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Índia 2019 – Dia 07 – Jaipur

Depois dos dias orgasmáticos de Nawalgarh, veio o anti-climax. Jaipur foi o meu lugar menos favorito da Índia, especialmente neste primeiro dia. Pequeno-almoço tomado no luxo relativo da casa de hóspedes, ficou decidido caminhar até à zona das principais atracções. Não era muito distante, talvez 3 km. Mas foi desagradável. O trânsito passava sem parar, muita confusão, ruído, caos. Enfim, talvez o que seria de esperar de uma cidade indiana já com algum tamanho, mas certamente demasiado para o meu conforto.

Para evitar as avenidas principais segui por ruas paralelas, entrando em bairros de aspecto duvidoso, onde quase de certeza não existia nenhum risco mas que me deixaram ainda mais desconfortável, apenas porque era (e ainda sou) um iniciado da Índia. A muito badalada sujidade e pobreza, apesar dos edifícios por ali serem mesmo prédios e não estruturas improvisadas, vulgo, “barracas”.

A partir de determinada rotunda o caminho teve mesmo que se fazer pela avenida principal, ladeada de lojas mas com interrupções nos passeios, o que me levou para a movimentada faixa de rodagem por algumas vezes.

Não foi fácil encontrar o acesso correcto para o Palácio da cidade. O GPS apontava uma entrada que contudo estava barrada e policiada. Parecia ser o portão oficial, para a família real de Jaipur, que ainda habita em parte do complexo. Meti-me por umas vielas, dei com um templo onde uma cerimónia religiosa era celebrada. Fiquei a observar um bocado. Depois prossegui, passando por túneis e outros lugares obscuros, até que me cruzei com uma família de indianos que, gentilmente e sem lhes ter perguntado, confirmou que por ali iria ter onde pretendia.

Por entre um gradeamento vi um bocadinho do Jantar Mantar de Jaipur, uma estação arqueológica antiga basicamente igual à que tinha visitado em Delhi. E logo cheguei ao recinto de entrada no Palácio. Os bilhetes eram caros e a multidão de estrangeiros na fila era grande. Depois de uma consulta online e ponderados os factores decidimos não visitar.

O desafio seguinte foi encontrar a entrada para visitar o Palácio dos Ventos. Para esse sim, comprámos os bilhetes. Passando por uma série de salas e pátios pudemos ver a movimentada avenida que passa junto à fachada principal do edifício da mesma forma que as mulheres de antigamente a viam durante as coloridas paradas e desfiles. Este palácio será provavelmente o lugar mais icónico de Jaipur, mas a melhor parte é mesmo aquela fachada dotada de mil janelinhas por onde as mulheres do rajah podiam ver sem ser vistas.

Chamado formalmente de Hawal Mahal, o palácio for terminado mesmo no final do século XVIII, e as suas infinitas janelas permitiam um fluxo de ar que refrescava o interior do complexo e aliviava os seus habitantes do intenso calor de Jaipur.

Dos seus níveis superiores podem-se apreciar vistas amplas da cidade, sempre num ambiente festivo, absorvendo a excitação das massas que o visitam permanentemente. A maioria são indianos, com alguns estrangeiros pelo meio da multidão. Há as fotografias de sempre, a que os locais não conseguem resistir, especialmente se tiverem oportunidade de pedir a um ocidental para ficar no retrato. Um selfie, de preferência.

Terminada a visita conseguimos encontrar a fachada exterior, que tínhamos antes procurado sem sucesso. É de facto espectacular e tirei um sem número de fotografias. O ponto menos bom é a grande pressão que há aqui sobre os turistas. A cada poucos segundos alguém vai propor um negócio qualquer. Geralmente as pessoas não são insistentes, mas são tantas que pode incomodar. A mim incomoda de certeza. Sou bastante sensível a estas pequenas invasões do meu espaço com fins lucrativos.

Comemos e relaxámos num dos cafés que existem do outro lado da avenida, num terraço agradável com excelentes vistas. Literalmente cheio de estrangeiros, conseguimos uma mesa boa e… foi agradável.

Saímos, já com o dia considerado preenchido, apesar de pouco passar da hora do almoço. Talvez Jaipur seja demasiado intensa. Fomos andando, pensando na vida, em como regressar. Quando reparo num portão aperto… uma escola. Muito interessante. Entramos, sentamos a um canto, tentando passar despercebidos, e observamos. Num canto do pátio um homem, provavelmente professor, está sentado numa secretária ao ar livre e vai recebendo alunos. Talvez uma entrega de trabalhos, talvez o anúncio pessoal de notas. Nunca saberei. Trata-se de uma escola antiga, com muito charme e ambiente e foi uma surpresa positiva, fez um daqueles momentos que são o melhor das viagens. Para mim.

A perspectiva de caminhar de volta à casa de hóspedes não me estava a agradar nada e acabou por se ir de tuk-tuk. Uma excelente escolha, porque o condutor era honesto e foi uma corrida simplesmente fantásticas, pelo meio do trânsito. Pude assim apreciar descontraidamente o caos, como se estivesse de fora. As ruas estavam loucas, com multidões feitas de gente vestida com cores garridas, veículos de todos os géneros no asfalto.

O resto do dia foi passado a descansar e recarregar baterias, com mais um pôr-de-sol fantásticos e todos aqueles papagaios de papel a rodar no céu, tantos que se perdiam de vista no horizonte. Depois, o jantar, delicioso e tranquilo, tal e qual como na véspera.

 

 

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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