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Kolding e Billund, Dinamarca, 27-30 Março 2011

Esta viagem nasceu do impulso Ryanair. Porque não passar um fim-de-semana fora, aproveitando um vôo de baixo custo da transportadora irlandesa? Não havia nada nesta parte da Dinamarca que aliciasse especialmente, mas a possibilidade de atravessar a Europa e regressar por 35 Eur revelou-se demasiado tentadora. Além de mais a região é rica em Geocaching e rapidamente encontrei anfitriões no projecto Couchsurfing.

 

 

O vôo de ida converteu-se numa experiência inédita, adivinhada quando me aproximei da porta de embarque: não se via vivalma. Faltavam 15 minutos para o encerramento do “gate” e na sala estava eu e mais seis pessoas. Quando a ordem de prosseguir para o Boeing da Ryanair foi dada, a coisa não se tinha alterado. E se ansiava por um vôo relaxante, nunca nas mais risonhas projecções esperei passar aquelas três horas e meia num avião quase vazio. Por assim dizer, quase que havia um membro da tripulação por cada passageiro, situação que ironicamente repetia a que se tinha verificado aquando do embarque. É que no aeroporto era dia de formação, e o pessoal de terra tinha monitores de volta deles; nesse caso, aliás, eram mais os funcionários do que os passageiros.

 

 

Do aeroporto de Billund até Kolding apanha-se um autocarro. Vai vazio, tal como o avião, e o bilhete custa cerca de 8 Eur. A viagem demora uma hora e dez minutos. Caminho pelas ruas desertas da pequena cidade. Não se vê vivalma, e apenas os carros que passam a tempos demonstram que existe vida por ali. São ainda 22:00 mas Kolding dorme. É depressivo. Felizmente os meus anfitriões são gente boa e o amargo de boca que trazia da rua depressa se dissolveu, empurrado por uma boa sopa polaca que foi muito bem vinda. Conversámos até tarde.

 

 

No dia seguinte de manhã tive companhia do casal de polacos emigrados com quem estou a ficar. Andámos pela cidade, num dia excepcionalmente bonito. Não é nada costume, pelo que sei e conforme me dizem, que em Março esteja um céu azul sem nuvens e uma temperatura já muito agradável. Mas assim vai estar todo este dia. Pela hora de almoço ele teve que nos deixar. Trabalho. Mas também, por essa altura, a parte antiga estava vista. Ficar-me-á na memória a casa medieval que subsiste numa das ruas calcetadas de Kolding, como que um museu vivo, entalado entre construção moderna. Assim como o castelo e o lago. Os militares castelhanos ao serviço de Napoleão foram albergados na fortaleza, mas no Inverno, com o frio a apertar, fez-se mais fogo do que se devia e num ápice um incêndio devastou o edíficio, que assim ficou até há bem pouco tempo. A renovação não é digna. Mais uma prova de que o mau gosto e o absurdo não conhecem fronteiras.

 

 

Depois de uma pausa em casa para comer qualquer coisa e retemperar forças, a tarde foi ocupada com deambulação aleatória. O ponto alto terá sido o moinho, enorme, cuja história e actual missão desconheço. Andámos até não poder mais, e foi um belo passeio. Para terminar, visitou-se o cemitério antigo, sem o charme dos cemitérios da Europa Central.

 

 

O serão foi bizarro. Como os meus bons anfitriões trabalham por turnos, ela dormiu um par de horas, enquanto eu punha escritas em dia e preparava o jantar. Qundo acordou, tomámos a refeição juntos e depois saiu, para o trabalho. Duas horas volvidas, veio ele, e tomei uma nova refeição, desta vez com companhia diferente, apesar da ementa ser a mesma. Conversámos um pouco, com algumas limitações, porque o inglês do meu novo amigo é muito fraco, antes de dormir.

Ao segundo dia, eu e o Martin fizémos Geocaching de manhã, enquanto ela dormia em casa. Depois, ele largou-me no início de um power trail. Viria a andar 17 km, explorando uma antiga linha de caminho-de-ferro, hoje feita percurso pedestre. Primeiro, não se via ninguém. Mas depois, à medida que me aproximava de Kolding, as pessoas começaram a fazer parte da paisagem, ora passeando os seus cães, ora exercitando-se, a pé ou de bicicleta. Foi uma jornada agradável, apesar do tempo tristonho que nada tinha a ver com o cenário de véspera. Não choveu, contudo, e por isso fico grato aos deuses da metereologia. A temperatura esteve perfeita, como se deseja para uma tarde de caminhada intensa.

 


 

Chegado a casa, repetiu-se a cena da véspera: jantar com a Agnes, ficar sozinho… só que desta vez recolhi-me sem ver o Martin, que ficou a fazer horas extras. Passei mal a noite, com dores de estômago, e levantei-me pelas quatro da manhã. Conversei um pouco com o meu amigo, que tinha chegado à pouco.

 

 

No dia de regresso o plano era apanhar um autocarro de manhã e explorar Billund durante o dia. Para quem não sabe Billund é a terra do Lego. Foi ali que tudo começou e hoje é uma pequena cidade que gira em torno da indústria destes brinquedos plásticos. Mas é um local sem chama, onde os blocos industriais se revezam com áreas residenciais, de pequenas vivendas.  O ponto alto do dia foi um pequeno percurso pedestre, que me levou a uma área periférica de Billund com um agradável sabor rural. Quintas, lagos… mas tudo envolvido nas tristes nuvens baixas que me acompanharam ao longo de todo o dia.

Existem em Billund dois grandes parques temáticos, a Legoland e um outro dedicado a temas aquáticos. Quando passei junto a eles já se encontravam encerrados, mas de resto visitá-los nuna foi uma opção, não com este tempo e com o bilhete a custar 36 Euros. Andei que me fartei. O GPS media 24 km quando finalmente me detive no terminal do aeroporto. Grande parte desta distância foi caminhada debaixo de chuva. Não me consegui secar até chegar a casa, umas quantas horas depois.

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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