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América Latina 2016 – Dia 28 – Ruta de las Flores

Depois de ir a Santa Ana basicamente para passar a noite, preparei-me para mais uma aventura: a volta pela Ruta de las Flores, um nome que provém das flores das plantas do café, que ganham flor no mês de Maio. As autoridades salvadorenhas têm conseguido promover o turismo nesta rota com muito sucesso, o que se compreende: é uma área segura, de transporte fácil, e bastante pitoresca.

Existem três aldeias principais nesta rota,  eu visitei-as a todas: Juayúa, onde fiquei no Hotel Anuhác,  Apaneca e Ataco. O transporte, como eu disse, é simples. O autocarro #249, que liga Sonsonate a Ahuachapan, é um autêntico milagre. Não demora mais de uns 20 minutos a passar e o bilhete custa menos de 1 USD. Então pode-se passar o dia a andar de uma destas aldeias para outra, explorando com mais calma as que se gostarem mais e regressando mesmo à que se tornou a nossa favorita. É um dia bem passado!

Cheguei a Juayúa depois de passar em Los Naranjos, e encontrei logo o hostel junto onde o autocarro me deixou. Fiquei num dormitório… sozinho. Rei da casa. Estava uma miúda norte-americana um bocado tolinha no hotel, mas devia ter um quarto privado. Só ao pequeno-almoço do dia seguinte vi outro hóspede, que também viajava sozinho. O hostel era impecável, como se pode ver pelas fotos que publiquei acima.

Depois de instalado, saí para completar o passeio, a volta pelas três aldeias. Mas antes, comer qualquer coisa, o que foi tratado facilmente, na praça principal, onde dois rapazes montavam uma banca de fruta e instalavam uma hamburgeria portátil. Resultado, comi uma “hamburguesa”, como por aqui chamam aos hamburgueres, que foi uma delícia. Adorei o almoço. Simples, mas saboroso e sobretudo comido rodeado de um ambiente fantástico, muito local, com as pessoas a irem e virem e eu a observar tudo.

À minha volta outros clientes eram atendidos. Um senhor com um ar muito digno sentava-se na outra mesa de plástico, lendo o seu jornal como se não houvesse outro em todo o mundo.

Fui para o autocarro. A caminho de Apaneca. Viagem fácil, boas vistas pela janela. Quando salto para a estrada, em Apaneca, do fundo dos meus sentidos parece-me ouvir algo estranho, olho sem sequer dar por isso, sigo. Mais à frente, muito mais à frente, descubro que tinha perdido a peça de plástico que protege o LCD da minha Nikon. Nada bom. Eu não uso estojo algum para a minha câmara, aquela peça é vital. Mas paciência, o que não tem remédio, remediado está.

Caminhei umas centenas de metros até chegar ao coração da povoação, mas Apaneca tem uma área muito dispersa. Andei pelas ruas e vi a arte mural que distingue a aldeia. As pessoas parecem ter grande gosto em pintar as suas casas e sobretudo os seus negócios.

Andava por ali quando vejo um posto dos correios. Deu-me uma inspiração: entrei e expliquei a situação da minha câmara, perguntando se me podiam ceder um pedaço de fita-cola. Levou uns segundos a conseguir que entendessem o que eu precisava, mas quando ficou claro logo me passaram para as mãos um rolo de fita-adesiva com que protegi o LCD da câmara. Ficou um mimo! Aquelas três simpáticas senhoras fizeram-me um imenso favor!

Saciei a minha fome pela aldeia e fiz a caminhada de volta à estrada principal para apanhar o autocarro para a próxima, a terceira e última, que seria Ataco. Passei pelo local onde tinha saído, por descargo de consciência, olhando para o chão e… lá estava a peça de protecção do LCD da câmara, mesmo junto ao asfalto. Maravilha!

Esperei um bom bocado pelo autocarro. Lá veio, entrei, sentei-me. Não demorou muito a chegar a Ataco e quando me levanto reparo que… oh não! Perdi outra vez a peça! Isto não pode estar a acontecer. Mas tinha de sair. Milagre, parte dois: lá à frente, junto ao condutor, encontro a malvada peça no chão… deve ter caído e foi deslizando até à outra ponta do autocarro!

Senti em Ataco uma personalidade diferente. Se Juayúa parece ser a maior destas três localidades, Apaneca é a mais embonecada e Ataco a mais rural e, creio, a mais pequena. Esgotei a aldeia num instante, andando pelas suas ruas. A dispensar a visita a uma, acho que Ataco seria a sacrificada. Mas mesmo assim tirei belas fotografias, especialmente das pessoas. Mas passar o dia assim,  a visitar a Rota das Flores, foi uma excelente opção. Penso que há uma certa sobrevalorização da Rota, fico com a impressão que estas três aldeias são apenas três aldeias salvadorenhas que as autoridades promoveram bem, fazendo uma atracção turística onde não existe. Mas para mim, para o que aprecio em viagem, serviu-me perfeitamente.

Regressei então a Juayúa, para passar a noite. O dia seguinte seria marcado pela entrada na Guatemala, onde ficaria alguns dias em Antígua.

 

 

 

 

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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