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Ásia 2017 – Dia 07 – Nizwa, Omã

Sexta-feira. Dia santo dos muçulmanos, o correspondente ao nosso Domingo. Acordamos às portas de Nizwa e isso é importante. Todo um plano foi alterado para que este momento sucedesse: estar nesta cidade na Sexta-feira logo pela manhã. E porquê? Para assistir ao famoso mercado das cabras, que na realidade é de gado, e não só de cabras.

A animação começa bem cedo, pelas oito horas, tinham-me dito, mas é provável que na realidade seja mais cedo, porque quando lá chegámos já muita coisa se passava. Vi logo à distância, da via rápida que atravessa Nizwa, e saí para a direita, estacionando o carro com facilidade, sem necessidade de entrar na confusão do enorme parque que ali existe.

Leilão de Gado de Nizwa

Há cabras e vacas, um par de turistas, mulheres vestidas de forma tradicional, homens de robe branco, carrinhas e camionetas carregados de animais. No recinto encontra-se a bicharada, presa a estacas, aguardando a hora da exibição, quando são levados pelo dono num circuito circular onde são observados por potenciais compradores que fazem licitações sobre os animais que lhes interessam.

É de facto um ponto alto da visita ao Omã, apesar de o número de turistas começar a ensombrar a experiência. Mas compreende-se. Esta feira vem em todos os guias do país e como só acontece às Sextas-feiras, o afluxo de estrangeiros é considerável.

No meu Rough Guide diz que as actividades se estendem até perto das 11 horas, mas ainda bem que não foi a contar com isso que vim, porque bem antes das 10 horas já estava tudo acabado, o desfile terminado, os animais vendidos, conduzidos pelos novos proprietários aos veículos de transporte, e a multidão dispersada.


Era agora altura de dar uma volta pelo souk. Existem vários, com personalidades diferentes, mas talvez por ser Sexta-feira o ambiente estava um pouco morto, com muitas lojas fechadas. Fica na memória um espaço improvisado, sobre as mesas de um café, onde se vendiam armas. Estas são parte importante na vida dos omanis, pelo menos fora de Muscat. Os velhos costumes estão bem presentes nas novas vidas, os antigos conflitos tribais podem regressar a qualquer momento, ninguém dispensa as suas armas.

Pagamos os 500 Beiza (meio Rial, ou seja, cerca de 1,25 Eur) para visitar o castelo, que alberga um museu da cidade. Depois, um chá no café do mercado de vegetais, que se parece muito com os nossos mercados cobertos. Compro tâmaras. Meio quilo delas por outro meio Rial. Adoro tâmaras e nunca comprei tão barato. E numa loja para turistas (a única onde vi tâmaras). Para terminar a visita a Nizwa, uma passagem pelo seu bairro antigo, localizado por detrás do mercado de vegetais.

Damos de seguida um salto a duas localidades próximas com pontos de interesse: Birkat al Mouz e Manah. O dia está quente e estamos na hora em que as pessoas se recolhem às suas casass em busca de uma frescura que hoje é simplesmente bem-vinda mas que no Verão é vital. Há pouca gente nas ruas, mas as que se avistam dão um perfume exótico a esta deslocação, instantâneos da vida real no Omã rural.

Em Birkal al Mouz exploramos as ruínas, mas não a principal, da cidadela, que se encontra toda vedada, em restauração tímida. Seria maravilhoso entrar, mas impossível. As portas da antiga cidade estão seladas por taipais e há demasiada gente, mesmo assim, para pensar numa entrada forçada.

Em Manah, visitamos o castelo, mas um castelo sem história no contexto da nossa visita. Mais complicado de encontrar do que o normal, quando chegamos está encerrado, o que não preocupa. Visto de for a é bonito, pequeno mas alto. Só que logo chega um tipo a abrir numa espécie “ mata-velhos” de onde sai quase a correr, para nos dar as boas vindas e convidar a visitar o castelo. Nestas circunstâncias não há como dizer que não. Lá fomos, subindo ao topo da torre mais alta. Foi um momento agradável, mas certamente se me quiser recordar mais tarde nem serei capaz de dizer em que parte do Omã ocorreu

Vamos ao Falaj ali perto, mais um do grupo que colectivamente é considerado Património Mundial da UNESCO. Foi por ali criada uma área de picnics onde há famílias que passam o seu dia de descanso.

Para acabar o dia, e antes rumar a Bahlat onde o luxo de um hotel nos espera, uma passagem pelo wadi e pela aldeia abandonada de Tanuf, não muito longe de Nizwa.

Desta vez foi fácil de encontrar, mas também é verdade que levava no GPS as coordenadas da aldeia antiga. Começamos pelo Wadi onde apesar da tarde se aproximar do fim ainda há muita gente a usufruir do dia de descanso, famílias juntas, grupos de amigos deitados à sombra das árvores, piqueniques. É fácil aqui vire há amplos espaços para deixar o carro. Caminhámos um pouco, até ao fim daquele primeiro segmento do wadi, aquele que penso ser o único adequado para estas actividades de lazer. É também uma excelente opção para acampar, apesar de, claro, não ter muitas garantias de privacidade. Talvez com o pôr-do-sol e num dia de semana, mas à Sexta-feira vai-se ter companhia.

Logo acima há uma barragem, que está vazia. A unidade fabril que processa o engarrafamento de boa parte da água disponível no comércio do país encontra-se um pouco mais acima.

Exploramos brevemente – até porque não é muito grande – a antiga aldeia, agora destruída. Ao contrário do que se passou na maioria das muitas aldeias abandonadas, Tanuf foi destruida por uma força exterior, nomeadamente pelos aviões da força aérea britânica, a pedido do Sultão anterior, o pai do actual Qaboos. É uma longa história, mas relaciona-se com as lutas pelo poder no país e pelo poder dos líderes religiosos baseados em Nizwa que tradicionalmente enfrentaram o desejo de consolidação nacional do sultão de Muscat.

A condução para Bahla é agradável e rápida. São uns 40 km por boa estrada. De forma que ao chegar ainda há um pouco de energia para passar pelo hotel, facilmente detectado à beira da estrada, e prosseguir até à pequena cidade. O imenso castelo ergue-se em local que não deixa dúvidas. É mesmo enorme, sem dúvida o mais imponente do Omã e está classificado pela UNESCO como Património da Humanidade. Já está fechado, claro. Mas amanhã também é dia. Ainda caminhamos um pouco por Bahla, mas rendemo-nos à exaustão e paramos para um chá masala numa coffee shop de um simpático indiano. E com isto encerramos o dia.

O Bahla Hotel Apartments é um hotel bem mais caro do que estou habituado a pagar – a rondar os 65 Eur – mas é um conforto que é bem vindo. O quarto é impecável, mas a Wi-Fi não chega lá o que é frustrante… se é para pagar conforto, esperava a perfeição (à minha escala, claro). Mas tudo bem… entre o corredor do piso e uma mesa do restaurante tenho o meu momento online.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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