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Argélia 2018 – Dia 8

À hora agendada toca o despertador e não é agradável. Lá fora ainda é de noite. A mochila estava pronta de véspera, saímos rapidamente para a rua. É preciso comer qualquer coisa, pergunto ao Bilel se há algum local onde se possam comprar uns croissants. Não no habitual lugar dele, esse abrirá mais tarde, mas leva-me a um sitio que aquela hora em que o dia começa a clarear está cheio à pinha de homens que tomam o pequeno-almoço.

Desenvencilho-me com a barreira linguística e compro uma sacada de croissants para comer imediatamente mas também para a viagem que se adivinha longa. Regresso ao carro e logo estamos na estação ferroviária.

Bilhetes comprados com a ajuda do Bilel. Não foi caro. A viagem deverá demorar umas seis horas mas já se sabe que nunca acontece. Serão mais, quanto mais é que é a incógnita.

A composição já acorda na plataforma. Vagão de primeira classe, sem lugares marcados. Escolhemos um, mas como está vazio logo nos estamos a expandir para outras opções. Os assentos têm tomada eléctrica mas não funciona. Em nenhum deles. Apenas uma saída de baixa amperagem pode alimentar o telemóvel.

À hora certa o comboio parte. Anda muito devagar. Mais para a frente o ritmo melhorará mas para já o andamento é lento. Irá parar pouco, ao longo da viagem, considerando a extensão do percurso. A paisagem é relativamente monótona. Campos tipicamente mediterrânicos e por vezes cidades e montanhas que se avistam ao longe. Devo confessar que foi uma certa decepção. Costumo observar atentamente, horas a fio se for caso disso, as paisagens que me são mostradas pelas janelas de autocarros e comboios. Mas aqui rapidamente me aborreci e me deixei ir para outras actividades.

A coisa mais animada das oito horas e tal que estive no comboio foram as discussões. Uma mulher mais velha sentada lá para a frente arranjou problemas com muita gente, e quase batia nos revisores.

O comboio foi enchendo. Uma segunda vaga de revisores fez uma série de passageiros mudar-se para a segunda classe. A mulher, mais uma vez, armou uma peixarada e ninguém  conseguiu mover.

Os mantimentos foram suficientes para me manter de estômago composto, mas em princípio, se tivesse surgido a necessidade, havia um café-restaurante na composição.

Passamos por uma área onde parece que existe actividade, ou pelo menos presença, de fundamentalistas islâmicos e onde se recomenda alguma cautela a viajantes ocidentais.

Já nos aproximamos de Argel, nota-se a densidade demográfica a intensificar-se.

Chegamos. A meio da tarde. Tinha reservado um quarto num apartamento AirBnB e… é literalmente do outro lado da rua da estação. A localização não podia ser melhor, mesmo para gastar mais algum tempo a passear pela interessante capital argelina.

O proprietário, um arquitecto inglês que trabalha no país há muitos anos, não estava, mas deixou a chave debaixo da porta. Adorei ali ficar, apesar das primeiras impressões não terem sido muito boas. Era um edifício tipicamente colonial com uma lindíssima varanda sobre a rua… e como era o último andar, via-se muita coisa.

O tempo estava excelente, céu predominantemente azul, boas temperaturas. Saímos para comer, pois claro, no sírio. E para passear, rever locais já conhecidos e que já deixavam saudades.

Estivemos com o Abdou ao serão, uma visita em sua casa, que desejaria curta porque estava cansado mas que se alongou com muita conversa. Quando regressámos o inglês não estava em casa mas tinha-a limpado de forma imaculada e a minha impressão do alojamento melhorou muito. Dormi bem! Última noite na Argélia.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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