Um despertar para os sons da manhã, da vida que se desenrola sob a nossa varanda. As indas e vindas dos habitantes do lugarejo mais à frente, uns a pé, outros de motorizada. E a criançada que passa para a escola, amigos para sempre, talvez.

O pequeno-almoço é servido. Nem bom nem mau. E vamos pensando já no plano para o dia. O primeiro ponto é um espaço na natureza de onde se pode apreciar a passagem deste outro Nilo em direcção ao Índico, pouco mais à frente. De Uber, claro. Apenas uma vez será feito o percurso do alojamento para a cidade a pé, e o calor ensinou-nos a lição.

Fomos encontrar uma vista refrescante, com muito verde, o rio passando e nele alguns canoístas. É um espaço dos escuteiros locais, apoiados por um grupo inglês, de uma cidade qualquer, que aqui costumam vir reunir-se e que contribuem para a manutenção da área.

Converso um pouco com o administrador do espaço que me conta algumas histórias sobre o lugar e o que ali se vai passando. É literalmente refrescante, talvez devido à sombra proporcionada pelas árvores altas e pela proximidade do rio.

Mais um Uber, desta vez para o museu ferroviário. Fica relativamente perto do centro da cidade, na estrada que vem da fronteira e segue para a capital do país. Somos recebidos por uma jovem, apaixonada pelo seu trabalho e pelo seu museu. Dá-nos uma explicação sumária sobre o museu, vende-nos os bilhetes e deixa-nos à vontade.

Como Museu Ferroviário não é grande coisa. Practicamente não tem material circulante e a sala de exposição é pequena, com um espólio algo pobre. Instalado na histórica estação ferroviária de Jinja, inaugurada em 1928, o museu abriu ao público em Março de 2022. Por vezes tem exposições temporárias que podem ser interessantes, como uma mostra sobre os refugiados polacos que chegaram ao Uganda durante a Segunda Guerra Mundial, muitos dos quais viajaram pela Uganda Railway depois de desembarcarem no Quénia. Mas quando visitámos, nada. O que gostei mais aqui foi da própria estação, muito bem mantida.

Este foi um dia longo. No bom sentido, bem preenchido. Depois da foz do Nilo e do museu ferroviário passeámos no centro, tomando a Main Street como referência. Comemos qualquer coisa num café de boa pinta, explorámos as ruas adjacentes, vimos edíficios de arquitectura colonial, até um com nome português, o Menezes, datado de 1931.

De resto não há muito que ver. Vale pelo palpitar de vida africana, pelo comércio, pela cor. Falámos com um grupinho de simpáticas meninas, fizemos umas compras no supermercado e apanhámos um Uber até ao cemitério militar, onde se encontram as campas dos soldados britânicos que morreram durante a Segunda Guerra Mundial. É um espaço bem tratado, como quase todos os que têm a chancela da Commonwealth War Graves Commission.

O dia está a acabar e estamos cansados. Já andámos bastante, sempre com o calor a apertar, e agora apetece fugir para o nosso paraíso à beira-mar. Já vou imaginando uma cerveja gelada e um duche. Mas o raio do Uber que teima em não aparecer. Desta vez não foi fácil. Andámos um pouco até à porta de um hospital principal, que sempre é uma referência mais específica.

Enquanto esperámos sempre deu para observar a vida local, o vai vem de pessoas que entram e saem dos terrenos do hospital, a angústia dos que esperam por notícias dos seus entes queridos, a descontração de outros, quem sabe, receptores de boas novas.

E por mim já o vejo, vem o carro, regressamos ao alojamento para um serão tranquilo dividido entre o bar e o nosso próprio quarto.

 

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