2 de Fevereiro de 2023

No segundo dia completo em Patan abrandámos. A exploração intensa foi feita na véspera e agora há mais tempo para relaxar. Será mesmo assim um dia cheio de experiências sensoriais.

Continuo fascinado com o ambiente que me rodeia, especialmente com os templos e altares. São plenos de cor, transpiram história e contêm traços de uma cultura que para mim é misteriosa.

O ponto alto foi a Experiência AirBnB que tinhamos marcado para hoje.  Descobrimos quase por acaso isto no website do AirBnB. Por cerca de 10 Euros por pessoa temos uma visita guiada aos segredos de Patan. Calhou-nos o Jason, que durante um bom par de horas nos falou dos paradigmas religiosos dos nepaleses, da história do vale de Kathmandu e de aspectos bem escondidos da cidade, como a organização comunitária em pátios – um pouco como sucedia em Lisboa até à ao último quartel do século XX.

Com ele explorámos becos e passagens que antes nos pareciam invisíveis, mas que são parte integrante do quotidiano dos habitantes de Patan. Sempre com um detalhe a apontar o Jason levou-nos a recantos incríveis, plenos de tranquilidade e normalmente reservados às comunidades residentes.


Voltámos ao centro histórico de Patan, sempre cheio de cor e gente. Uma atmosfera fabulosa. Um visitante pode sentar-se ali a um canto, só a observar, e manter-se entretido durante uma boa parte do dia.

Apesar do cenário envolvente parecer saído de um filme as pessoas são reais. Por ali andam, nas suas vidas, naquilo que é o seu dia a dia, indiferentes ao que as rodeiam que, contudo, para nós é mágico.


Reparamos de novo nos danos causados pelo sismo de 2015. Aqui e ali vêem-se obras de renovação. Umas em curso, outras, a maioria, paradas ou abandonadas. Tudo isto depende do esforço e da boa vontade das ONG’s envolvidas no esforço de recuperação do país após aquele terrível dia.

E mais uma vez demos de caras com algo inesperado, um casamento, desta vez. Ou pelo menos acredito que o fosse. Música dentro de um terreno vedado, um vislumbre do que lá se passava e, cá fora, muita gente, vestida a rigor, com aquelas cores garridas, vermelho e tons de laranja acima de tudo.

Depois, outro, numa praça principal. Junto a um templo uma fila de mulheres impecavelmente vestidas faz uma linha. À porta alguns homens fizeram um monte de arroz que é distribuido por elas, à medida que passam.


Junto aos portões da cidade onde tínhamos chegado encontrámos um espaço de encontro para a juventude e ali vimos alguns painéis explicativos dos momentos de terror vividos durante a guerra civil nepalesa (1996-2006).

Numa praceta três homens já de idade conversam, enquanto um quarto lê o jornal, indiferente aos amigos. Consigo imaginar que aqueles quatro ali se reúnam há dezenas de anos, quem sabe, há meio século.

Comemos qualquer coisa no restaurante de um pequeno hotel de aspecto limpo. Espaço agradável, sossegado, bom serviço. Um porto seguro, uma mão dada com a nossa área de conforto, apenas um pouco, para relaxar.

Damos com um altar muito peculiar. Ali os deuses são ratos. Não de forma figurada ou representada. Não, são mesmo ratos, que ali habitam. São alimentados e estão livres de entrar e sair, passear na área, regressando quando assim querem.

Encontramos uma zona com muito comércio. Uma coisa fascinante (mais uma…) no Nepal é a riqueza do comércio. Há lojas atrás de lojas, durante centenas de metros e todas elas fazem negócio, recebem a sua muito justa parte de clientes.

E com isto faz-se tarde. É só tempo de apreciar a cidade já depois do sol posto, quando se desertifica, a vida desaparecendo rapidamente das ruas. Suponho que as pessoas regressam aos subúrbios residenciais, apesar de também por ali existir muita habitação. Se calhar é uma questão cultural, isto de se retirarem rapidamente depois da noite chegar.

A um canto encontro uma série de cafés e bares com bastante movimento. Parece ser o núcleo daqueles que preferem fazer algo diferente.

 

 

 

 

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