Passar pelo controlo de fronteiras costuma ser um dos momentos menos agradáveis de qualquer viagem: filas, carimbos, a espera pela vez de mostrar o passaporte a um agente. No Aeroporto Internacional do Dubai (DXB), esse cenário está a começar a desaparecer. A autoridade responsável pela imigração, a General Directorate of Residency and Foreigners Affairs (GDRFA), colocou em funcionamento um corredor biométrico apelidado de “Travel Without Borders – Red Carpet”, que consegue confirmar a identidade de um passageiro em apenas 3,4 segundos, sem que este precise de parar, mostrar documentos ou interagir com qualquer agente.
O funcionamento é relativamente simples do ponto de vista do viajante. Antes da viagem, os dados do passaporte e uma fotografia do rosto são registados junto das autoridades do Dubai. Ao chegar ao aeroporto, o passageiro segue por um corredor equipado com câmaras avançadas que cruzam, em tempo real, os traços biométricos do rosto com os dados da reserva e do voo. Não é preciso parar numa cabine nem exibir o passaporte: basta caminhar. O sistema consegue processar até dez pessoas em simultâneo, o que reduz drasticamente o tempo médio de espera face aos processos manuais tradicionais, que rondam os 12,5 segundos por passageiro.
O projeto não nasceu do zero. A tecnologia constrói-se sobre o chamado “smart tunnel”, introduzido no Dubai em 2020, e sobre os já disseminados Smart Gates, portões automáticos que utilizam reconhecimento biométrico e que, só no primeiro semestre de 2026, foram usados por mais de nove milhões de passageiros. A componente mais avançada, o corredor “Red Carpet”, que dispensa por completo qualquer paragem, foi inicialmente reservada a passageiros de Primeira Classe e Executiva no Terminal 3, mas está agora a ser alargada progressivamente a todos os viajantes que chegam ao aeroporto. Segundo dados oficiais, mais de 439 mil pessoas já experimentaram este serviço na primeira metade do ano.
Apesar da rapidez, o processo mantém uma camada de supervisão humana: equipas de segurança continuam a monitorizar o sistema e têm autoridade para intervir sempre que um passageiro seja sinalizado como potencial risco, podendo realizar verificações aleatórias a qualquer momento. A tecnologia foi também pensada para identificar objetos suspeitos nas bagagens, e a ambição das autoridades do Dubai vai mais longe: a médio prazo, o objetivo é que os passageiros possam entregar a bagagem no check-in e seguir diretamente para o portão de embarque, sem qualquer paragem intermédia.
Para o Dubai International, que voltou a fechar o ano como o aeroporto mais movimentado do mundo em tráfego internacional, com mais de 95 milhões de passageiros processados, a equação é sobretudo uma questão de capacidade. Reduzir o tempo que cada pessoa passa nos terminais permite atender um volume maior de viajantes sem necessidade de expandir fisicamente as instalações — uma vantagem competitiva relevante numa altura em que vários dos principais aeroportos do mundo continuam a braços com filas e sobrelotação nos períodos de maior procura. Não é por acaso que outros grandes aeroportos internacionais, incluindo alguns em Londres, estão a acompanhar de perto os resultados deste projeto-piloto, na expectativa de replicar o modelo caso este se revele bem-sucedido em grande escala.
