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América Latina 2016 – Dia 50 – Bogotá

O dia inicia-se já em Bogotá, depois de mais uma noite passada em aeroportos. Claro que não e a melhor situação, nem para o corpo nem para a alma, e o despertar anuncia uma manhã complicada. Os músculos estão doridos, o corpo pede um refresco, o sono turva os sentidos.

Acordei porque sim. Sem hora de saída, que a vontade é o limite. Estou em Bogotá e não quero usar um táxi para chegar ao centro. Há transportes públicos. Há até uma forma muito eficiente e simples de chegar ao aeroporto, mas os detalhes desta solução só os descobrirei mais tarde, durante a estadia na capital colombiana. Terão utilidade para a partida, mas para já procuro a paragem que toda a gente diz que não existe. A das carrinhas, digamos assim, “proletárias”, usadas pelo povo, pelos funcionários do aeroporto.

E não é que encontrei? É verdade que das variantes de castelhano que encontrei na América Latina, o colombiano foi o mais difícil, para mim, mas consegui chatear pessoas suficientes até obter as indicações necessárias. E depois chegou a carrinha, entrei, segui apertadinho, olhos no GPS, sem fazer ideia do sítio certo para sair… às tantas dava para perceber que se chegava ao centro histórico. Acabei por escolher uma paragem.

Era muito cedo e as ruas estavam desertas. Encontrei o hostel, dormia profundamente, tudo fechadinho. Sentei-me numa praça ali próximo, sem nada melhor para fazer. Aguardando. O edifício estava mesmo ali à minha frente, na esquina, com as paredes cobertas de bonitos graffities. Toda aquela zona da cidade está assim, parece um museu de murais. É a La Candelaria e tinha hesitado bastante antes de me decidir ficar alojado por ali. Havia muitas referências a crime. Mais uma vez, e outra vez, quando é que vou aprender… essas “informações” estavam completamente errada e La Candelaria revelou-se uma área 99% segura. Depois de ter andado por ali durante uns dias, sempre de olhos abertos para observar tudo, não vi nem um traço de ameaça, nem uma personagem suspeita, nem um vestígio de medo no olhar das pessoas nas ruas. O único sinal de que não estava numa pacata cidade provincial da Escandinávia, no que toca a crime, era a presença de elementos da segurança (suponho que contratados pela municipalidade), quase em cada esquina, com cães de aspecto ameaçador.

 

Entrei no hostel e tive alguns problemas: a única cama disponível era num dorm encostado à recepção e o barulho era constante. Precisava de descansar e não consegui. Ponderei encontrar outro hostel, mas não vi nada que me agradasse. Acabei por ficar e no fim o balanço foi positivo… à noite o barulho acabava e o restante pessoal era bastante civilizado, de forma que apenas as sonecas diurnas se viram ameaçadas pelo bater da porta e pelo tocar do telefone.

Já que não podia dormir fui passear. De início um pouco a medo. A Colômbia tem uma má imagem no que toca a segurança e Bogotá é a sua capital. Ganhei confiança. Começou a parecer-me uma cidade totalmente normal. Muita juventude nas ruas, e depois percebi que este bairro estava junto a uma série de universidades e basicamente é um bairro universitário, repleto de cafés simpáticos, restaurantes bem frequentados e de baixo preço, muita cultura, muito dinâmico.

Estava a adorar! E mais fascinado fiquei quando cheguei à espectacular praça Bolivar, o coração da cidade, logo, do país. É ampla, rodeada de edifícios históricos e o local onde tudo se passa. Os colombianos que vão a Bogotá não a perdem, é usada para manifestações, espectáculos de rua e a qualquer hora do dia é um ponto ideal para observar pessoas.

Numa das suas esquinas, o posto de turismo, onde uma simpática funcionário me deu um mapa, explicou-me muita coisa, marcou-me na folha uma série de pontos e definiu as fronteiras da segurança, que funcionam de forma bastante objectiva: há ruas que não se podem atravessar e pronto.

Dali fui ao Museu da Independência, basicamente na esquina oposta da praça. Como me disse a menina do Turismo, em Bogotá os museus ou são gratuitos ou são a um preço simbólico. Não me levou muito tempo a percorrer o museu, uma colecção interessante reunida e exposta num edifício histórico. Para além da Independência o Museu dá uma ideia geral da história de Bogotá com especial foco no século XIX. Aproveitei para conversar um pouco com um segurança do museu sobre… segurança. Que querem… gostava mesmo de ir até à Casa-Museu de Simon Bolivar e olhando no mapa a localização parece um pouco arriscada, junto às montanhas, numa área verde, de parques. Mas o meu amigo disse-me que o risco era zero e decidi ir.

Antes vagueei um pouco mais, andando pelas ruas do centro histórico e depois fui-me aproximando. Foi um passeio em grande. Apercebi-me que estava a penetrar em terreno universitário. Cada vez via mais jovens e pouco depois comecei a ver as próprias universidades, com campus fabulosos, na via pública, onde os estudantes se reuniam criando um fabuloso ambiente.

E logo à frente a tal casa de Bolivar. Ali viveu o herói sul-americano pouco mais de um ano, a partir de 1820. A propriedade é um palacete envolvido por bonitos jardins e é um oásis de tranquilidade e frescura que muito gostei de visitar. Não estavam muitas pessoas por lá. Na realidade senti-me sozinho e demorei-me bastante, para apreciar mo ambiente e ver os detalhes com calma. Adoro estes locais, com história e onde grandes figuras da História pisaram… só de pensar que tocaram os meus objectos que eu… até arrepia!

A tarde ia avançada e é preciso recordar que não tinha dormido grande coisa. Estava na hora de ir andando em direcção a casa. Deixando o palacete de Bolivar para trás vi que com a aproximação da hora de ponta havia muito mais pessoas na rua, e que a multidão continuava a ser composta essencialmente por estudantes. Tinha fome e passei perto de muitos restaurantes, mas estava bloqueado por uma timidez estranha e continuei a andar.

Foi já na rua do hostel que entrei num café com um ambiente muito universitário e comprei um somo natural e uma fatia de bolo. Foi muito barato, cerca de 1 Euro pelas duas coisas, e a qualidade era imensa. Soube-me mesmo muito bem! Que dia em grande!

Mas sentia-me cansado. Pudera! Quase sem dormir e tanta passeata! Estava a adorar Bogotá. Mais uma cidade tão agradável num país maravilhoso. Decididamente o astral estava em cima e esperava pelo que o dia seguinte me traria.

 

 

 

 

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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Um dia descansado em Cartagena, usado para rever e explorar apenas um pouco mais.

2 comentários

  1. Ola boa tarde
    quais as companhias mais acessíveis para a america latina , como por ex Peru

    obrigada e parabens pelo seu bloq

    • Oi Ana Paula, quando procuro uma viagem assim, mantenho-me atento às promoções, e essas nunca se sabe de onde vêm. Fora promoções, tipicamente as ligações a partir de Espanha são muito numerosas, pela proximidade cultural e histórica, e companhias como a Air Europa devem ser seguidas.

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