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América Latina 2016 – Dia 36 – Cópan Ruinas a Flores

Acordei cedinho, já era de dia mas as ruas estavam desertas e fazia frio. Postei-me na esquina em frente ao hostel, onde me tinham dito que passavam os transportes para a fronteira e de facto não durou muito até ao prometido mini-bus aparecer. Ia quase vazio, sentei-me e segui viagem. Deixava para trás o único local das Honduras que conheci. Não posso dizer que deixou saudades. Foi uma experiência neutra. Uma povoação comum com uma cidade Maia como vizinha, mas ruínas não são a minha cena e estas não me impressionaram especialmente. Mas pronto, nada disto foi tempo perdido, foi uma boa forma de viver aqueles dias só que agora ia deixar isso para trás das costas.

Pelas minhas contas, quando cheguei à fronteira, devia estar a partir o prometido autocarro para Flores. E de facto, quando saí do posto do lado da Guatemala, vi lá ao fundo um autocarro aparentemente com o motor ligado. Corri desalmadamente, cheguei a tempo, ofegante. Mas não teria sido necessário. Ainda esperámos ali uns 10 ou 15 minutos antes de arrancar.

Veio o vendedor de bilhetes. Peço um bilhete para Flores, o tipo não se desmancha, escrevinha qualquer coisa num bilhete e diz-me que aquele não ia directo para lá, teria que mudar num local mais à frente. Entre eu perguntar e ele responder, fiquei sem perceber bem. A que distância de Flores era o transbordo? Bem, não havia de ser nada.

Seguimos durante longo tempo, e de facto em certa cidade, dizem-me que tenho que sair ali. OK. Onde é o autocarro para Flores… isso é que está pior. Ninguém sabe. Lá me indicam um pequeno autocarro. Mas não seria tão simples… aquele também não ia até Flores. Vai cheio, cheissimo. Vou sentado no banco de trás, apertado entre cidadãos, com a mochila ao colo. Seria divertido se não fosse um pouco tenso, pela incerteza se chegaria naquele dia a Flores ou se teria que arranjar uma solução de improviso para passar a noite. Naquele momento deu-me muita vontade de apertar o pescoço de uma certa anfitriã cheia de más informações.

O tipo do lado teve pena de mim, talvez tenha sentido que estava um pouco perdido. Ainda bem. Explicou-me muito calmamente onde teria que sair e que autocarro devia apanhar para chegar a Flores. O problema é que o dia estava a chegar ao fim, a luz ia-se apagando, devagar, e ainda estava bastante longe.

O sítio para sair era uma aldeia no meio de nada, mas devia ser um centro de transportes porque ia ali uma azáfama diabólica. Havia muitos grupos de pessoas que esperavam a sua viatura e dezenas delas, a chegar e a partir. Uma confusão. Mas não correu mal. Pergunta aqui, pergunta acolá e… achei! Alívio! Se tudo corresse normalmente chegaria ao destino.

E correu. De facto apanhei ali um pequeno autocarro que me deixou na estação de autocarros de Flores, que na realidade não se chama Flores. Esse nome é apenas dado à cidadela, ao ilhéu agora ligado a terra, porque a cidade é Santa Elena. Pelo menos foi o que me disseram os locais, porque nos mapas é tudo Flores. Enfim, não importa.

À chegada foi uma batalha com os condutores de tuc-tuc. Claro que me queriam levar. Mas eu não. Poupar uns dinheiros e caminhar, que faz bem à saúde. Além disso tinha pouquissíma moeda local. Tinha que ir a um Multibanco. Fui andando pela avenida principal, um pouco a medo porque ainda não tinha tomado o pulso de segurança ao local, e perguntei a alguns cidadãos por uma caja automatica. Inicialmente foi difícil receber a informação necessária, mas lá encontrei. Problema de cash resolvido.

Segui, tomei nota mental de um Burguer King, entrei na ilha de Flores, encontrei o hostel, de que não gostei muito (pessoal um pouco arisco e o dormitório – tipo rasca – mesmo ao lado do bar, que era bastante movimentado). Nada de grave, mas não voltaria a ficar ali.

No hostel comprei uma passagem para o transfer directo para as grandes ruínas de Tikal, onde iria passar a noite seguinte depois de alguma hesitação. Podia ir e vir, ou podia lá dormir, pagando um dinheiro relativamente elevado para o que estou habituado: 32 Euros. Mas acordaria praticamente dentro do Parque e isso permitiria uma exploração mais profunda.

Com isto já era de noite. Tinha chegado mesmo a tempo. Saí para esticar um pouco as pernas depois das emoções do dia, explorei um pouco as imediações, descobri um mercado nocturno de comida, comprei uma garrafa de água, algo para petiscar, e retirei-me. Moral da história: é uma grande maravilha poder falar castelhano, mesmo que imperfeito, com as pessoas.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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Em trânsito desde Antigua até Cópan Ruinas, já nas Honduras, onde passei um bom final de tarde em várias actividades.

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