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Coreia do Norte e China. Dia 2. Pequim. Outubro de 2019.

As coisas cada vez estão a ficar mais estranhas. Acordei às 4 da manhã e já não consegui dormir mais. Por um lado ainda bem. Tinha a ideia de visitar o Palácio de Verão e com as enchentes que por aqui há aproveitei para me chegar lá à bilheteira na hora da abertura, a umas loucas seis e meia da madrugada, pouco depois do sol se levantar.

Chegar lá não é complicado, mas é demorado. O metro demora uns 45 minutos, implicando, para mim, uma mudança de linha. Mas a ideia foi excelente.  O local está com um ambiente mágico. Nos primeiros momentos não está lá practicamente mais ninguém, nem parece que estou em Pequim.

Subo a montanha, pontilhada de torres e bonitos edifícios. Tudo isto é fruto de uma reconstrução. O verdadeiro palácio foi arrasado pelos militares franceses e ingleses no século XIX.

Há uns quantos chineses, poucos, uns quatro ou cinco, a tirar fotografias. Todos equipados com material de topo. Isto é algo que me impressionou, o gosto deste povo pela fotografia, que se nota pelo número de pessoas com boas câmaras e grandes lentes. E quem não as tem usa o telemóvel, de forma compulsiva. Dá-me a ideia que se pudessem punham um implante nos olhos para fotografar tudo o que vissem, porque é isso mesmo que fazem com os seus telemóveis.

Começo a descer a colina, em direcção ao amplo lago. Ali já encontro mais gente, que chega directamente de outra entrada, de acesso mais simples. E a partir daí a multidão vai engrossar sempre, chegando ao ponto mais alto quando passado duas horas saio pelo portão do lado oposto.

Pelo meio vejo muita coisa fascinante. Ando umas boas centenas de metros por um corredor coberto, decorado de forma riquíssima. Há pavilhões encostados à água, barcos de passeio de cores garridos e estilo clássico. Felizmente, poucos estrangeiros. Só mais para o fim vejo alguns.

Este local é Património Mundial da Humanidade constando na lista da UNESCO mas a distância ao centro deve filtrar muitas visitas.

Acabo a minha com uma passagem por um complexo ajardinado em redor de um lago de nenúfares, coisa linda. E agora… bem, agora sou enganado pelo mapa… pensava que depois de sair poderia tomar um trilho que junto ao lado leva até uma famosa a fotogénica ponte, mas não. Saí, acabou.

Não estou muito longe do chamado Old Summer Palace, que foi destruído na mesma altura mas nunca reconstruído.

Tenho que reconhecer que este segundo projecto foi um fiasco. De forma relativa. As ruínas encontram-se espalhadas por uma ampla área que é agora um parque. As distâncias são enormes, os pontos são de interesse relativo e acabei por nem descobrir As Ruínas, aquelas que ilustram o parque. Apanhei calor e uma estafa, foi divertido, de forma limitada, mas cheguei a um ponto em que só queria terminar a visita.

Fui ter a outra estação de metro e regressei ao hostel. Descansei um bocado mas a fome começou a segredar-me aos ouvidos. Aí pelas 15:30 saí à rua decidido a comer pizza. Ainda só passaram dois dias e a fome já é negra. Não faço segredo que detesto comida asiática, de forma geral, e chinesa em particular. Viajar por estas paragens é sempre uma provação.

Bem, detectei um Pizza Hut no mapa. Saí de casa e como não era longe fui andando.Acabei por descobrir que era mesmo junto à estação ferroviária. Ou seria, porque da Pizza Hut não vi nada. Andei para baixo e para cima. O que o mapa mostra está numa área de acesso condicionado.

Em desespero vou até à estação, onde o caos está instalado. Não sei se será sempre assim ou se é da época festiva. Acessos super controlados, controles aleatórios por parte da polícia. A mim não me abordaram, não sei se é uma espécie de imunidade para estrangeiros.

Gente muita, mas comida ocidental, zero. Aliás, minto… havia a única coisa de que não gosto mesmo… KFC.

Por esta altura estava obcecado com pizza. Consultas e mais consultas aos limitados mapas do Maps.me e decidi apanhar o metro, andar uma estação e tentar outros dois Pizzas Huts lá marcados.

Não os encontrei mas também não os cheguei a procurar. Fui sair num paraíso, uma estação de metro com imensas lojas de comida interessantes, num corredor que desembocava num espaço comercial de linhas modernas que me entreteve por algum tempo. Mas pizzas, nada. Tomei nota mental para um plano B mas continuei a pensar nas pizzas. E nisto vejo um ocidental com ar de residente e pergunto-lhe. Não conhece mas procura no telemóvel e indica-me o shopping U-Town, ali próximo. Excelente. Galopo até lá, dou a volta ao shopping e nada. Não encontro.

Já à saída vejo uma chinesa que se despede de dois ocidentais e pergunto-lhe. Então, mas é mesmo ali, na esquina, estás a ver? Agora sim!!

Comi a tal pizza ambicionada. Não foi a melhor da minha vida mas também não foi a pior e soube-me bem e isso é que é preciso. Acompanhei com uma cerveja. Que maravilha.

Sai revigorado. Paguei cerca de 10 Euros. Voltei à estação de metro maravilha, comprei pastéis de nata e outros abastecimentos e regressei ao hotel. Cheguei por volta das 18:00 e a partir daí foi só descansar.

Conversei um pouco com o único camarada de dormitório, um simpático jovem suíço italiano com uma carraspana de gripe. Espero não a apanhar.

E cá estou, preocupado com o amanhã, com as restrições à circulação de pessoas, cada vez mais apertadas. Espero conseguir chegar ao ponto de encontro e depois que consigamos todos chegar ao comboio e embarcar sem problemas.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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