Dia 30 de Dezembro de 2025
Que dia! Todos pimpões para o aeroporto, o Rachid, condutor de TukTuk, lá estava em baixo, exactamente à hora combinada: 09:00. Pelo caminho abriu-se um pouco nas críticas ao governo e ao presidente, que nos disse ser um dos mais corruptos do mundo. Pelo caminho, já na Airport Road, mostrou-nos de longe a sua casa, e deixou-nos à entrada da área do aeroporto.
E depois, o drama. O nosso voo não estava no sistema. A simpática funcionária da Skyward fez de tudo. Ligou para o escritório, onde também não encontraram vestígios da reserva. Pediu-nos para sentar enquanto investigavam a situação e logo me pus em contacto com o suporte do booking.com para fazer a minha própria inquirição. E passado um pouco o problema revelou-se. Simplesmente burrice do Cruzamundos. Primeira vez nestes anos todos, digo em minha defesa. Troquei o mês ao fazer a reserva e marquei para Janeiro em vez de Dezembro. Lá estava ela, a minha reserva, escondida no final do mês seguinte.
As meninas da Skyward foram muito simpáticas e disseram que o voo estava cheio, mas se houvesse alguém que não comparecesse, nos meteriam no avião para Lamu hoje mesmo. Não aconteceu. Toda a gente veio.
Entretanto o caos na minha cabeça. Isto tem efeito dominó: avisar o anfitrião em Lamu, ir pensando em arranjar já um sítio onde ficar em Mombasa. O “nosso” apartamento já está reservado para outras pessoas. E depois há que pensar nos bilhetes de autocarro comprados mais para a frente, na reserva feita no Uganda. Harmonizar tudo, mexer os novos ingredientes, e cozinhar um bolo diferente a partir daquilo.
As peças do puzzle só se encaixaram mais tarde. Tinha-me posto em contacto por e-mail com a Skyward, e as respostas tardavam. O Arnold, de Lamu, escrevia-me mensagens cheias de informação substancial, planos alternativos, possibilidades. Decidimos onde ficar mais um dia, pelo menos, em Mombasa. Uber para lá. Neste mundo de coincidências deram-se duas a um só tempo. Primeiro percebi que onde iríamos ficar era na mesma rua onde estávamos há dois dias. A uns 150 metros. Depois, o condutor do Uber disse-nos que naquele mesmo edifício tinha ele comprado o seu primeiro carro, há muitos anos atrás.
Ficamos bem instalados. Até Netflix há, numa bela TV Samsung. Vou aproveitar a oportunidade para ver a segunda temporada de Rabo de Peixe e uns quantos episódios de Lillehammer.
Sempre a trabalhar no redesenhar dos planos. Saímos para almoçar no já conhecido Camel’s Joint e replicámos os passos do primeiro dia, caminhando até ao supermercado. As ruas estão agora diferentes. Perderam a escuridão sinistra e estão hoje cheias de pessoas e movimento. As lojas encontram-se abertas, o tráfego é intenso e mesmo o supermercado está repleto de clientes.
De volta a casa as coisas ficaram mais ou menos definidas. Depois de muito esforço lá consegui uma forma viável de pagar os 40 e tal Euros pela remarcação do voo para dia 1. Daqui a dois dias. Outras possibilidades seriam seguir de autocarro esta noite ou na manhã seguinte. Mas para um castigo desses já tenho a viagem Lamu – Nairobi. Ou então seguir por transportes públicos para uma cidade a 100 km de Nairobi onde há um aeroporto com uma ligação directa para Lamu amanhã. Demasiado esforço e dinheiro.
E pronto. Podia mais ou menos relaxar, ciente que ainda precisaria de repensar o plano estrutural depois de dois dias a marcar passo em Mombasa.
Encontrámos o anfitrião anterior, já que tinha que lhe pagar a estadia. De manhã não apareceu a tempo e tivemos que sair sem o ver. Ficámos um bocado na cavaqueira, como bons velhos amigos. Foi um momento agradável.
De seguida um TukTuk para o café do Hostel Tulia Old Town, onde estiveramos na véspera. Precisava de trabalhar. E de escrever estas linhas. Foi o fim de um dia com alguma angústia, mas tudo se resolveu.
