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Coreia do Norte e China. Dia 1. Outubro de 2019

O primeiro dia em Pequim foi algo estranho. Ter agora mais sete horas de fuso horário baralhou-me um pouco. Não é a primeira vez que tenho mudanças assim, mas sair de Paris de manhã cedo e chegar à China… ao início da manhã, mesmo tendo voado apenas nove horas fez uma certa mossa no sistema mental.

Pois, foi isso. Acordei em Montmartre às seis e tal da manhã, apressei-me a chegar ao aeroporto Charles de Gaulle, primeiro usando o metro da cidade e depois o comboio urbano SER B. Andar quilómetros num terminal enorme e com alguns problemas de organização, imprimir os cartões de embarque (um grande sucesso que me permitiu escolher um lugar fabuloso no avião da China Southern Airlines) e encontrar a porta certa.

Seguiu-se uma breve ligação de 45 minutos até Amesterdão. Mais uns quilómetros a andar por corredores, passar pelo controle automático de passaporte, chegar à última porta do terminal e esperar uma hora pelo início do embarque.

E a bordo do enorme avião para o voo intercontinental. Um voo, aliás, muito peculiar. Para começar, levantámos voo com a vizinha da frente deitada nos bancos, o do lado já a ressonar ocupando três assentos como cama. Tudo muito liberal no que toca à aplicação das habituais regras de segurança.

Escolhi um assento num conjunto de dois lugares e como aquele sector do avião vinha quase vazio tive aquele espaço todo para mim. Incluindo um armário privado, entre mim e a janela. Comeu-se bem, viu-se um filme. Dormiu-se e leu-se. Comeu-se outra vez e mais leitura. Talvez tenha sido o voo de longa distância mais confortável até hoje.

Aterrámos quando o sol despertava, com um horizonte alaranjado a saudar-nos à chegada a Pequim. Longa, muito longa fila para controle de passaportes e depois descobrir que trocar dinheiro implica taxas e cotações que não interessam. Serviu-me o Revolut.

Já com dinheiro chinês no bolso encontrei o City Express, uma linha de metro rápida que liga ao centro de Pequim num instante (25 CNY). Podia ter ido deixar a mochila no hostel mas ainda era cedo e como desta vez era especialmente leve, mesmo para os meus padrões, segui directamente para o Temple of Heaven, um complexo histórico com edifícios distribuídos num vasto parque (34 CNY para o bilhete completo). Simples de chegar. Grupos de pessoas dançam ao som de música chinesa. De todas as idades mas especialmente mais velhos. Sob umas arcadas juntam-se idosos que jogam às cartas. Mulheres costuram em conjunto.

Passa por mim um grupo de turistas que se dirigem para o primeiro local aberto apenas a quem tem o bilhete completo. Há muita gente. Muitíssima mesmo. Não é apenas Sábado. Não é apenas Pequim, a imensa Pequim. A juntar a isto está-se num início da semana do Dia Nacional, que corresponde ao nosso Natal, quando toda a gente está de folga e viaja… para todo o lado, incluindo para a grande capital.

Um grupo de homens fardados de azul acena com bandeirinhas ao som de música tradicional. Acho que são bombeiros, porque um outro grupo em roupas características faz o mesmo do outro lado.

Está um calor considerável. A previsão meteorológica para a minha primeira passagem por Pequim fala de temperaturas a rondar os trinta graus e céu limpo. E, claro, estou cansado. Praticamente não dormi. Faz umas 13 horas de sono em três noites. E também tenho estado a caminhar bastante.

Mesmo assim visito heroicamente todos os pontos de relevo do complexo antes de bater em retirada. O hostel é próximo, apenas duas paragens de metro. Chego por volta do meio-dia mas não é ainda possível fazer o check-in.

Deixo-me estar no agradável café do Peking Station Hostel, localizado numa viela tradicional, com fácil acesso a todos os pontos da cidade, alguns deles, como o centro dos centros, a praça Tianamen, a menos de 2 km a pé.

