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Ásia 2017 – Dia 21 – Kandy

Ao iniciar este dia tinha forças em conflito dentro de mim. Por um lado, vinha desanimado com as decepções dos dias anteriores, mas com esperanças que Kandy fosse um reiniciar da aventura do Sri Lanka… só que a experiência da chegada tinha sido dolorosa, e já havia aquele receio secreto, que não se quer admitir, que o ciclo negativo fosse continuar aqui. O calor, a confusão, a decepção do alojamento… não estava a começar bem, Kandy.

E a manhã não mudou nada. Na rua, a enorme agitação, um trânsito imenso, um barulho contínuo. Fomos a pé. Afinal de contas eram poucas centenas de metros até ao lago. Lá chegámos, demos-lhe a volta completa, mas o tráfego é ali ainda mais denso, as buzinas nunca param, é difícil apreciar qualquer coisa assim.

A próxima tentativa foi o templo… o templo do dente, um lugar de culto budista de enorme importância, um sítio classificado pela UNESCO como Património Mundial. Bilhete a pagar, cerca de 7 Eur. Não seria por aí, mas há tantos turistas que desisto. Fico-me por um templo anexo, de acesso livre, com pouquíssimos estrangeiros à vista onde acabo por me divertir imenso.

Gostei também da visita breve ao cemitério da guarnição inglesa, bem escondidinho atrás do complexo religioso. Tive que perguntar o caminho a alguém mas valeu a pena… é um cemitério muito pequeno mas interessante.

O que fazer agora? Vamos tentar o Jardim Botânico, famoso, de Kandy. Também seria a pagantes, também cerca de 7 Eur. Mas porque não, não me oponho a um bom jardim botânico. Para lá chegar é preciso tomar um autocarro a partir da estação do relógio… ou seria da estação principal? Não me lembro, mas estão muito próximas.

Havia bastante trânsito mas lá chegámos. Ordem de ejecção, saltamos para a rua e o jardim está ali à frente e à entrada uma multidão enorme… de turistas. Não! Outra vez não. Encontrámos o Lucasz e a companheira, italiana, que tínhamos conhecido no comboio. Ficámos sentados num chão um bom bocado, à conversa, com esta gente que partilhava tanto da minha forma de viajar. Eles estavam exactamente na mesma situação. Partimos primeiro, eles ficaram mais um bocado, mas quando apanhámos um autocarro já os vimos andando pela estrada, de costas viradas para o jardim.

O destino seguinte era um cemitério de guerra, da Commonwealth, a alguma distância da estrada principal. Saímos do autocarro no ponto certo – maravilhas do GPS – e encontrámos um tuk-tuk para nos levar ao cemitério. Foi um bom investimento: estava calor e não sabia exactamente onde era a entrada do cemitério. Ele sabia.

Um cantinho bem tratado, imaculadamente mantido. Gostei. E sem saber estava a iniciar-se ali um ponto de viragem. Não deste dia… não da vista ao Sri Lanka… mas de toda a viagem. Daquele momento para a frente, foi essencialmente positiva, como dali para trás tinha sido essencialmente negativa.

Depois de passear por entre as campas do cemitério, observando os casos extraordinários, de militares ingleses com nomes portugueses, de combatentes franceses enterrados no Sri Lanka, dos hindus afastados de todos os outros num canto do espaço… depois de tudo isto, viemos andando, pela estrada que o tuk-tuk tinha tomado.

Parámos para um chá e um lanchinho e um senhor honesto e simpático cobrou-nos um valor ridículo, tipo, 2 Eur, por seis artigos que consumimos. Esteve-se ali bem, um fragmente de tempo que fica na memória, a beber o chá saboroso, observando os clientes que sem parar chegavam e partiam. O negócio do senhor simpático e honesto era verdadeiramente dinâmico.

De regresso à estrada principal, saltámos para dentro de um autocarro qualquer, rumo à cidade. Sempre fervilhante, sempre agitada, esta Kandy. Mas agora, por alguma razão, já não sentia hostilidade no burburinho. Começava a habituar-me. Aplicava aqui o dito – que tão raramente se adequa à minha forma de sentir – “primeira estranha-se, depois entranha-se”.

De uma estação de autocarros para a outra. Para regressar ao hostel precisa vamos da estação do relógio. Encontrámos o autocarro certo e foi uma viagem simples. Já por ali jantámos num restaurante muito local e depois foi enfrentar a barulheira da música do bar do hostel.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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