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América Latina 2016 – Dia 46 – Guatapé

Foi simples apanhar um táxi para o aeroporto e embarcar para Medelin. Um pouco a medo, com os ouvidos cheios das histórias de horror de quem mandou parar um táxi na rua e acabou raptado, roubado e sei lá mais o quê. Mas não no meu caso. Acabei no aeroporto e bem, sem sobressaltos nem problemas.

Voo tranquilo com a VivaColombia!. Mais um.Pouco tempo depois estava em Medelin e adorei o aeroporto, super organizado. À saída uma série de carrinhas modernas esperam os passageiros para os levar aos seus destinos, segundo uma série de circuitos pré-definidos que cobrem a maioria dos locais do costume. A coordenar há pessoal que esclarece os viajantes e lhes indica o transporte que procuram.

No meu caso foi simples. Ia para a Estação de Leste, uma das estações de autocarros de Medelin, e logo o coordenador me orientou para a carrinha que me servia melhor.

Foi uma viagem pacífica, que vi com os olhos muito abertos, especialmente quando passámos junto aos famigerados bairros degradados de Medelin. Num instante estava na Estação del Leste, atravessei a rua e entrei no imenso complexo rodoviário que é exemplar.

Uma maravilha de modernidade e organização, uma surpresa totalmente inesperada. Comprei alguns abastecimentos em problemas e procurei a bilheteira certa para o meu destino, Guatapé. São dezenas, se não centenas, de pequenos escritórios, vendendo passagens para múltiplos destinos que são servidos por empresas diferentes. Poderia ser complicado se não fosse o facto de toda a gente ser super simpática e prestável.

Perguntei a um segurança onde era para Guatapé e ele disse-me logo os possíveis números. Depois foi só caminhar até lá, comprar o bilhete, perguntar onde se apanhava (era mesmo ali ao lado) e esperar um pouco pela partida do autocarro.

Mais uma viagem agradável e muito pitoresca, especialmente depois da grande cidade ter ficado para trás e o espaço rural substituir a selva de betão.

Antes de Guatapé, uma cidade de médias dimensões, que me pareceu bastante interessante. Depois, já a chegar, o famoso rochedo, um enorme colosso de pedra que se eleva a uma altura considerável e que se pode visitar chegando-se ao topo depois de se subir uma escadaria sem fim.

Por fim Guatapé. Cheguei a meio da tarde e explorei bem a pequena cidade. A sua história recente conta-se em poucas palavras: era para ter sido submergida por uma barragem e afinal foi-o apenas parcialmente. Muita gente partiu, mas os que ficaram reagiram, decidiram-se a mudar o que o destino tinha destinado para si. E mudaram a face de Guatapé, enchendo-a de cor, trazendo-a para as primeiras páginas dos jornais e transformando-a num destino turístico.

Andei por ali, passeando entre aquelas casas tão bem pintadas e decoradas, fascinado por tanta animação, pelos camiões castiços, pelo cavaleiro solitário que se bamboleava no topo do seu cavalo. Passei por quase todas as ruas, lendo os painéis turísticos que explicavam este ou aquele aspecto, vi as imagens que mostravam uma Guatapé que já não existe.

Por fim dediquei-me a descobrir o meu hostel para a noite, que não era bem na cidade, pelo contrário, bem afastado. Lá fui, seguindo as notas e as coordenadas, mas andei tanto que já me começava a dar como perdido, com a agravante de que a noite começava a cair. Perguntei a umas pessoas que me confirmavam ser mais à frente e por fim cheguei.

Não gostei nada da experiência. O hostel tinha um ambiente muito específico, de malta alternativa, cabelos rasta e ganzas a trocar de mãos. Tudo bem, nada contra isso. Mas o meu problema é com esta xungaria que com aquelas peneiras de tolerância e anti-tudismo (anti-racismo, anti-xenofobia, enfim, anti qualquer coisa que não seja exactamente o que eles pensam e como estão na vida) acabam por ser uma corja intolerante que não suporta diferenças e que exclui com um desprezo arrogante quem está algo a lado da sua onda. Como eu e outro viajante que lá estava e com quem falei, até sobre o assunto. Escrevi uma boa review bem negativa a este hostel, com pena apenas dos proprietários,um casal de franceses, que apesar de serem daquela onda eram bastante simpáticos e nada daquela atitude de m****.

About Ricardo Ribeiro

Comecei a cruzar o mundo já tarde, mas num espaço de tempo relativamente curto senti recuperado o atraso. Foram cerca de cinquenta países e muitas experiências, em apenas nove anos, quase todas narradas no blog Papaléguas. Mas esses escritos são apenas um diário de viagens. Senti que tinha mais a contar, que podia ensinar algo. E decidi iniciar um segundo blog. Se o primeiro pode ser definido como “de viagens”, este é “sobre viagens”.

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