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“Low costs” e bagagem de cabine

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A questão da bagagem de cabine é quase sempre fonte de ansiedade para os viajantes que recorrem aos serviços das companhias chamdas de “low cost” e às suas tarifas aliciantes. E, depois, sobretudo para os mais inexperientes, vêm os problemas. Alguns conseguem mesmo não se aperceber das condições impostas – e aceites – mesmo quando estas apareçam escarrapachadas inúmeras vezes, desde o processo de aquisição online dos bilhetes. Resultado: uma surpresa desagradável na hora do embarque. A bagagem não segue ou são forçados a pagar uma quantia astronómica pelos centímetros ou quilos extra na malinha.

As principais low costs europeias – Ryanair, Easyjet e Wizzair – têm políticas diferentes no que toca à bagagem de cabine. Não valerá a pena esmiuçar aqui as condições que cada uma oferece, porque essas coisas são dinâmicas e este pequeno artigo tentará não ser refém do tempo. Mas não posso deixar de referir a ideia tristemente revolucionária da Wizzair, colocada em práctica há um par de meses: agora, só a bagagem de cabine mesmo muito pequena (por exemplo, uma mala de mão de senhora ou uma mala de computador portátil) estão isentas de pagamento; os volumes que em qualquer outra companhia – mesmo na famigerada Ryanair – são de transporte gratuito, passam a estar sujeitos a uma taxa, relativamente pequena, creio que de 5 Eur.

Mas o que se pretende aqui e agora é fornecer uma série de ideias para lidar com as restrições de bagagem de cabine, formadas pela experiência de mais de uma centena de vôos. Vamos a isto:

  1. O primeiro princípio, que tem de estar SEMPRE presente é: o pessoal de serviço é soberano. Se decidirem não o deixar embarcar porque não gostam da côr do seu cabelo, não vai embarcar. Não adianta resmungar, gritar ou ameaçar. Se necessário a polícia aparecerá e as coisas não vão ficar melhores para si. Por mais injusto que isto seja, é assim que é. Depois, pode sempre recorrer, apresentar queixa, processar. Mas isso é depois, porque entretanto o avião partirá sem si. É como espreitar pelo canto do olho de cada vez que passamos um semáforo verde… é tudo muito bonito, isso de ter razão, mas depois de estarmos feitos num oito não há razão que nos repare os estragos. Por isso, calma a lidar com o pessoal, e aceitar tudo o que disserem. Porque neste contexto não aceitar só nos irá prejudicar.
  2. Em termos de material, sugiro que use uma mochila de 40 litros, daquelas que se vendem na Decathlon, como bagagem de cabine. É flexivel, é grande, e o pessoal das companhias, que anda nisto todos os dias e já viu milhares de mochilas, já sabe que aquelas cumprem. Mesmo que a mandem encaixar na forma de teste, já sabemos que vai caber, dê lá por onde der. Lamento mas não estou em condições de sugerir um trolley de rodinhas. Não uso.
  3. A “receita da casa” para lidar com o transporte de bagagem na cabine é a utillização de um colete de fotógrafo. No meu, enfio um computador portátil na bolsa das costas, todos os carregadores (telemóvel, GPS, pilhas, etc), auriculares, carteira, passaporte, jogos de pilhas, canetas, lentes da câmara, livros… e ainda fico com espaço disponível. A última vez que pus o colete assim apetrechado numa balança, marcava 4 kg, o que é uma transferência preciosa de peso.
  4. Truque de risco: colocar uma bolsa à tiracolo – pessoalmente uso um modelo da Berg com uma bela capacidade de carga – dar-lhe um tique para ir a bater na anca/rabo, e vestir um blusão por cima. A bolsa fica practicamente invísivel e ganha-se um segundo volume de bagagem. Nunca tive problemas com este expediente mas posso imaginar que se um olho atento o detectar… enfim, ninguém gosta de ser tomado por parvo, não é…
  5. Se tem algum receio – por exemplo, que a bagagem vá com peso a mais – sugiro que se deixe ficar para os últimos lugares da fila da porta de embarque. O pessoal tende a abrandar o rigor para o fim, entre a necessidade de apressar os procedimentos e a vontade de despachar o trabalho e ir à vida.
  6. Convém arrumar a mochila tendo em conta a potencial – mesmo que remota – possibilidade de ter problemas no embarque. Ou seja, no topo, objectos que sejam pequenos e pesados (tipo, que se podem colocar nos bolsos para reduzir o peso da bagagem) e grandes e baratos (tipo, que se possam enfiar num cesto do lixo se tiver mesmo que ser).
  7. Evidentemente, deverá vestir-se toda a roupa que se conseguir aguentar, de forma a retirar da bagagem peso e volume; se levar umas botas e uns chinelos, mesmo que esteja horrivelmente quente, é evidente que as botas terão que ir calçadas e os chinelos na bagagem. Outros objectos que podem ser transportados fora da bagagem – sem incorrer na ira do pessoal de serviço – também deverá vir conosco. Exemplo: auscultadores de música, um livro mais volumoso que na mão não chamará a atenção.
  8. Observar discretamente o pessoal de serviço. Por espantoso que pareça, os critérios e humores variam de pessoa para pessoa, e quando estamos para embarcar e há dois funcionários a verificar os cartões, é frequente que um seja rigoroso e antipático e outro seja mais relaxado. Não é preciso muito para “forçar” a nossa passagem pelo canal certo. Pode baixar-se para apanhar a caneta que caiu, se a sua vez vai bater na porta errada, por exemplo.
  9. Se está a fazer um vôo com escala, ou se está para apanhar o avião de regresso, não baixe a guarda só porque “para lá” as coisas correram bem. Se há uma segunda regra nestas coisas é que não há regras. Num aeroporto toda e qualquer mala é medida e pesada; noutro, nenhuma. Aqui, as malas são inspecionadas logo quando se está na fila; acolá, é ao passar a porta de embarque que o pessoal avalia as dimensões da bagagem. Depois, há os aeroportos geralmente conhecidos pelo rigor aplicado (por exemplo, o de Madrid). Portanto, não tente estabelecer regras… cada vôo é um vôo, cada caso é um caso.
  10. A sua linguagem corporal pode ser importante. Se carrega uma mochila, faça um esforço e pareça que está a transportar uma pena. Apenas uma alça num ombro, face descontraida. Um passo para ser mandado avançar sem medições.
  11. Em alguns aeroportos – sobretudo nos mais movimentados – a pesagem / medição é feita assim que se entra na ante-sala de espera, e é colocada uma etiqueta adesiva de “visto”. Como é evidente, é boa ideia ficar com essa etiqueta… para ocasiões futuras, digamos.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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2 comentários

  1. Daniel Branco

    Muito obrigado pelas dicas, gostei principalmente da mala de 40 litros e do colete, nunca implicaram com as coisas que levas no colete quando tens de passar nas máquinas?

    Excelente Artigo.

    • Eh pá as coisas no colete são como qualquer outras coisas… ou podem passar ou não podem, eles não estão ali para ver se é num colete ou numa mochila. Apenas uma vez uma gaja da Easyjet (acho) disse que não podia meter o netbook no colete (não sei com que fundamento, mas a minha regra de ouro é: o pessoal de terra tem sempre razão, senão quem se lixa sou eu).

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