27 de Dezembro de 2025

A primeira linha desta viagem por alguns países africanos escreveu-se quando comprei as passagens aéreas. Com alguma hesitação considerando a má imagem das linhas aéreas angolanas, TAAG, acabei por não resistir aos tentadores 370 Euros a pagar pelos voos Lisboa – Luanda – Nairobi – Lisboa – Luanda.

O plano seria aterrar em Nairobi, rumar a Mombasa, ver como corriam as coisas, na certeza que o passo seguinte me traria até ao Uganda e depois ao Rwanda. Por fim o Burundi, o patinho feio da viagem, pela dificuldade relativa de obtenção de visto e sobretudo por ter a fronteira com o Rwanda encerrada há cerca de um ano. Ou seja, para lá chegar haveriam duas opções: ou voava e pagava um valor estranhamente elevado ou iria à volta, tendo que entrar primeira na Tanzânia (mais um visto).

No meio disto tudo havia ainda o Natal, a festa de família, a estorvar a data de partida: 27 de Dezembro, logo pela manhã, do aeroporto de Lisboa.

As coisas alinharam-se e acabou por avançar tudo. E assim, neste dia, ainda a meio da noite estava a acordar e a aproveitar a boleia da minha irmã para o aeroporto. Estava tudo estranhamente eficiente em Lisboa. Segurança, controle de passaportes, embarque.

A usual volta ao fim do mundo para chegar à aeronave da TAAG de autocarro, castigado por um frio pouco usual, com o termómetro a bater nos 4 graus aquela hora.

Embarque rápido. Tudo dentro do tempo previsto. E depois, uma hora de atraso, com a cortesia do aeroporto Sá Carneiro.

Foi um voo quase perfeito. Lugares espaços, escolhidos online de forma gratuita, um pequeno-almoço agradável e um almoço ainda melhor, pessoal bem disposto, um sistema de entretenimento adequado, casas de banho em número suficiente para servir os passageiros sem esperas, um ambiente tranquilo na cabina. Deu para dormir, ler, relaxar. E assim o tempo passou-se bem e umas sete horas depois estávamos a aterrar no novo aeroporto de Luanda.

Uma novidade muito pouco conveniente para mim, que planeava usar a longuissima escala de mais de 12 horas no regresso para explorar o centro histórico de Luanda. Mas agora, com um aeroporto a mudar-se da malha urbana para um ermo a 50 km de distância, o plano teria de ser reavaliado.

Mas nem tudo foi mau com esta surpresa. Fui encontrar o aeroporto espaçoso, bem planeado, muito confortável, com postos de carregamento de energia e Wi-Fi gratuita. Um cenário ideal para passar as seis horas até ao segundo voo do dia, que seria na realidade nocturno, de Luanda para Nairobi.

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