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Médio Oriente 2015 – Shiraz – Dia 31

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Tomámos o pequeno-almoço juntos, o gang do dorm 3, ou, de forma mais romântica, do dorm Shakespeare. Tínhamos combinado de véspera visitar juntos uma certa mesquita aqui não muito longe onde de manhã, e apenas até determinada hora, a luz criava um ambiente extraordinário. Era tudo o que sabia e não estava preparado para a surpresa que aí vinha.

Caminhámos até lá, pagámos os 150.000 Rials de ingresso e chegámos ao páteo da mesquita. OK, é um páteo de uma mesquita… e onde está o excepcional do local…? Assim que entrei na sala de reza percebi logo e quase me sairam os olhos da cara…. os vitrais, que espectáculo! Uma das paredes da sala é feita de vitrais que, ao receberem a luz do sol no ângulo certo, projectam sobre o interior um caleidoscópio de côr incrível.

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Por sorte e por azar encontrava-se já no local um grupo de japoneses com uma figurante feminina que assumia posses místicas, jogando com um xaile com que se cobria. A barulheira que os asiáticos faziam era compensada com a oportunidade que nos davam de fotografar a sua modelo.

O momento foi muito especial, mas não há forma de encher parágrafos de palavras da mesma forma como tudo aquilo encheu minuto atrás de minuto. Foram-se os japoneses ficámos nós. Vieram e foram outros estrangeiros e, contudo, ficámos. Até sentir que já tinhamos sentido tudo, muito depois, saciados. Talvez o momento mais especial desta viagem pelo Irão, a par com a incursão ao deserto na companhia do Masoud.

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A seguir, já que estávamos ali tão perto, visitámos uma casa histórica onde se encontra instalado um museu de figuras de cera que contam a história do Irão. Fraquinho, considerando o preço (mais 150.000 Rials). Da casa podemos basicamente visitar apenas o páteo, porque as salas do pequeno palácio estão ocupadas por escritórios da administração.

Começava a pensar que tinha que ir levantar o bilhete de comboio que muito tempo antes da viagem tinha encomendado a uma agência de viagens aqui de Shiraz (que aconselho vivamente considerando o profissionalismo e fiabilidade demonstrados ao longo do processo. Poderá ver aqui: www.irantravelingcenter.com).

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Mas ainda haveria tempo para visitar em conjunto um mausoléu que dizem ser espectacular. Haveria se o pessoal não se tivesse perdido numa padaria de rua, provando isto e acoloutro, aceitando o convite para entrar para ver como eram preparados os biscoitos, comprando uma série de produtos diferentes… e o relógio a avançar, de forma que me despedi do grupo ali e pus pés ao caminho.

Acabei por andar uns 3 km, mas estava bastante calor e a poluição gerada pelo tráfego não ajudava. Encontrei o hotel onde a agência tem escritório, fui conduzido até lá, conheci a Parisa, com quem tinha trocado tantos emails e pronto, está tudo bem, o bilhete para Teerão já cá canta. Custou 27 Eur, incluindo o jantar. Para uma viagem de cerca de 700 km, num compartimento com quatro camas, e poupando uma noite de hostel. Não está mau.

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Durante o trajecto apreciei uma série de exemplos dos excelentes murais que se encontram em Shiraz. Aliás, em quase todas as cidades iranianas a “street art” tem uma presença muito interessante.

No regresso rodeei o castelo, um complexo muito fotogénico, com uma ampla torre circular em cada vértice, sendo que uma delas abateu, ganhando uma inclinação considerável. Meti o nariz no portão mas a entrada é paga.

Dali segui para o bazar principal, deliciei-me com um páteo onde existe um pavilhão que serve chá e outras bebidas Hesitei. Ficar ou não. Uma cama aguardava-me, à sombra, uma sombra que seria bem-vinda com aquela caloreira. Uma música local muito agradável ajudava ao ambiente. Mas não. Fui ver mais do bazar, que de resto é mais um.

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Começava a sentir-me muito cansado e considerando que tenho andando adoentado não quis abusar do corpo e comprometer os dias restantes em Shiraz. Caminhei até ao hostel.

Não voltei a sair. Estava desgastado e de resto não sentia necessidade. Com os dias habituei-me a lidar com este desgostar do Irão. Não é preciso ficar zangado, basta viver, como se estivesse noutro lugar qualquer, em casa, por exemplo. Ler, comer, beber, conversar. Coisas assim, que se fazem muito bem no Irão. E assim passei um belo resto de dia no aconchego deste belo hostel. À conversa com os meus amigos… e com a perda de dois deles, que partiram para outros destinos.

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Jantámos também por lá. Uma pela perna de frango com arroz, uma porção monumental que não consegui acabar… não compreendo que tipo de frangos têm por aqui, porque aquil não era mesmo uma perna normal.

Na hora da deita, senti o peso das camas vazias, dos amigos que se foram. O dormitório parece tão vazio assim.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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O dia do fim, do regresso a Teerão, para iniciar a longa viagem de regresso a Portugal. Mesmo assim aproveitado em Shiraz.

Um comentário

  1. Olá Ricardo:
    As fotografias são de uma grande beleza e acima de tudo estão nelas alma do fotografo!

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