Estão em vigor no Egipto, em princípio até final de Abril de 2026 as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro egípcio Mostafa Madbouly, como resposta a uma crise energética desencadeada pela guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. Antes do conflito, a factura mensal de energia do Egipto rondava os 560 milhões de dólares — hoje, o país paga 1,65 mil milhões pelo mesmo volume de combustível.
Lojas, centros comerciais, restaurantes e cafés têm de encerrar às 21h nos dias úteis, com uma ligeira extensão até às 22h às quintas e sextas-feiras. Supermercados, farmácias e estabelecimentos de primeira necessidade estão isentos. O governo reduziu também em 30 por cento a dotação de combustível para veículos oficiais, cortou em 50 por cento a iluminação das ruas e da publicidade exterior, e introduziu o teletrabalho aos domingos para funcionários não essenciais a partir de 1 de Abril.
O bloqueio do Estreito de Ormuz deixou milhares de petroleiros imobilizados, fazendo disparar os preços do petróleo e perturbando as rotas de abastecimento global. O Egipto não é parte no conflito, mas, enquanto importador líquido de energia, é um dos países mais afectados da região. Marrocos, a Tunísia e a Jordânia adoptaram medidas semelhantes.
No terreno, o impacto é visível. O Cairo — cidade há muito celebrada por nunca dormir, com cafés, salões de narguilé e tasquinhas abertas de madrugada — fica estranhamente silencioso a partir das 21h. Muitos pequenos negócios, cujo pico de movimento começa precisamente ao fim do dia, estão a sofrer. Alguns donos de cafés já reduziram os seus trabalhadores em 40 por cento ou mais.
O ministro do Turismo, Sherif Fathy, garantiu que as restrições não afectarão os turistas nem os principais destinos do país, existindo isenções para estabelecimentos virados para o turismo. Mas os empresários locais mostram-se cépticos — no Egipto, os turistas saem tipicamente à noite e de qualquer modo as alterações nos comportamentos locais afectam a experiência do visitante. Num país onde a vida ganha vigor depois do sol posto, deve ser uma medida dolorosa para o cidadão comum.
