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Walking Festival Ameixial

Para os que nunca ouviram falar, o Walking Festival Ameixial é aquilo que o nome indica: um evento de caminhadas que tem lugar no Ameixial, uma aldeia, junta de freguesia, do concelho de Loulé, no Algarve. É a junta deste enorme concelho mais para o interior, mais serrana, com a aldeia a ser atravessada pela EN2, aquela que é a mais longa estrada portuguesa, estendendo-se de Faro a Chaves.

Em 2017 chegou à sua 5ª Edição, mas infelizmente só tive conhecimento da sua existência no ano passado. O que equivale a dizer que perdi três ocasiões de me divertir à grande, que é o que tem sucedido de forma ininterrupta nestas duas vezes que me desloquei ao Ameixial para participar.

A primeira boa notícia é que isto é de borla. Bem, o ano passado foi. Este ano pediram uma taxa de inscrição de 5 Euros. Que fossem 20 Euros, valia mesmo assim a pena. Mas calma, ao chegar percebi que só o saquinho com prendas e brindes que recebi ultrapassava logo esse valor: assim de memória, faltando certamente alguma coisa, recebi um bastão de caminhada, feito à mão a partir de uma cana, uma barrinha energética bio, uma embalagem de compressas para lesões musculares, um cantil de água em alumínio.

Voltando ao cerne da questão: portanto isto são vários dias de caminhadas, dependendo do ano. Se for possível a organização escolhe datas para um fim-de-semana prolongado e a piada estende-se desde a noite da véspera do primeiro dia em que não se trabalha até ao final do último dia. Portanto, um serão e três dias. As opções de percurso são às dezenas! Sim, dezenas mesmo. Há para todos os gostos e condições físicas. Desde caminhada de longo curso, acima dos 40 km, passando por percursos intermédios, a rondar os 20 km, e acabando nos pequenos programas, com apenas 3 ou 4 km, talhados para os que levam crianças ou simplesmente não se sentem em forma para nada mais pesado.

Não se julgue que a coisa se limita a caminhar. Em algumas das propostas existem temas: a caminhada fotográfica, o percurso geológico, o passeio com o pastor, a orientação com mapas, a observação de aves, a interpretação de plantas medicinais, a companhia do apicultor… e atenção, a lista não se esgota aqui, estes são apenas alguns exemplos.

Da parte da tarde, terminados os passeios, têm lugar os workshops, de temas relacionados, como os primeiros socorros para caminhadas, técnicas de sobrevivência, preparação de refeições ligeiras para as caminhadas, leitura de mapas e fotografia aérea. Este ano esteve mesmo previsto uma sessão de astronomia, mas as condições climatéricas ditaram o seu cancelamento.

E depois, ao serão, há animação, música, festa, e num dos dias uma refeição organizada ao ar livre.

Para dormir, há sempre várias hipóteses: quem não quiser pernoitar tem transporte gratuito, de manhã para lá e ao fim do dia de regresso, desde a estação de comboios e de autocarros de Loulé. Mas a maioria das pessoas fica pelo Ameixial, nas casas de turismo rural que existem nas imediações, em regime de camarata no espaço disponibilizado na antiga escola primária ou em campismo, no recinto de futebol do Ameixial, com todas as condições (pontos de electricidade, casas de banho, etc).

São uns dias muito divertidos que aqui se passam, com um ambiente fantástico de manhã à noite, uma ocasião perfeita para fazer novas amizades e ter interessantes conversas.

Este ano cheguei no Sábado de manhã, a tempo de participar na primeira caminhada. Foi um percurso intermédio de 22 km, que me levou pela paisagem da serra algarvia, como de resto sucedeu com as duas seguintes, uma em cada dia, mais ou menos com a mesma extensão e com os mesmos ambientes. No total palmilhei 58 km. Foram muitas colinas vencidas, cortadas por entre campos de estevas e manchas de papoila, com aventuras e experiências inesquecíveis. Adorei descobrir fontes centenárias, currais de pedra, casas de telhado de colmo. Conversar com convidados vindos do estrangeiro, editores de revistas de grande projecção ou organizadores de eventos semelhantes noutros países.

Nesta altura do ano os campos estão no seu melhor, floridos, e o tempo costuma ajudar. Mesmo assim apanhei uma boa molha, mas só serviu para apimentar o dia, e não teve consequências. Foi até divertido.

A organização é soberba. Mesmo. Está tudo previsto, tudo desenhado para facilitar a vida dos participantes e dar-lhes conforto. É um milagre como conseguem fazer tanto sem cobrar basicamente nada. Adoro! E desafio o leitor a comparecer na próxima edição! Convém inscrever-se com antecedência, porque algumas actividades têm lugares limitados, especialmente as que implicam transportes, e esgotam. Faça-o no website do evento, para aí em Março.

 

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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Por Terras do Alentejo

Por Terras do Alentejo. Primeiro artigo de uma nova rubrica do Cruzamundos, dedicada à descoberta do nosso Portugal. À descoberta da região de Beja. Por Albernoa, pelas planuras de trigo e campos de oliveira, por aldeias de casas brancas e coloridas.

3 comentários

  1. Confesso que nunca tinha ouvido falar e agora aguçaste-me o apetite. Portugal não para de me surpreender.
    Abraço e obrigado pela partilha. (o site dá erro)

  2. Like a lot 🙂

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