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Locais: Brasov

Feitas as contas a todos os factores, a Roménia será talvez o país europeu favorito do Cruzamundos. E, de entre os muitos locais belos do país, Brasov poderá muito bem ser o local de eleição. Mas e o que tem esta pequena cidade de 250.00 habitantes de tão especial?

Na realidade Brasov localiza-se numa região – a Transilvânia – muito rica em pontos de interesse. Há Sibiu e Sighisoara, há Napoca-Cluj e o castelo de Bran, o tal do Conde Drácula. E pelo meio outras maravilhas, naturais e humanas. Mas o que distingue Brasov é a combinação de elementos.

Do ponto de vista histórico-cultural há um factor determinante: no século XIII sucessivos monarcas húngaros encorajaram o estabelecimento de colonos saxões na região que é hoje a Transilvânia. Pretendiam gente para habitar uma zona despovoada e que constituíssem um tampão de segurança contra as incursões dos “bárbaros” vindos das vastas estepes asiáticas. É por isso que hoje, apesar de Brasov ter sido parte da Hungria antes de ser integrada na Roménia após a Primeira Guerra Mundial (1918), se sente uma forte influência germânica na cidade. Melhor para o viajante, que poderá usufruir uma conjugação cultural única, com traços romenos, húngaros e alemães, bem claro, entre outras coisas, na arquitectura local.

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O centro histórico de Brasov é um encantador complexo de ruas calcetadas, estreitas vielas com muitas histórias para contar, edifícios com séculos de existência, um pouco neglicenciados, o que resulta afinal no toque de charme especial. Restam sólidos vestígios de um passado ainda mais remoto, torres medievais que remetem para um imaginário recheado de cavaleiros e dragões, mitologias de outras partes que se afiguram misteriosas para um distante português. As muralhas que envolviam a cidade antiga ainda se encontram por lá, segmentadas, assim como uma série de portões medievais por onde se vai escapando o trânsito automóvel.

A igreja Negra ergue-se imponente, junto a uma simpática praça onde crianças alimentam bandos de pombos e onde existem uma série de restaurantes e pubs com muita personalidade. Dali é um instante até se cruzarem as muralhas, e depois, paulatinamente, entra-se numa outra Brasov, que se vai fundindo no espaço rural envolvente, com ruelas pacatas e casario cada vez mais disperso. Sem se aperceber o visitante encontrar-se-á rodeado de um espírito de aldeia, onde o cantar dos galos substitui o bulício dos motores dos automóveis. E tudo isto a uma distância de dez ou quinze minutos do centro histórico.

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Mas há mais… o famoso cerro que se ergue, imponente, mesmo junto à cidade, tão próximo que parece uma parede vertical, no topo da qual se avistam as enormes letras que, como em Hollywood, se acendem à noite e formam a palavra… BRASOV. Quem disponha de tempo e disposição poderá ascender ao cimo dessa pequena montanha. Para tal existem duas hipóteses: ou se vai à volta, usando um estradão muito decente de terra batida, ou se usa a técnica pura e dura e se sobe por ali acima, sem contemplações, por trilhos por vezes de terreno complicado. Ou, melhor ainda, se conjugam as duas vias, absorvendo o melhor de ambas.

Ainda há bem pouco tempo existia uma comunidade de ursos nesta colina, mas depois de um ataque fatal, quando um dos animas desceu à cidade e atacou um cidadão desprevenido numa das ruas marginais de Brasov, os ursos foram capturados e devolvidos à liberdade numa região remota do país. O passeio é excelente, de uma enorme beleza, e a vista do topo compensa todo o esforço. O regresso, pela tal estrada, inicia-se num espaço totalmente natural, devolvendo o viandante à urbanidade de forma gradual.

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Se o Sudoeste da cidadela oferece o carácter campestre que foi referido, a direção oposta tem um sabor diferente, com muitos edifícios de uma geração que, se bem que clássica, é mais recente. A uma outra escala, faz pensar na arquitetura vienense, com algumas zonas construídas pela transição do século XIX para o XX.

Chegar a Brasov é simples. Para além de dispôr de um pequeno aeroporto internacional, dispõe de uma estação de comboios que a liga ao resto do país, nomeadamente às outras cidades que costumam ser integradas nos percursos transilvanos. E há sempre o transporte rodoviário, com os furgões e autocarros a ligar Brasov a todo o lado. Para chegar à Roménia, pode consultar na Rumbo.pt quais são os voos mais económicos. E a partir daí, mesmo que aterre em Bucareste, poderá dar um salto e usufruir das maravilhas de Brasov.

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About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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2 comentários

  1. Parece tudo tão espetacular! Fica a nota para um próximo desafio 😉

    http://www.ateondevaioumbigo.wordpress.com

  2. Um dia tenho de conhecer!

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