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Coreia do Norte e China. Dia 9. Pequim. Outubro de 2019

Chegámos a Pequim à hora. Pouco passava das nove da manhã. A multidão que caminha numa massa compacta desde as plataformas, passando pelo túnel que conduz para o exterior é impressionante. À saída umas dez câmaras de vigilância tudo vêem e tudo registam.

Despeço-me dos holandeses caminho, feliz, bem disposto. Tinha saudades de estar sozinho, a manhã está amena e até ao hostel são cerca de 1,5 km. Um mimo.

Chego, bebo uma Coca-Cola, ligo-me ao mundo exterior por alguns instantes. Deixo a mochila e saio para a cidade.

A ideia é ir até à praça de Tianamen, que não tive oportunidade de visitar na primeira passagem por Pequim. As autoridades tinham-na encerrada para preparação das imponentes cerimónias do 70º Aniversário da revolução. E como descobri rapidamente, continuava fechada ao público: bastou tentar comprar o bilhete de metro e recebi logo a mensagem que a estação pretendida não estava disponível.

Não pensei muito, comprei bilhete para o Museu Militar. É mesmo assim, o nome da estação que serve o Museu Militar da China. Estava a deixar esta visita para o dia seguinte, que seria mais calmo e uma boa opção para uma Segunda-feira, quando muitas outras atracções se encontram encerradas. Mas as circunstâncias empurraram-me nesta direcção.

O metro passa sem parar pelas três estações que nesta linha estão encerradas. Que são logo a seguir à minha. Escapei por pouco das medidas draconianas. E logo estou lá. Uma pequena fila para os bilhetes. Que hoje são gratuitos.

O museu surpreende pela positiva. Não tinha lido coisas nada boas nos guias genéricos que tinha consultado. Enfim, comentários de quem está por fora do assunto. É um belissimo museu militar, com uma exposição de qualidade, uma colecção formidável de armas individuais e belas galerias de aeronaves e de material pesado. Não faltam as salas dedicadas ao passado militar mais distante, com dioramas, peças soltas, mapas, modelos.

O único problema era mesmo o excesso de visitantes. Ao contrário dos passageiros do comboio estes correspondiam ao estereótipo do chinês, barulhento e mal-educado. Já não podia com aquilo e estava a ficar cansado, o que me fez apressar a visita. Mesmo assim passei ali a manhã quase toda. Museu recomendado a quem tiver o mínimo interesse pela temática, mas de preferência a ser visitado pela manhã de um dia de semana.

Dali fui ver um monumento que existe ao virar da esquina. Pelo que tinha lido era interessante, mas no local não me encantou. Fiz meia volta, meti-me no metro e só parei na pizzaria já minha conhecida para matar saudades de um estilo alimentar mais familiar. Aproveitei para descansar, usar um pouco mais de internet.

E agora? O dia estava um bocado sem graça, cinzentão. Ou seja, não estava bom para nada em particular. Mas já que ali estava, leia-se, na linha 2 de metro, aproveitar para ir até a Templo Lama, umas paragens mais à frente. Porque não… se não gostasse, pois poderia sempre sair.

Correu bem, visitei, o bilhete custou 25 CNY. Estava bastante gente mas talvez pela natureza sagrada do local a experiência não foi tão violenta como a do Museu Militar. Alguns turistas ocidentais. Pouco a dizer. É um templo activo, as pessoas vêm queimar incenso, praticar a sua religião.

O dia continua tristonho. Como fazer mais qualquer coisa antes de me recolher? O Templo de Confúcio, ali bem perto. Bilhete a custar 30 CNY. Menos gente, menos turistas. E uma surpresa:e não é que há espectáculos de dança tradicional, várias vezes ao dia, sendo que o próximo ocorrerá dali a 3 minutos? Segui o caudal de pessoas, com pouca fé, mas estava enganado. A actuação foi curta, de uns quinze minutos, mas magnífica. Momento bom.

E agora estava na hora de regressar. Estava cansado. Felizmente o metro de Pequim está cá para estas ocasiões e aquela estação de metro cruzava com a linha 5, precisamente uma das duas que me serviam directamente.

Este Domingo, quer-me parecer, é o último dia da agitada semana em que todos os chineses se movimentam para algum lado. Havia muita gente no metro e um exército de voluntários que ajudavam em tudo o que era preciso e prestavam esclarecimentos.

Cheguei, fiz o checkin formal, paguei, tratei de tudo e fiquei a relaxar. Para hoje estava feito. Só saí para visitar o 7Eleven aqui próximo e regressei para um serão sossegado. Chegou um brasileiro.

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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Um começar bem matutino para estar na DMZ, a fronteira entre as duas Coreias ao abrir do lugar aos turistas. Depois visitou-se Kaeson, a cidade mais próxima da linha e onde existe um conjunto de vestígios históricos classificados como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. De regresso a Pyongyang ainda deu para viajar no metro e visitar um monumento grandioso.

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