Pego num par de bons guias da cidade que por ali estão, bebo uma coca-cola. Faço tempo sem saber o que fazer, com uma mente que já se recusa a funcionar. Às 13:30 a menina chama-me para se tratar então da entrada.

Instalo-me rapidamente e tiro uma soneca, com despertador para as 16:00. Só consigo por-me em movimento às 17:00. Queria visitar a praça Tianamen e os elementos de relevo na sua área, como o Mausoléo de Mao. O sol põe-se às 18:00. Vai ser complicado aproveitar a luz do dia para visitar. Pensava eu que esse seria o principal problema.

O meu primeiro instinto é caminhar. 2,25 km. Mas pouco depois chego a uma estação de metro e caramba, a paragem seguinte dessa linha é precisamente Tianamen. Aproveito.

Grande animação por ali, mas o que me falta é descobrir como chegar à praça. Há cordões policiais e se estou baralhado as pessoas locais também o parecem estar. Ando e ando e acabo por encontrar um acesso aberto, só que é uma espécie de beco pois ao chegar à margem da praça há outra barragem. Enfim, parece que toda a zona está isolada. São os preparativos para o grande desfile militar de 1 de Outubro que comemora os 70 anos da Revolução.

Só me resta bater em retirada, já muito cansado, a pensar em comida e descanso. Chego ao metro, e depois à zona do hostel, onde procuro o Family Mart, a loja de conveniência onde planeio comprar alguma coisa para jantar.

Procuro mas não encontro. Penso que a paranóia da segurança levou ao isolamento do edifício onde se encontra a loja. Chego ao hostel e a menina da recepção confirma que está encerrada.

E agora, onde comer? Ela sugere-me uma zona onde há muita animação e restaurantes e que fica a apenas uma paragem de metro. Aceito, que remédio. Mas chegado lá não encontro nada de especial. Acabarei por dar com a tal rua, um dínamo de vitalidade, mas para já compro pão doce e um bolo a preços loucos de luxo, mas já estou por tudo.

 

Deixo-me agora levar, cheiro a multidão, procuro o rasto. Sigo um par de pistas falas mas acabo por dar com a tal rua. É uma avenida pedonal, cheia de cor e pessoas. No que toca a comer rendo-me e procuro agora um McDonalds, que encontro. O menu é barato. O hamburger não é nada mau mas o resto é. Por 3 Euros não me queixo.

Ainda passeio um pouco mais depois do jantar e descubro que o hostel é a cerca de 1 km. Sendo assim caminharei. O dia fechou melhor do que começou. Este pedacinho foi agradável, e no regresso aproveitei para referenciar um MB com Master Card e uma loja de conveniência, onde comprei uma garrafa de água.

Já a chegar vi os incríveis trabalhos de topiária em redor da praça aqui do bairro. Impressionantes mesmo, e com uma multidão a envolvê-los ficou claro que estava longa de ser o único a apreciá-los.

Ainda passei o serão a escrever estas linhas na tranquilidade do bonito bar do hostel, embalado por bem escolhida música ambiente.

O Hostel

O Pekking Station Hostel foi o escolhido para as quatro noites que passei em Pequim. Duas antes da Coreia do Norte e duas depois. Excelente selecção, resultou em cheio. Pelo que vi e ouvi é um dos poucos hostéis na cidade com padrões de qualidade. A sala comum que serve como café é encantadora, muito bem decorada, sempre com muitas flores frescas e onde soa uma música ambiente de muito bom gosto.

A localização não poderia ser melhor. Vai-se a pé à Praça Tianamen e melhor ainda à Estação de Comboios de Pequim (daí o nome). Existe uma estação de metro literalmente ao virar da esquina, com acesso às linhas 1 e 5. A famosa rua pedestre Wangfujing também se alcança facilmente a pé. E, de forma geral, é uma área agradável. Para tornar as coisas ainda melhores, o hostel localiza-se num becozinho, recuado, muito sossegado. Dorme-se portanto muito bem!

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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