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Locais: Praia Jalé

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São Tomé e Príncipe encontra-se no imaginário de muitos leitores como aquela África tropical, de praias de sonho e gente amigável, um país onde se pode viajar sem preocupações de segurança. E é isso tudo. O Cruzamundos teve a boa fortuna de se ter familiarizado bastante com este simpático país africano, mas dos muitos locais lindos destas ilhas há uns poucos que são guardados num lugar especial do coração. A praia Jalé, bem no sul de São Tomé, é um desses sítios.

Para lá chegar há que passar a última aldeia da estrada que cobre a face sul da ilha. E não é com um carro qualquer. Será preciso um veículo adequado, de tracção às quatro rodas e, em dias de chuva, alguma habilidade para condução em terrenos complicados. Mas o esforço é amplamente compensado. A praia Jalé é o paraíso na terra.

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Como é no sul, o céu raramente se mostra bem azul. Mas a temperatura, essa, é sempre agradável, e a água parece um caldo. O mar por ali pode ser alteroso, mas se evitar o segmento da praia onde existem rochas – e ouriços do mar – sob a superfície das águas, pode nadar com à vontade. E que banhos guardo na memória, ao pôr do sol, pela noite dentro, que no equador não há tempo para lusco-fusco. A saltar as ondas, mergulhando para dentro delas, com o céu tingido de vermelhos, laranjas, violetas. E a calma, a ausência de sons humanos. Só o ruído da selva que se prepara para a noite e o bater das vagas na areia.

Na minha primeira vez fiquei nas cabanas de madeira que ali existiam. Era um alojamento minimalista. Pouco mais de um abrigo circular, feito de estacas com intervalos tão generosos que à noite, quando a trovoada chegou, o interior do espaço se iluminava a cada relâmpago. Quando a maré subia, a espuma das ondas vinha-se espreguiçar junto ao alpendre da cabana e a solidão, com um livro na mão, era doce.

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Agora essas cabanas já não existem. Foram substituídas por outras três, feitas de adobe, mais confortáveis, quase luxuosas. Há electricidade desde o cair da noite até ao final do serão, casas de banho privadas e um café-restaurante que não funciona para além do serviço de pequeno-almoço (excelente).

O que não muda é o cenário. A longa praia que termina abruptamente na linha de coqueiros e palmeiras que marcam o início da selva, com o oceano a dominar o lado oposto. A vastidão do Atlântico Sul, as ondas majestosas, a areia de tonalidade dourada.

À noite, em certas partes do ano, pode-se esperar a visita de tartarugas que ali vão desovar. Alguns exemplares podem ser enormes, chegar quase aos três metros de comprimento.

Para quebrar a solidão, pode-se dar um salto à aldeia de Porto Alegre, onde se vive a África dos nossos sonhos, com gente amigável que vive num outro mundo, com alguma pobreza, mas, de certa forma, com uma qualidade de vida que muitos europeus admiram: a vida ali roda devagar, a comida é saborosa e natural, as amizades são genuínas. Mais uma peça deste Paraíso que pode estar ao alcance de todos nós.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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