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Do Báltico ao Mar Negro, dia 26 – Odessa

25 de Maio

De manhã o Edward veio comigo comprar o bilhete de autocarro para o dia seguinte. Foi interessante circular pela cidade no eléctrico, uma travessia de cerca de 5 km que levou uma hora. Sim, a velocidade média do eléctrico em Odessa é equivalente à do caminhar humano, se bem que devo acrescentar, a bem da verdade, que alguns problemas pontuais contribuiram para este fraco desempenho.

Bilhete comprado sem incidentes, e estamos de regresso a casa, um retorno substancial mais rápido. Temos fome. O “Buffet” está cheio, não há mesas livres. A opção número dois é ao ar livre e está um certo frio. Acabamos por tentar de novo o “Buffet” e desta vez temos mais sorte. Um pouco mais tarde um amigo canadiano do Edward junta-se-nos para este pequeno-almoço com toque de almoço.

Depois de um breve período de repouso, chegam as amigas do Edward que vêm para uma das sessões de Salsa que agora são organizadas lá em casa. É a minha dica para sair. Pela primeira vez nos últimos dois dias a chuva cessou, apesar de a trégua ser muito precária. Basta olhar para o céu para compreender que a qualquer momento uma avalanche de água se pode precipitar sobre esta terra.

Mas a coisa aguenta-se o suficiente. Caminho até ao centro, a cerca de 3 km de distância. É díficil gostar de uma cidade com estas condições climatéricas. Acredito que Odessa seja um local muito especial, do qual muitos dizem ser impossível não gostar. Cá eu limito-me a não ter opinião. O que posso escrever sobre esta cidade? As ruas são iguais a outras ruas, o porto é concorrido e nada charmoso, como qualquer porto comercial. Não encontrei nenhum elemento que me impressionasse, que ficasse inscrito na memória como um marco de Odessa. Dei uma vista de olhos pelas famosas escadas, cenário marcante do filme O Couraçado Potemkine (acho que é este o filme), mas como o Edward disse, são apenas umas escadas. Três rapazes encontram-se por lá, com águias (ou falcões ou alguma coisa do tipo) treinados, procurando fazer algum dinheiro com os turistas.


Finalmente começou a chuviscar. Felizmente nada de pesado, nada que me forçe a interromper o passeio que está já numa fase descendente, o rumo de casa tomado, agora por outras ruas. Apesar de ser ainda relativamente cedo, existe um clima de escuridão, transmitido pelas nuvens cerradas que se aprimoram na sua assumida tarefa de filtrar os raios de sol.

Chego facilmente, com a impressão, errada, de que o caminho de regresso foi mais curto. Não se passa muito mais. Ao serão vamos beber uma cerveja ao incontornável “Buffet”, onde se nos junta uma jovem amiga dos meus anfitriões. Preguiça, moleza. Tenho um acordar muito matutino no dia seguinte, mas como sempre não é por isso me deito mais cedo. Odessa não deixa saudades nesta viagem. Não teve o impacto puramente negativo de Kiev, mas foi uma passagem sem notícia, um porto (ironicamente, considerando a realidade portuária da cidade) de abrigo onde recuperei forças de semanas estonteantes.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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