Quem já reservou uma viagem em condições não reembolsáveis para poupar uns euros sabe bem o risco que isso implica: se surgir um imprevisto e a viagem tiver de ser cancelada, o dinheiro fica simplesmente perdido, a não ser que um seguro de viagem inclua cobertura de cancelamento — o que nem sempre acontece. Uma plataforma criada precisamente para resolver este problema está a ganhar visibilidade: a Transfer Travel, um mercado online que permite revender reservas de viagem que já não vão ser utilizadas.

Como funciona o mercado de reservas em segunda mão

O princípio é semelhante ao de outros mercados de revenda conhecidos: quem tem uma reserva não reembolsável — seja um voo, uma estadia de hotel, um cruzeiro, um bilhete de comboio ou autocarro, ou até um pacote de férias completo — pode colocá-la à venda na plataforma para que outro viajante a compre. Quem vende recupera parte do valor que, de outra forma, perderia integralmente; quem compra fica com uma viagem já planeada a um preço mais baixo do que pagaria através dos canais habituais.

Para proteger o comprador de eventuais fraudes, o processo segue algumas regras fixas. Depois de a reserva ser vendida, quem a colocou à venda tem 72 horas para transferir a reserva para o nome do novo titular e carregar na plataforma os documentos atualizados que comprovem essa alteração. Só depois disso é que o dinheiro é libertado: a Transfer Travel retém o valor da venda durante sete dias, precisamente para evitar que a mesma reserva seja vendida a mais do que uma pessoa ou que a transação seja fraudulenta.

Do lado dos custos, a maioria dos anúncios pode ser publicada gratuitamente. A exceção são os vouchers de viagem, cuja publicação custa cerca de 12 euros. Já quando a venda se concretiza, a plataforma cobra uma comissão de 30% sobre o valor da transação — uma fatia significativa, mas que ainda assim permite a quem vende recuperar uma parte do dinheiro que, de outro modo, ficaria completamente perdido.

O que se pode encontrar à venda

O tipo de ofertas disponíveis na plataforma varia consideravelmente, mas tende a incluir viagens bastante ambiciosas a preços muito abaixo do valor original. Entre os exemplos recentes contam-se uma estadia de seis noites para duas pessoas num safari lodge na África do Sul, com um desconto superior a 60% face ao preço normal, ou uma escapadinha de quatro noites numa cabana de vidro na Finlândia, pensada para observar a aurora boreal e que inclui atividades como um passeio de trenó puxado por huskies e outro puxado por renas — também com uma redução considerável face ao preço de tabela. Há ainda reservas de hotel em destinos bem mais convencionais, de Barcelona a Bali, para quem procura apenas uma escapadela ao sol sem grandes exigências de destino.

Vantagens e limitações a ter em conta

Este tipo de mercado não é uma novidade absoluta — existem outras plataformas com um funcionamento semelhante, algumas já a operar há vários anos, que ligam vendedores com viagens já pagas e compradores à procura de pechinchas. O mecanismo que torna tudo isto possível é simples: a maioria das companhias aéreas e hotéis não permite o cancelamento com reembolso de reservas não reembolsáveis, mas muitas aceitam a alteração do nome do titular ou a transferência da reserva para outra pessoa. É essa brecha que estas plataformas exploram, fazendo de intermediárias no processo.

Para quem procura uma pechincha, há algumas condicionantes a ter em mente antes de se entusiasmar. A maior parte destas ofertas corresponde a viagens já totalmente definidas — datas, destino, hotel ou voo estão fechados, sem margem para alterações. Isto torna o mercado particularmente interessante para viajantes com horários flexíveis, capazes de aproveitar uma oportunidade mesmo com pouca antecedência, já que muitas das melhores ofertas dizem respeito a partidas nos dias seguintes. Para quem precisa de tratar de vistos, garantir que o passaporte está válido ou organizar cuidados para filhos ou animais de estimação antes de viajar, esse curto prazo pode ser um obstáculo. Vale ainda lembrar que, embora as plataformas verifiquem previamente se as reservas são transferíveis, as políticas de companhias aéreas e operadoras turísticas podem mudar, pelo que nem sempre há garantias absolutas.

Uma alternativa a considerar antes de perder tudo

Para quem já tem uma viagem não reembolsável marcada e se vê obrigado a cancelar por motivos de força maior, este tipo de plataforma surge como uma alternativa a ponderar antes de simplesmente aceitar a perda total do valor pago. Não substitui um seguro de cancelamento — que continua a ser a forma mais segura de proteger o investimento numa viagem —, mas pode funcionar como uma rede de segurança adicional quando o imprevisto já aconteceu e o reembolso direto não é uma opção.

Do outro lado, para quem tem disponibilidade para viajar em cima da hora e não se importa de abdicar de escolher cada pormenor do destino, estes mercados de revenda podem ser uma forma eficaz de encontrar experiências normalmente fora de alcance — de um safari sul-africano a uma noite a observar a aurora boreal numa cabana de vidro — a uma fração do preço habitual. Tal como acontece com qualquer transação entre particulares, vale sempre a pena confirmar as condições específicas da reserva, o método de pagamento utilizado e as garantias oferecidas pela plataforma antes de avançar com a compra.

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