de pequenos assuntos. Ele vai sair em breve, mas, ouvindo as minhas desventuras com a Internet gratuita da cidade, voluntaria-se para me guiar ainda a um bar onde existe wi-fi para os clientes. Em boa hora! O local é excelente, agradável, reconfortante. Para melhorar as coisas, encontra-se parede meias com um supermercado, que tanto precisava para me abastecer dos pequenos víveres para as refeições intermédias. Passo duas horas ali. Actualizo o meu trabalho, converso online, faço mil coisas em simultâneo, como um maestro enlouquecido pelo andamento da composição. Bebo dois sumos de laranja, e no fim pago… menos de dois euros! Será sem dúvida um local de eleição para os próximos dias. Se o Saki, o meu próximo anfitrião, me deixar.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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