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Turquia – Dia 11 – Istanbul

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Este foi um dia a cair para a descontração, em que saí de casa já a meio da manhã e sem grandes objectivos. Já familiarizado com os transportes públicos e ciente de que nestes dias de feriado as tarifas são muito reduzidas, apanhei o metro primeiro, depois o ascensor e depois o eléctrico e só parei mesmo em Sultanhmet, a zona mais turística. Tentei meter o nariz nos bazares mas estavam literalmente fechados devido ao Beyram. Os portões trancados a cadeado. Como em quase todos os dias de Outubro que passei na Turquia, o tempo está excelente, céu azul, temperatura amena. Existem muitos turistas e noto os estabelecimentos comerciais que lhes são destinados, restaurantes, esplanadas, lojas de recordações, casas de câmbio.

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Então fui até à água, ao chamado ponto de Seraglio, e diverti-me.  Passei pela zona de Sultanhmet onde se concentra os estabelecimentos hoteleiros, basicamente entre as grandes mesquitas e o Bósforo. Vi o que resta das muralhas marítimas de Constantinopla, e mergulhadores e pescadores, para além de passeantes, em mais uma manhã cheia de sol. Há balões alinhados, presos a terra por um fio, e junto à base dos fios existem garrafas. São barraquinhas improvisadas de tiro, onde quem quiser pode experimentar a pontaria com uma espingarda de pressão de ar a troco de uma moeda. Os turistas, por alguma razão, não chegam aqui. As pessoas com que me cruzo são basicamente turcas, e também elas caminham por ali de forma descontraída. É o espírito do Bayram no ar.

Vejo os enormes navios que cruzam o Bósforo. Na práctica, é todo o tráfego marítimo da Bulgária, Roménia e Ucrânia que aqui passa. Foi um passeio calmo, lento, ao ritmo do resto do dia.

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Cheguei aos terminas de ferries de Eminonu, meti-me num barco para Kadikoy e lá chegado comecei a andar para o lado oposto ao que estive anteriormente. O objectivo era um bairro chamado Moda, que me encantou. Não tem nada de especial, mas é deliciosamente burguês, muito classe média alta, a fazer-me lembrar o meu próprio berço de Alvalade. Mais tarde disseram-me que Moda é conhecida pelo seu ambiente de “esquerda”, sendo que o termo na Turquia tende a ser usado como oposição aos radicais nacionalistas e religiosos.

Não sei explicar isto, mas foi uma sensação confortante, numa terra que é tão diferente, vir dar com um pedacinho tão familiar, onde o mesmo tipo de pessoas fazia o mesmo tipo de coisas que à mesma hora se estaria a fazer em Alvalade… os passeios “higiénicos”, a doce preguiça de uma tarde de fim-de-semana passada nas esplanadas de café. Com a vantagem de se ter o mar mesmo ali ao lado.

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Depois de muito palmilhar as ruas de Moda regressei a Kadikoy mas não me quis ir embora sem revisitar a estação de comboios que tanto me tinha agradado. Já estava algo cansado e aproveitei para parar um pouco na mesma esplanada. Mas hoje nada teve o mesmo sabor. Sem saber bem porquê, parti com uma vaga sensação de desilusão.  E só parei em casa. O cansaço começa a ser ininterrupto. Preciso de parar. Amanhã vou ficar em casa o dia todo.

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Era dia de bola. No estádio do Fenerbahce, na parte asiática de Istanbul, a Turquia jogava com a Holanda. Perderam, 0-2, e ficaram definitivamente afastados do Mundial do Brasil. Na foto, um jovem turco pede a um grupo de adeptos holandeses que posem com ele para uma fotografia.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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