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França 2018 – Dia 6

Foi preciso acordar bem cedo, pelas seis da manhã, porque nesta manhã seria necessário fazer a viagem de Limoges para Bordéus, e ainda eram umas centenas de quilómetros com uma paragem pelo caminho. Na realidade tinha pensado em duas, mas os anfitriões desaconselharam e Angouleme acabou por ficar de fora.

Viagem tranquila, sempre a rolar, por diversas estradas, a fugir às portagens. Atestar o depósito uma primeira vez, à saída de Limoges. E depois, sempre até Saint-Emillión, outro local Património Histórico da Humanidade da UNESCO, que me surpreendeu por duas coisas: primeiro, porque é muito mais bonito do que estava à espera, a remeter para o meu imaginário das aldeias da Toscânia, apesar da distância. Segundo, porque é bastante turístico, cheio de estrangeiros, a primeira vez que vi um ambiente assim em França nesta viagem.

Ali é a cultura do vinho que domina e é isso que as pessoas vêm ver. Muitos norte-americanos e asiáticos. Mesmo assim foi de novo simples de parquear, desta vez a pagar, mesmo junto às portas da cidade antiga. Vi parques mais para trás, bem anunciados, e suspeito que para esses não será preciso pagar nada.

O céu continua azul. Na realidade, acho que não vi uma nuvem no céu durante toda esta semana. E para um lugar como Saint-Emillión estas condições climatéricas são importantes. A luz é fabulosa. Foi uma bela escolha, para fechar a road trip. Ainda há mais dois dias em França, mas sem carro, que o “boguinhas” será devolvido hoje aos devidos proprietários, pelo meio-dia, no aeroporto de Bordéus.

Se uma pessoa se afastar um pouco do principal eixo de circulação da aldeia (ou vila, ou cidade, não sei) a densidade de turistas desce logo, até se resumir a um encontro casual. Infelizmente nesta manhã estava pressionado, e bastante, pelo relógio. O carro tinha mesmo que estar ao meio-dia no ponto de entrega, e sobre isso nada a fazer. De forma que a visita foi a correr, soube a pouco, precisava de mais tempo.

Há muito para ver em Saint-Emillión. Deu para usufruir de uma bonita vista geral no miradouro, vendo a parte baixa da localidade, lá em baixo, elevando-se mais para a frente, de novo, na ponta oposta. É ali que há mais esplanadas, creio. Afastei-me, cheguei a uma das orlas, vi a fortaleza. Entrei na catedral, passeei pelos claustros. Depois fui lá abaixo, caminhando um pouco pelas ruas, onde há muito comércio vocacionado para o turista, especialmente de vinho da região.

Mas era necessário partir e regressámos ao carro. Bordéus já não fica longe. Pelo menos no mapa, porque para chegar ao aeroporto, do outro lado da cidade, foi um pouco stressante. Havia imenso trânsito, parece que há sempre. E felizmente que o Google Maps lidou bem com isso, tendo informação sobre o tráfego automóvel. Sugeriu uma rota alternativa, bem mais longa mas com muito menos intensidade no trânsito, e depois de conduzir um par de dezenas de quilómetros numa rede de vias rápidas que envolvem a cidade, com um trânsito muito compacto mas em movimento, acabei por chegar ao aeroporto, onde facilmente se encontrou o ponto de devolução dos carros de aluguer.

Correu tudo bem, disse adeus ao fiel Renault Twingo cor de cereja que tão bem serviu nestes dias e fomos à procura do autocarro para o centro apesar de afinal não irmos a centro algum, pelo menos neste dia.

Encontrar alojamento em Bordéus foi complicado. É tudo caríssimo, hostéis não há, hotéis são a preços absurdos e o AirBnB também não é do melhor. Couchsurfing, foi-me impossível, ninguém a aceitar. Cheguei a ver isto muito mal parado, mas no fim acabou por se descobrir um hotel moderno por uns 50 Euros. Um valor que em situação normal não pagaria, mas ali em Bordéus acabou por ser um alívio. Ficava próximo do aeroporto, quase que se podia caminhar. E com uma paragem de autocarro mesmo à porta. Pareceu-me uma boa solução e foi. Era de facto um hotel agradável onde gostei de passar duas noites.

Apesar de ser ainda cedo, quis descansar, já não saí do hotel. Ar condicionado, uma secretária, televisão (coisa que não me é apelativa, mas no momento até apeteceu), Wi-Fi. Luxos, luxos, luxos. Estranhamente foi uma tarde bem passada e depois, chegada a noite, dormi muito bem.

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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