A 11 de Abril, um voo da easyJet com destino a Málaga, identificado como EJU7008, estava preparado para levantar voo a partir de Aeroporto de Londres Southend. Os passageiros já se encontravam todos a bordo e só faltava a autorização final. No entanto, essa autorização nunca chegou: o Airbus A319 encontrava-se acima do peso considerado seguro para descolar.

O problema estava ligado às características do aeroporto. A pista de Southend, com apenas 1856 metros, é mais curta do que o habitual, o que exige que os aviões atinjam a velocidade necessária para levantar voo num espaço mais reduzido. Em circunstâncias normais, isso não representa um obstáculo, mas naquele dia havia dois fatores complicadores: vento contrário e temperaturas mais elevadas do que o esperado. Estas condições diminuem o desempenho da aeronave e reduzem o peso máximo admissível para uma descolagem segura. Perante isso, a tripulação teve de encontrar uma solução antes de poder seguir viagem.

A proposta apresentada aos passageiros era direta, embora pouco confortável: seria necessário reduzir o peso a bordo. Foram colocadas três hipóteses — voluntários para sair do avião, passageiros que aceitassem viajar sem bagagem, ou, em último caso, o cancelamento do voo. Foi dado um prazo de meia hora para decidir, mas nem foi preciso tanto tempo. Cinco pessoas aceitaram desembarcar, o que permitiu cumprir os limites de segurança. O voo acabou por partir com apenas 12 minutos de atraso e, segundo a BBC, os passageiros que permaneceram a bordo reagiram com aplausos.

Quem saiu do avião não ficou prejudicado. Esses passageiros foram colocados noutro voo no mesmo dia, desta vez a partir de Aeroporto de Londres Gatwick, chegando a Málaga dentro do horário inicialmente previsto. Além disso, têm direito a compensação ao abrigo das regras europeias de proteção dos passageiros aéreos.

A companhia aérea não demonstrou surpresa com o sucedido, salientando que situações deste tipo fazem parte da operação normal da aviação comercial. Aliás, já em 2023 tinha ocorrido algo semelhante, quando a mesma transportadora pediu a cerca de vinte passageiros que abandonassem voluntariamente um voo entre as Canárias e Liverpool. Outros casos recentes mostram que não se trata de uma situação isolada: em Agosto de 2025, a British Airways enfrentou um cenário idêntico num voo entre Florença e Londres, devido ao calor intenso que afetava o desempenho da aeronave. E no próprio aeroporto de Southend, a Loganair também teve de pedir a alguns passageiros que não embarcassem num voo para Derry, desta vez por causa das condições meteorológicas no destino, que tornavam a aterragem demasiado arriscada com o peso total da aeronave.

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