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Ásia 2017 – Dia 13 – Galle, Sri Lanka

Aterrar em Colombo e esperar para sair cá para for a, sabendo que ia receber aquela lufada de ar quente e húmido de que tanto gosto… era ainda de noite, com o céu a ganhar a luz para o dia que se aproximava, mas era já quente… e húmido… mesmo.

Passagem tranquila pelo controle de passaportes, muito fácil e rápido, apesar de existirem muitos visitantes a chegar, mesmo aquela hora da manhã. A boa onda mantém-se ao sair para a rua. O autocarro para o centro ou seja, Fort, é encontrado rapidamente, mesmo em frente ao terminal, do lado de lá da rua. Entramos, tomamos os lugares e arrancamos. Dizem que pode demorar quase duas horas a chegar, mas isso é em dias de tráfego intenso. Aquela hora bastaram 40 minutos para chegar a Fort.

Basicamente toda a informação que recebi de Colombo, de amigos e bloggers, foi negativa. Que não valia a pena passar por lá nem um dia, que era uma cidade comum, sem nada de peculiar, sem interesse. Bem, assim que saí do autocarro, aliás, na última parte do percurso para a cidade, fiquei com outra ideia. Achei fascinante. Talvez por ser o meu primeiro contacto com o país.

A estação de comboios fica a uns 300 metros da de autocarros, mas são 300 metros gloriosos, temperados com um mercado, com carregadores que se vergam sob o peso da carga que transportam de camiões pejados de vegetais e frutas. Passam tuk-tuk às dezenas, talvez às centenas. É ainda muito cedo, mas o bulício é imenso, bem contrastante com as manhãs preguiçosas do Omã.

Há lojas de comes e bebes onde as pessoas vão tratando do pequeno-almoço e uma multidão passa por mim. Mulheres de saris coloridos, jovens de uniformes escolares, polícias com fardas de inspiração britânica, e os carregadores, sempre eles sujos e magros, carregados, trementes, em esforço.

Na estação é fácil encontrar o guichet certo e comprar os bilhetes para Galle. Um Segunda Classe custa 180 Rúpias. 1,10 Eur para uma viagem de quatro ou cinco horas. Não se pode dizer que seja caro. E é aberto, ou seja, podemos ir já no próximo, que parte às 8:35, ou no seguinte, às 10:30, ou quando quiséssemos.

Tinha alguns locais preparados para visitar ali por perto, mas reconheço, estava demasiado cansado. Fomos só até ao mercado flutuante, que não vale a pena e ainda por cima estava quase tudo fechado. Claramente um projecto falhado. Deu para tomar o pequeno-almoço e depois seguir para o comboio.

Na plataforma certa amontoava-se uma multidão. Mau… esta gente toda vai no nosso comboio? Não ia. Logo antes passa um sub-urbano que absorveu aquele mar humano, com homens a seguir pendurados nas portas. Cheio a abarrotar. Agora era esperar.

Pessoal da estação ia dando indicações aos estrangeiros. Que as carruagens de segunda classe parariam mais à frente. Um pouco mais. E chega. Eles chamam os estrangeiros, ajudam-nos a encontrar os melhores lugares. Mas eu já ia para outro lado, na esperança de me afastar daquele grupo. Mal fiz, porque fui ter com outro pior, de chineses. A segunda classe é dominada pelos estrangeiros. Tomei nota mental: na próxima viagem de comboio, terceira classe.

Encontrei lugar sentado mas não à janela. Agora era esperar. E se esperei! Uma horita, sentado, sem nada acontecer. Uma hora de atraso. De forma que quando a composição se começou a deslocar, parecia um milagre, era como se já não esperasse que aquilo acontecesse.

 

Os primeiros quilómetros são muito pitorescos, um sonho para fotografar… ou seriam, se fosse no lugar da janela. Assim como estão nas coisas, resta-me aguar e ver, através do meu companheiro de cadeira, as casas que passam, os mercados, os pescadores, as praias, as roupas a secar, as pessoas vestidas de forma colorida e exótica. E passa-se o tempo. Vou até à porta, mas o comboio salta e treme tanto que abandono a ideia de seguir sentado nos degraus.

Sensivelmente a meio da viagem o meu colega do lado, que parece conhecer todos os passageiros, dá o lugar a outro que logo me pergunta se prefiro trocar de lugar para ver a vista. Oh se quero! Mas foi tarde demais, porque o sumo visual ficou para trás. Não me queixo, mas não há dúvida que o melhor já se foi.

Chegamos a Galle. Agora é caminhar até à casa onde vamos ficar. Um pouco mais de um quilómetro, mas cansado e com aquele calor parece uma eternidade. Pelo menos foi fácil de encontrar. O quarto não tem nada a ver com o que é descrito no Booking.com, paciência. Agora é dormir um pouco, pelo menos uma hora, antes de sair para explorar Galle e o seu forte.

O forte foi construído pelos portugueses e tomado pelos holandeses em 1640 que após Waterloo tiveram que o entregar aos ingleses, assim como, de forma geral, todo o Sri Lanka. É a grande atração de Galle, aliás, feita Património da Humanidade pela UNESCO, e uma natural primeira paragem.

Compramos um saquinho de manga cortadas em tiras para petiscar e exploramos as ruas do forte, uma pequena cidade dentro da cidade, muito turístico mas ainda interessante. Há carros e tu-tuk por todo o lado, alguns edifícios com muita personalidade, outros nem tanto. Restaurantes, lojas de jóias, de moda. Tudo para turistas. Não há vida local no interior da cidadela.

Percorremos algumas das ruas. Certamente não todas, talvez as principais e as que parecem mais prometedoras. Encontramos uma pequena praia na parte mais afastada, onde há locais e estrangeiros, e um vendedor de fruta. Japoneses sentam-se num tronco de árvore derrubada com uma avó cingalesa.

 

Mais passeio pelas ruas. Descobrimos um museu de entrada gratuita, que é organizado para atrais os visitantes a uma loja de jóias que se encontra no interior, mas que se dane, adoro este museu, é como gosto, tão tosco que se torna delicioso, uma colecção de objectos sem sentido, simplesmente tudo o que parecesse interessante ao criador era incluído. São algumas salas, agrupadas em redor de um pátio com um poço antigo e dá até para ver alguns artesãos nos seus trabalhos.

Entro na igreja protestante, centro religioso dos holandeses do forte, e comigo entra uma multidão de turistas que me faz sair rapidamente.

Vamos agora sobre os baluartes que dão para o mar. O céu carrega-se, ameaça chuva. Há uma esplanada convidativa, vemos os preços, são bons. Bebo um sumo de ananás e experimento o meu primeiro roti, de banana e fico apaixonado.

Começa a chover a sério. O pessoal do café assobia para uns tuk-tuk ali parados. Um avança. Fazemos negócio às 250 Rupias. Vale a pena, a entrega em casa. Serão na tranquilidade do quarto. Quer dizer, tranquilidade até começar uma festa, cuja música enche a cidade. Nada que os tampões de ouvido não bloqueiem, na hora de dormir.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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