7 de Dezembro de 2025

De Chinguetti, na nossa rota, seguia-se Ouadane, mais para oriente, um percurso de ida e volta, uma ponta solta para resolver no itinerário. Mas Ouadane impunha-se. Afinal de contas era uma das aldeias históricas, uma das três que formam o UNESCO World Heritage Site das aldeias da rota do Sahara.

Saímos de Chinguetti, mas nos arredores havia ainda outro elemento para visitar: o núcleo histórico da aldeia, abandonado por razões geográficas, quase todo enterrado em areia, mas onde se pode ver ainda uma boa parte da mesquita deixada para trás.

Mais à frente parámos junto a uma orla do deserto de dunas douradas. Ali próximo havia uma pequena aldeia rural, talvez um acampamento nómada prolongado.  Quando nos preparávamos para o cházinho da ordem, apareceu um tipo com o filho. Disse que era o proprietário daquela terra. Talvez fosse. Mas não colocou problemas, só se abancou para o chá e para a conversa. Foi-se embora com o mais jovem, desaparecendo tão depressa como tinha aparecido.

A viagem não foi longa, chegámos ao destino à hora do almoço. Mas o meu humor bateu no mínimo histórico desta tour. Talvez tenha começado com as nuvens tristes. Talvez tenha sido um problemas de expectativas. Ou o lugar do alojamento, não o mais básico da viagem mas sem dúvida o mais desagradável. Gente antipática, ou, vá, menos simpático. Num dos tapetes que deveriam ser para os hóspedes está deitado um gato com um aspecto deplorável, doente, com o corpo quase todo em carne viva, o pelo sendo apenas uma sua memória.

O almoço foi uma bela porcaria. Não, não estava a gostar nada disto aqui. Os meus companheiros foram visitar a cidade antiga, eu fiquei no quarto. Pelo menos ali fechado estava isolado de tudo o que me perturbava neste dia. Ou pensava que estava. Uns 15 minutos de ter sido deixado a sós, um barulho súbito arrancou-me da letargia que quase de certeza me teria conduzido a um belo sono.

Pois o proprietário achou que a melhor hora de ir martelar no MEU tecto era após a chegada dos hóspedes e não antes. As pancadas prosseguiam. Rendi-me. Tinha que sair dali para me abrigar daquela agressão auditiva.

Fui andando pela estrada, passei por um polícia sentado numa espécie de um posto de controle. À volta já não havia ali ninguém. Estava calor, claro, ali e naquele dia nada ajudava.

Subindo, cheguei a uma parte da aldeia mais interessante. Vi ao longe a parte antiga, onde os meus amigos andariam. Passeei um pouco sem grande entusiasmo. Suava, estava com um humor de cão.

Acabei por não visitar a famosa Ouadane, parte das cidades integradas no Património Mundial da Humanidade UNESCO.

Regressei e isolei-me do mundo esperando que este dia passasse.

 

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