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Índia 2019 – Dia 19 – Khajuraho

Tal como tinha acontecido em Orchha o alojamento em Kjahuraho fica algo afastado do centro histórico da povoação mas a verdade é que o passeio até lá foi sempre um prazer. Era uma estrada ladeada de casas de habitação e algum comércio tradicional que se intensificava à medida que a cidade se aproximava. Coisa para 2 quilómetros, talvez menos. Muito interessante e de forma algum um inconveniente. Localização recomendada.

Pelo caminho existia o lar de um camelo, usado para tirar fotos com os turistas, mas que não levava uma vida nada má. A maior parte do tempo lá estava ele, no seu canto, ruminando com ar feliz, observando-nos com a mesma curiosidade com que o mirávamos. Já a chegar ao centro a nossa estrada desembocava numa outra, já com um dos principais templos do lado direito e uma central eléctrica e um acampamento de indigentes do lado oposto.

A partir dali entrava-se na zona cheia de turistas. E se os havia…. ! Muitos ocidentais, a solo ou em tour e, claro, indianos. Tudo para ver as figuras pornográficas talhadas na pedra há centenas de anos, uma espécie de representação gráfica do Kamasutra, mas com detalhes ainda mais fortes como, por exemplo, sexo com animais.

Estes templos hindus datam do século XII, altura em que existiam por ali muitos mais, que não sobreviveram ao decorrer do tempo, e o seu conjunto é hoje considerado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Para este primeiro dia deixámos de lado os templos principais e decidimos antes visitar os que se encontram mais distantes, mais tranquilos. Foi uma jornada com muita caminhada, uma maravilha, até porque o dia estava de feição, com uma temperatura ideal e céus predominantemente azuis.

Antes, porém, um almoço numa pizzaria ali no centro da pequena cidade, um local que toda a gente conhece, mencionado em todos os guias turísticos e websites sobre Khajuraho mas cuja comida, apesar da amabilidade e boa vontade do pessoal, deixa algo a desejar. Isto aqui entre nós, que a malta é tão porreira que fingi adorar tudo e deixei ainda uma boa quantia extra.

A caminhada foi relativamente longa e, na minha memória, marcada por dois incidentes que se traduzem assim: criaturas grandes e pesadas, com cornos, a revelar claras más intenções em relação à minha honrada pessoa. Primeiro, um búfalo, como esse aí da imagem acima (se é que não foi mesmo esse tipo…) a discordar veementemente da minha intenção de o fotografar. Não é agradável, ter um búfalo a ameaçar que nos vai dar uma carga de porrada. Felizmente ficou-se pelas intenções, porque não acredito que tivesse hipóteses com o animal. Depois, já no regresso, após visitar os templos, foi a vez de uma vaca se armar e dar uma corridinha na minha direcção, de cornos apontados. Também não foi bom. Com a agravante de ter uma meia dúzia de aldeões a rir-se de mim (não acredito que fosse da vaca, até porque ela é sagrada, ao contrário de mim).

 

Brincadeiras à parte, os templos são giros mas não me impressionaram especialmente. É verdade que estão ricamente ornamentados e não é todos os dia que se vê pornografia com 800 anos de idade, mas os que vi neste neste dia eram pequenos. Se calhar esperava mais, talvez fosse um caso de expectativas demasiado elevadas. Bem, pelo menos a visita é gratuita e havia poucos turistas, e os que havia eram locais.

O melhor veio depois. Metemos ali por uma zona que pelo que me disseram posteriormente se trata do centro histórico de Kajuraho. Grande ambiente, tudo muito pitoresco, altares e templos locais, vida de bairro e… pois.. vacas loucas.

 

A tarde ia avançada e estava cansado. Ainda foram alguns quilómetros, e isto em acumulação com semanas de viagem. O retorno foi algo penoso mas ainda deu para parar e ver um jogo de críquete que estava a acontecer. Devia ser algo equivalente ao nosso “solteiros contra casados”, mas estava a levantar bastante entusiasmo, os espectadores não paravam de chegar. E de repente quase que era mais entusiasmante para aquela malta ter ali uns europeus a ver o jogo do que o próprio jogo.

Mais à frente chegámos à margem do lago. Há ali um palácio amarelo e o cenário é de grande tranquilidade. Algumas pessoas lavam roupas naquelas águas enquanto outras simplesmente apreciam a paisagem. É já próximo do centro. Vai-se seguir um lassi no incontornável Lassi Corner, um barracão de comida barata e mil variedades desta deliciosa bebida indiana, que é uma espécie de yogurte enriquecido com frutas ou, como ali, com chocolate. Um bom copo de lassi custava uns 0,30 Euros. Impossível resistir!

E com o dia a chegar ao fim, fez-se a caminhada de regresso a casa, depois do revigorante lassi. Boa jornada de viagem na agradável Khajuraho e um serão a descansar e relaxar no quarto.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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